Tecendo Autonomia: o Protagonismo Feminino Santanense na Participação da Feicoop
Palavras-chave:
Economia, Solidária, Autogestão, Mulheres, EmpreendedorasResumo
As feiras livres no Brasil representam uma das mais remotas tradições de comércio popular, sendo reproduzidas até os dias atuais com características que se assemelham àquelas observadas desde o período da colonização portuguesa (Mascena et al., 2025). Historicamente, as feiras surgiram como espaços de trocas diretas entre quem produz e quem compra, consolidando-se como alternativa em um período no qual os mercados formais não eram suficientes para atender às necessidades das populações interioranas, sobretudo em regiões mais distantes dos grandes centros urbanos e comerciais (Dantas; Pachelly, 2008; Araújo; Freitas, 2018; Silva; Silva, 2021). Ao longo do tempo, os espaços das feiras evoluíram para lugares onde se percebe outro modelo econômico, focado no desenvolvimento social, na cooperação e na solidariedade. Nesse contexto, a economia solidária emerge como uma alternativa para aqueles e aquelas que buscam empreender em um ambiente de colaboração. A economia solidária constitui um modo de produção caracterizado pela igualdade de direitos entre os trabalhadores, tendo como uma de suas características centrais a propriedade coletiva dos meios de produção por aqueles que trabalham com eles (Singer, 2008). Nesse modelo, os empreendimentos são geridos pelos próprios trabalhadores, de forma coletiva, cooperativa e democrática. Na perspectiva contemporânea, observa-se ainda a significativa participação das mulheres nesses empreendimentos, muitas vezes como resultado da necessidade de geração de renda e das desigualdades de gênero presentes no mercado de trabalho formal, marcado, entre outros aspectos, pela desvalorização financeira do trabalho feminino em relação ao masculino (Fraga, 2025). Além disso, no espaço de trabalho formal, as mulheres estão mais expostas a diferentes formas de assédio, demissões coletivas em períodos de crise econômica e a falta de oportunidades relacionadas à maternidade e à gestação.. Diante desse cenário, muitos recorrem à informalidade e, ao encontrarem na economia solidária possibilidades de organização cooperativa, democrática, solidária e autogestionária, passam a construir uma alternativa de geração de renda e transformação de suas vidas (Fraga, 2025). Essa realidade foi possível observar ao acompanhamento da participação dos empreendimentos de economia solidária vinculados à Casa da Economia Solidária de SantAna do Livramento/RS, na 32ª Feira Internacional do Cooperativismo e Economia Solidária (FEICOOP), realizada nos dias 10 à 12 de julho de 2026, no Centro de Referência Dom Ivo Lorscheiter, em Santa Maria/RS. O evento contou com 556 empreendimentos solidários e teve como tema A Construção da Ecologia Integral frente às mudanças climáticas". O município de SantAna do Livramento esteve presente com vários empreendimentos, que se deslocaram para o evento em uma van. Entre os quinze participantes vinculados aos empreendimentos do município, havia apenas dois homens: um filho de uma das empreendedoras e outro companheiro. Evidenciando a expressiva presença feminina nesta articulação. Partindo do pressuposto que a prevalência da participação feminina é um exemplo de autonomia de gênero nos empreendimentos de economia solidária. Com isso, o objetivo é compreender a presença e a participação das mulheres empreendedoras da Casa da Economia Solidária de SantAna do Livramento na FEICOOP e seus processos de autogestão. Este trabalho é resultado parcial do projeto de extensão da Incubadora de Economia Solidária e Tecnologia Social da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) campus Santana do Livramento.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Tecendo Autonomia: o Protagonismo Feminino Santanense na Participação da Feicoop. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123630. Acesso em: 24 out. 2026.