Selo Plantio Campeão: Plantabilidade de Lavouras de Soja no Oeste do Rio Grande do Sul

Autores

  • Luani Trindade Machado
  • Lucas Henrique Becker
  • Letícia Possel
  • Bruna Flores Batistella
  • Lanes Beatriz Acosta Jaques
  • Vilnei de Oliveira Dias

Palavras-chave:

Semeadura, mecanizada, distribuição, longitudinal, qualidade, semeadura, máquinas, agrícolas

Resumo

A Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul é conhecida nacionalmente no cultivo de arroz irrigado, porém a soja ganha cada vez mais importância econômica na região. A diversificação dos cultivos contribui para a rotação de culturas e melhoria das condições do solo, mas as características das áreas de várzea, especialmente o excesso hídrico, impõem desafios ao estabelecimento das lavouras. Nesse contexto, a qualidade da operação de semeadura torna-se fundamental, uma vez que fatores como velocidade de deslocamento, profundidade e uniformidade de distribuição das sementes podem interferir diretamente na formação do estande e no potencial produtivo das culturas. Diante disso, o trabalho teve como objetivo realizar uma amostragem inicial da qualidade da semeadura mecanizada de soja na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, avaliando a uniformidade de distribuição longitudinal das plantas e os principais parâmetros operacionais e tecnológicos empregados, visando identificar oportunidades de melhoria aos produtores. As amostras foram coletadas na safra 2025/26, abrangendo seis lavouras de soja nos municípios de Alegrete, Manoel Viana e Rosário do Sul. A uniformidade de distribuição longitudinal foi determinada conforme a ISO 7256/1, classificando os espaçamentos entre plantas em aceitáveis, duplos e falhos. Foram também registrados dados referentes à densidade planejada, velocidade de semeadura, espaçamento entre linhas, características dos tratores e semeadoras, entre outros. As avaliações a campo foram realizadas através de oito amostras de dez metros cada uma. Os dados foram organizados em planilhas eletrônicas e submetidos à estatística descritiva, possibilitando a comparação entre as lavouras e os diferentes sistemas de semeadura empregados. Cinco das lavouras avaliadas utilizaram sistema de plantio direto e apenas uma utilizou o sistema sulco-camalhão, com espaçamento entre linhas variando de 45 a 50 cm, profundidade de semeadura entre 2 e 4 cm e velocidade média de semeadura entre 4,0 e 6,5 km/m. A aveia foi a principal cultura antecessora, presente em quatro lavouras, seguida por centeio e trigo. Todos os tratores eram cabinados, sendo cinco equipados com piloto automático e três deles possuíam alterações de desempenho. Entre as semeadoras, cinco equipamentos possuíam monitor de semeadura, e dois apresentavam desligamento linha a linha. Quanto aos sulcadores de adubo, foram identificados modelos de disco duplo, disco turbo, disco simples e haste sulcadora. A densidade de semeadura planejada variou de 12 a 18 plantas por metro. Quanto aos dosadores, cinco semeadoras utilizavam sistema de disco alveolado horizontal e uma utilizava sistema pneumático. Considerando as médias observadas, o sistema pneumático apresentou 58,33% de espaçamentos aceitáveis, 22,62% de duplos e 19,05% de falhos, enquanto o sistema de disco alveolado apresentou 51,93%, 27,82% e 19,82%, respectivamente. A maior uniformidade foi observada em uma lavoura de 2.000 há localizada em Rosário do Sul, que apresentou 62,88% de espaçamentos aceitáveis, utilizando semeadora Vence Tudo com dosador de disco alveolado, monitor de semeadura e como sulcador de adubo, o disco duplo. A segunda melhor média geral foi de uma lavoura de 650 hectares localizada no município de Alegrete. Semeada com o sistema sulco/camalhão, equipada com uma semeadora que possuía como sistema de dosador de semente o disco aveolado horizontal e percentual de espaçamentos aceitáveis de 62,33%. A lavoura semeada com dosador pneumático apresentou a terceira maior média de espaçamentos aceitáveis (58,33%), sendo semeada em 100 hectares do município de Alegrete. Nesta área, a semeadura foi realizada a 6,5 km/h. Em contrapartida, a menor proporção de espaçamentos aceitáveis foi identificada em uma lavoura de 1 hectare em Manoel Viana, com 41,69%, associada a 35,18% de espaçamentos duplos e 23,13% de falhos. Os resultados evidenciam variabilidade na qualidade da distribuição longitudinal entre as lavouras avaliadas e demonstram a influência conjunta de fatores relacionados à regulagem, tecnologia embarcada e condições de operação da semeadora. Dessa forma, para um diagnóstico visando identificar pontos de melhoria na operação de semeadura e fornecer subsídios técnicos aos produtores, é necessário que mais lavouras sejam amostradas, o que é planejado pela equipe do trabalho na safra 2026/27.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Selo Plantio Campeão: Plantabilidade de Lavouras de Soja no Oeste do Rio Grande do Sul. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123646. Acesso em: 29 out. 2026.