Quilombos do Pampa e o Protagonismo Feminino Além dos Dados Estatísticos
Palavras-chave:
Quilombos, feminino, mulheres, comunidade, protagonismo, estatisticos, extensãoResumo
O trabalho de campo realizado em parceria entre a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), voltado para os cadastros sociais do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) nos quilombos da região da campanha gaúcha, representa uma iniciativa de grande relevância acadêmica, social e política. Trata-se de uma ação que articula ensino, pesquisa e extensão, ao mesmo tempo em que promove o reconhecimento e a valorização das comunidades quilombolas e mulheres protagonistas da gestão, historicamente invisibilizadas na sociedade e eternizadas com representatividade nas diversas comunidades que visitamos vimos a marca de mulheres que fizeram a diferença e que foram eternizadas como nomes de várias comunidades que visitamos como Bisa Vicenta, Vó Elvira, Vó Ernestina, Vó Firmina. Algumas incursões tiveram que ser adiadas em função de adoecimento ou perda de algumas dessas griôs, o que geravam comoção e necessidade de reorganização comunitária. Suas casas são os locais de referência local e elas organizam a saúde física e emocional comunitária, orientando uso de ervas medicinais, acolhendo e orientando situações cotidianas.. O objetivo central era realizar o levantamento de dados de produção, organização comunitária e acesso às políticas públicas, mas muito além disso é ver e sentir a força e opoder das mulheres e os saberes que foram passados por gerações. Durante o trabalho de campo, equipes compostas por estudantes e professores das duas universidades se deslocaram até os territórios quilombolas da campanha gaúcha, estabelecendo contato direto com as famílias e lideranças locais (na grande maioria lideradas por mulheres). Esse processo envolveu entrevistas, aplicação de questionários, observação participante e registros sistemáticos das condições de vida, das práticas produtivas e das demandas sociais de comunidades que muitas vezes estão esquecidas no tempo. A metodologia adotada buscou respeitar os saberes tradicionais e a dinâmica comunitária levando os entrevistadores a conviver diariamente com a rotina, sempre buscando aprender. Assim, o levantamento de dados não se restringiu apenas a números e estatísticas procurou captar também as dimensões culturais, identitárias e políticas que estruturam a vida nos quilombos. Os resultados preliminares evidenciam a diversidade das formas de produção presentes nas comunidades, que vão desde a agricultura familiar de subsistência até iniciativas de comercialização em pequena escala. Também foram identificadas práticas de manejo sustentável dos recursos naturais como poli cultivo de culturas, banco de sementes, e agroflorestas, transmitidas de geração em geração, que reforçam a importância da preservação ambiental como parte da identidade quilombola. Além disso, o trabalho revelou as dificuldades enfrentadas pelas comunidades no acesso a políticas públicas de saúde, educação, infraestrutura e crédito rural. Muitas vezes, a distância geográfica e a falta de reconhecimento dificultam a efetivação de direitos já garantidos em lei, o que reforça a necessidade de ações específicas voltadas para esses territórios. Outro aspecto relevante do trabalho de campo foi a dimensão pedagógica. Para os estudantes envolvidos, a experiência representou uma oportunidade única de aprendizado prático e de contato com realidades sociais distintas daquelas vivenciadas no espaço urbano. A monitoria e a orientação dos professores foram fundamentais para que o processo se desenvolvesse com rigor metodológico e sensibilidade cultural. Ao mesmo tempo, para as comunidades quilombolas, a presença das universidades significou reconhecimento e valorização, fortalecendo o sentimento de pertencimento e a luta por direitos. Essa troca de saberes, marcada pela horizontalidade, contribuiu para a construção de uma universidade mais plural e comprometida com a transformação social. Este trabalho também se insere em um contexto mais amplo de políticas de ação afirmativa e de democratização do ensino superior. A presença de estudantes quilombolas e indígenas na UFSM e na UNIPAMPA, fruto das cotas raciais e sociais, reforça a importância de iniciativas que não apenas garantam o acesso, mas também a permanência e o protagonismo desses grupos.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Quilombos do Pampa e o Protagonismo Feminino Além dos Dados Estatísticos. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123629. Acesso em: 28 out. 2026.