Qualificação para a Autonomia Feminina: Experiência do Projeto Conexão Mulher no Setor de Alimentos

Autores

  • Tania Bairros
  • Larissa do Prado Lopes
  • Victor Paulo Kloeckner Pires
  • Alice Leivas dos Santos
  • Andressa Rocha Lhamby
  • Cassia Regina Nespolo

Palavras-chave:

desenvolvimento, local, qualificação, profissional, liderança, feminina

Resumo

A qualificação para o trabalho e o desenvolvimento de competências relacionadas ao empreendedorismo constituem estratégias importantes para ampliar as possibilidades de autonomia econômica e geração de renda entre mulheres. O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 5 da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas busca alcançar a igualdade de gênero e empoderar mulheres e meninas, destacando a importância do acesso a recursos econômicos. De forma complementar, o ODS 8, voltado ao trabalho decente e ao crescimento econômico, promove atividades produtivas e empreendedorismo. Essas diretrizes reforçam a importância de iniciativas que articulem conhecimentos técnicos e de gestão à geração de renda e inserção econômica das mulheres. Nesse contexto, o presente trabalho tem como objetivo relatar uma experiência de qualificação desenvolvida no âmbito do Projeto Conexão Mulher, com foco no setor de alimentos e na ampliação de conhecimentos técnicos e de gestão para a produção e comercialização de alimentos. O projeto realizou ações formativas relacionadas ao processamento de alimentos, segurança sanitária, custos e formação de preços e liderança feminina, articulando conhecimentos técnicos às demandas do território. Trata-se de um relato de experiência extensionista, desenvolvido com mulheres da Região da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, a partir de um conjunto de oficinas teórico-práticas voltadas à qualificação no setor de alimentos, entre elas produção de geleias artesanais, boas práticas de fabricação e precificação. A divulgação ocorreu por redes sociais e grupos de associações e coletivos de mulheres, ampliando o alcance e favorecendo a participação do público-alvo. As atividades foram organizadas em momentos teóricos e práticos, possibilitando conhecer e executar diferentes etapas do processamento. Na oficina de produção de geleias, foram abordadas etapas como seleção e higienização das frutas, preparo da matéria-prima, cocção, envase, vedação, rotulagem e armazenamento. As atividades também foram orientadas pelos princípios das boas práticas de fabricação e pelos cuidados higiênico-sanitários necessários à obtenção de alimentos seguros. Foram ainda trabalhados conteúdos sobre formação de custos, diferenciação entre custos fixos e variáveis, cálculo do preço de venda e definição de margem de lucro, ampliando a compreensão sobre planejamento, comercialização e viabilidade da produção. A articulação entre conhecimentos técnicos e de gestão incorporou ao processamento aspectos de organização, comercialização e sustentabilidade econômica. A liderança feminina foi trabalhada de forma transversal nas atividades, valorizando a participação, a autonomia e a capacidade de tomada de decisão das mulheres. Essa etapa do projeto alcançou cerca de 40 mulheres, ampliando o acesso à qualificação. Como resultados, observou-se ampliação dos conhecimentos relacionados às práticas higiênico-sanitárias, à organização do processo produtivo, à rotulagem e ao controle das etapas de processamento, bem como maior compreensão sobre a identificação dos custos e a definição de preços de venda. As avaliações indicaram percepção positiva sobre as oficinas e apontaram aspectos para o aprimoramento das próximas atividades. Entre as sugestões apresentadas, destacaram-se a disponibilização de apostilas ou outros materiais de apoio para consulta posterior, a realização de oficinas preferencialmente no período noturno, favorecendo a participação de mulheres que trabalham durante o dia, e a manutenção das atividades práticas, avaliadas positivamente pelas participantes. Também foi sugerida a ampliação dos conteúdos relacionados à educação financeira, especialmente sobre possibilidades de investimento e uso de recursos. Os apontamentos contribuíram para identificar demandas e orientar novas ações de qualificação. A experiência evidenciou que ações extensionistas articuladas às demandas do setor de alimentos podem contribuir para ampliar competências técnicas, produtivas e de gestão, fortalecendo condições para geração de renda e autonomia econômica das mulheres. A ação também reforçou o papel da extensão universitária na aproximação entre universidade e comunidade, por meio da construção compartilhada de conhecimentos e da formação vinculada às necessidades do território. Conclui-se que a experiência do Projeto Conexão Mulher apresentou potencial como estratégia de qualificação para a autonomia feminina, ao articular conhecimentos acadêmicos e demandas da comunidade em atividades práticas relacionadas ao setor de alimentos. A experiência reforçou o papel da extensão universitária na aproximação entre universidade e comunidade, na construção compartilhada de conhecimentos e na oferta de ações formativas vinculadas às necessidades das participantes, em diálogo com a Agenda 2030 da ONU.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Qualificação para a Autonomia Feminina: Experiência do Projeto Conexão Mulher no Setor de Alimentos. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123649. Acesso em: 22 out. 2026.