Ozonioterapia Como Método Complementar no Tratamento de Tromboflebite Séptica da Jugular Externa em Um Equino
Palavras-chave:
Ozonioterapia, Tromboflebite, Séptica, Jugular, EquinoResumo
A tromboflebite séptica em equinos caracteriza-se por uma inflamação da parede venosa associada à formação de trombo infectado, frequentemente secundária a injeções intravenosas irritantes, cateterização prolongada ou contaminação bacteriana local. O processo inicia-se com lesão endotelial, ativação da cascata de coagulação e proliferação bacteriana intraluminal, o que leva à formação de trombo séptico, dor intensa e obstrução do fluxo venoso. Casos bilaterais estão associados a maior risco de complicações sistêmicas, como septicemia, embolias metastáticas e disfunções respiratórias, tornando o diagnóstico precoce e o manejo conservador fundamentais para o prognóstico favorável. O presente trabalho tem por objetivo relatar a ozonioterapia como auxiliar no processo de cicatrização de um caso de tromboflebite séptica de ambas as veias jugulares externas. Foi atendido na clínica médica de equinos El Corralero, localizada na cidade de Santo Ângelo/RS, um equino macho, não castrado, da raça Crioula, com quatro anos de idade, apresentando aumento de volume e edema bilateral em toda extensão das veias jugulares externas e glândulas parótidas, com sensibilidade a palpação, dificuldade respiratória e 39,8 graus de temperatura retal, com histórico de aplicação medicamentosa endovenosa nas veias jugulares externas esquerda e direita. Como diagnóstico complementar optou-se pela realização da ultrassonografia com doopler, avaliando a extensão da lesão, além da viabilidade do fluxo sanguíneo. No exame foram observadas bilateralmente duas estruturas de contorno irregular, e coleção líquida interna hipoecoica, além da ausência de fluxo sanguíneo. Dentro do período de 48 horas, o animal apresentou drenagem de secreção purulenta, tanto na extensão das veias jugulares, quanto nas glândulas parótidas. Foi realizada cultura e antibiograma, com material biológico coletado diretamente da lesão. Constatando a presença do microrganismo Enterobacter sp e sensibilidade para os agentes Enrofloxacina, Gentamicina e Amicacina. Para manejo das feridas, foram realizadas sessões de ozonioterapia durante 15 dias, na concentração de 60 mg/ml, pela ação antimicrobiana e em virtude da restrição de custos do tutor. Além disso, instituiu-se no manejo a aplicação de cloreto de sódio à 0,9%, por meio do uso do lavador de feridas para equinos Kruuse®, em virtude de ter uma pressão calibrada, evitando agressões em tecidos como derme e epiderme. Para finalizar o curativo, era aplicada pomada a base de colagenase em ambos os ferimentos, com o objetivo de proporcionar o desbridamento do tecido desvitalizado. A completa cicatrização ocorreu após 30 dias de tratamento intensivo, não havendo retorno do fluxo das veias jugulares na região de predominância da área lesada. A ozonioterapia foi crucial para o processo de cicatrização como terapia adjuvante, sendo altamente eficaz no tratamento da tromboflebite séptica. Embora ela não substitua o uso emergencial de antibióticos sistêmicos e anticoagulantes, a aplicação local do gás ozônio (O₃) acelera a resolução do quadro, por atuar diretamente nos três maiores desafios da doença: a infecção bacteriana, a inflamação endotelial severa e a estase sanguínea. O risco de aplicações indiscriminadas de medicações por leigos segue sendo um fator determinante, muitas vezes na sobrevida dos equinos. É de fundamental importância que os criadores sejam orientados sobre a necessidade de contatar um profissional para intervenção clínica e terapêutica no seu animal, e também sobre as consequências que determinada prática pode resultar.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Downloads
Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Ozonioterapia Como Método Complementar no Tratamento de Tromboflebite Séptica da Jugular Externa em Um Equino. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123642. Acesso em: 28 out. 2026.