VIVEIRO DE PLANTAS MEDICINAIS: RESGATANDO SABERES COM A PASTORAL DA SAÚDE DE ITAQUI
Palavras-chave:
conhecimento, tradicional, plantas, bioativas, fitoterápicosResumo
No Brasil é encontrada grande diversidade de plantas que são consideradas medicinais ou bioativas, um conhecimento tradicional transmitido entre gerações. Essas plantas são cultivadas em residências, hortas, viveiros e Jardins, porque muitas pessoas ainda as utilizam e outras querem mantê-las como uma forma de preservar o conhecimento adquirido. Porém, alguns pontos merecem atenção, como a perda do conhecimento tradicional com o passar do tempo e a identificação botânica incorreta, que ocorre devido a muitas plantas serem semelhantes, o que dificulta a sua identificação em nível de espécie. Nesse caso, a comunidade universitária pode desempenhar um papel importante ao promover projetos de extensão que busquem mitigar os problemas citados. Essas iniciativas garantem a segurança no uso de plantas e de fitoterápicos resgatando a sistematização desse conhecimento, além de que a convergência entre o saber empírico e a validação acadêmica reflete-se em projetos comunitários que promovem soluções mais eficazes e sustentáveis para as demandas locais. Dessa forma, a equipe executora do projeto de extensão: Plantas medicinais e seu uso pela pastoral da saúde de Itaqui-RS, iniciou as atividades auxiliando na implantação de um viveiro de plantas medicinais. O objetivo deste trabalho é relatar a implantação e organização de um viveiro de plantas medicinais em parceria com a Pastoral da Saúde de Itaqui, buscando preservar o conhecimento tradicional e as espécies botânicas, além de proporcionar conhecimento sobre o cultivo e fornecer matéria-prima para a produção de fitoterápicos doados à comunidade local. Para isso, o viveiro foi implantado em um local disponibilizado pela comunidade Imaculada Conceição, localizado no bairro José da Luz. O viveiro compreende uma área de 13 m x 8 m, que foi delimitada por postes de concreto e tela de alambrado, onde foram organizados três canteiros medindo 10 m x 1,5 m. Os canteiros receberam a adição de solo, produtos orgânicos e corretivo, tais como: casca de arroz, que apresenta nutrientes e melhora a aeração do solo; esterco bovino curtido, que garante a fertilidade gradual; e calcário, para a correção da acidez e adequação às necessidades das espécies cultivadas. Posteriormente, foram transplantadas mudas de diferentes espécies de plantas medicinais doadas pelos participantes da Pastoral da Saúde e moradores locais, que foram alocadas nos canteiros de acordo com a necessidade de incidência solar. A irrigação ocorreu de acordo com as necessidades das plantas e semanalmente foi realizado o cuidado de retirada de plantas invasoras, transplante de mudas e podas. As plantas foram identificadas em nível de espécie e família botânica e catalogadas, sendo posteriormente organizadas plaquinhas com a identificação da espécie e dos nomes populares. Como resultados da implantação do viveiro, observa-se que as 27 espécies de plantas medicinais mantidas atualmente, caracterizam o conhecimento local sobre plantas medicinais. A catalogação gerou dados que permitiram identificar cientificamente as famílias botânicas predominantes, espécies, nome popular e determinar as espécies mais utilizadas nos fitoterápicos, correlacionando com a identificação de suas atuações no organismo humano. Observou-se que as plantas fazem parte de 13 famílias botânicas, sendo que a Lamiaceae apresenta maior número de espécies. A correta identificação botânica reduz riscos de troca de espécies de mesmo nome popular que podem acarretar intoxicação ou mal estar. Identificou-se o predomínio de espécies voltadas ao sistema digestório e metabolismo, como a espinheira-santa (Monteverdia ilicifolia); com ação calmante e antiespasmódica, como o capim-cidreira (Cymbopogon citratus); e atuantes no sistema respiratório, como o guaco (Mikania glomerata), que apresenta propriedades broncodilatadoras e expectorantes. As plantas cultivadas mais utilizadas fazem parte da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS), mostrando a importância da regulamentação científica e tecnológica do uso das plantas e de fitoterápicos para o tratamento de saúde. A Pastoral da Saúde de Itaqui faz a doação de plantas e fitoterápicos para a população local por muitas décadas, realizando trabalho voluntário e cuidado com a saúde comunitária. Dessa forma, o viveiro é de suma importância por disponibilizar as plantas para serem utilizadas de acordo com a necessidade e procura da comunidade. Portanto, a articulação entre os saberes tradicionais resgatados pela Pastoral da Saúde e o conhecimento técnico-científico compartilhado pela equipe universitária na implantação do viveiro de plantas medicinais promove a continuidade das ações da Pastoral da Saúde, o que faz com que os saberes resgatados sejam transmitidos às novas gerações, mantendo viva uma prática que faz parte da identidade cultural e da história da comunidade de Itaqui.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
VIVEIRO DE PLANTAS MEDICINAIS: RESGATANDO SABERES COM A PASTORAL DA SAÚDE DE ITAQUI. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123650. Acesso em: 23 out. 2026.