Aprendizagem Experiencial por Meio do Campo Agrostológico na Formação de Estudantes de Medicina Veterinária

Autores

  • Ana Laura Aquino
  • Luana Sarturi Gulart
  • Maurício Benites Caldas
  • Luís Paulo Gomes Vivian
  • Deise Dalazen Castagnara
  • Rodrigo Holz Krolow

Palavras-chave:

Aprendizagem, experiencial, Forragicultura, Medicina, Veterinária, Pastagens, Produção, animal

Resumo

A formação de médicos-veterinários para atuação nos sistemas de produção animal exige a integração entre conhecimentos teóricos e experiências práticas que permitam compreender a dinâmica das espécies forrageiras utilizadas na alimentação dos rebanhos. O domínio de conteúdos relacionados à identificação botânica, estabelecimento, manejo e utilização de pastagens constitui competência essencial para profissionais que atuarão na bovinocultura de leite, bovinocultura de corte e ovinocultura. Entretanto, metodologias fundamentadas predominantemente em aulas expositivas podem limitar a associação entre teoria e prática, dificultando a consolidação do conhecimento e o desenvolvimento de habilidades voltadas à tomada de decisões técnicas. Nesse contexto, ambientes de aprendizagem experiencial representam importante estratégia pedagógica por permitirem aos estudantes vivenciar situações reais de manejo, favorecendo a observação direta das espécies forrageiras, a interpretação de suas características agronômicas e nutricionais e a aplicação prática dos conteúdos desenvolvidos em sala de aula. O campo agrostológico da Universidade Federal do Pampa foi implantado com essa finalidade, permitindo aos acadêmicos participar de atividades relacionadas à implantação, identificação, avaliação, manejo e utilização de diferentes espécies forrageiras empregadas na alimentação de ruminantes, além de integrar ações de ensino, pesquisa e extensão. Assim, objetivou-se avaliar a influência da utilização do campo agrostológico sobre o desempenho acadêmico de estudantes matriculados na disciplina de Forragicultura e Pastagens do curso de Medicina Veterinária. Foram analisadas retrospectivamente 637 notas obtidas ao longo de diferentes ofertas da disciplina, agrupadas em três contextos pedagógicos: ensino com utilização do campo agrostológico (2014-I, 2018-I e 2018-II), ensino tradicional (2015-I a 2017-II, 2019-I, 2019-II, 2022-I, 2022-II e 2023-I) e ensino remoto (2020-I, 2020-II, 2021-I e 2021-II). Os dados foram submetidos à análise de variância, sendo as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade e calculado o tamanho do efeito pelo coeficiente eta-quadrado (η²). Observou-se efeito significativo do contexto pedagógico sobre o desempenho acadêmico (F₂,₆₃₄ = 17,07; P<0,0001; η² = 0,051). Os estudantes que participaram das atividades desenvolvidas no campo agrostológico apresentaram média de 7,43 ± 0,09, superior à observada no ensino tradicional (6,77 ± 0,06; P<0,05), não diferindo estatisticamente do ensino remoto (7,18 ± 0,11). O ensino remoto também apresentou desempenho superior ao tradicional (P<0,05). Esses resultados demonstram que estratégias pedagógicas que promovem maior participação dos estudantes favorecem a aprendizagem quando comparadas ao modelo exclusivamente expositivo. A utilização do campo agrostológico permitiu relacionar os conteúdos teóricos às características observadas diretamente nas espécies forrageiras, favorecendo a identificação das plantas, a compreensão de aspectos morfológicos, produtivos e nutricionais e a associação entre manejo e produção de biomassa. Além disso, as atividades práticas estimularam a capacidade de observação, o raciocínio técnico, a resolução de problemas e a tomada de decisões, competências fundamentais para a atuação profissional na produção animal. Outro aspecto relevante foi a maior interação entre docentes e estudantes durante as atividades desenvolvidas no campo, fortalecendo a construção coletiva do conhecimento e aproximando o processo de ensino das situações encontradas na prática profissional. O efeito observado, embora de magnitude moderada, demonstra que ambientes vivos de aprendizagem contribuem positivamente para o desempenho acadêmico e para o desenvolvimento de competências essenciais à formação do médico-veterinário. Conclui-se que a utilização do campo agrostológico constitui uma estratégia pedagógica eficiente para qualificar o ensino de Forragicultura e Pastagens, promovendo maior integração entre teoria e prática, aprendizagem significativa e melhor preparação dos estudantes para atuação nos sistemas de produção animal.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Aprendizagem Experiencial por Meio do Campo Agrostológico na Formação de Estudantes de Medicina Veterinária. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123631. Acesso em: 27 out. 2026.