Ser Bolsista na Rede Sacci Labmaker: Cultura Maker, Protagonismo Estudantil e Formação Docente Inicial

Autores

  • Glória Raquel Broglio Madruga
  • Taiane Acunha Escobar
  • Eliade Ferreira Lima

Palavras-chave:

Extensão, universitária, ensino, Ciências, tecnologias, educacionais

Resumo

A cultura maker vem se consolidando como caminho potente para enfrentar problemas persistentes da educação básica brasileira, como a desmotivação, as fragilidades na produção escrita e o distanciamento entre os conteúdos escolares e a vida dos estudantes, ao deslocar o aluno da condição de receptor para a de autor de suas próprias criações (Blikstein, 2013). É nesse horizonte que se situa a Rede SACCI LabMaker, contemplada pela Chamada CNPq/MCTI/FNDCT Conecta e Capacita nº 13/2024 Programa Mais Ciência na Escola, que implanta laboratórios maker em escolas públicas do Rio Grande do Sul mediante articulação entre a Universidade Federal do Pampa (Unipampa), o Instituto Federal Farroupilha (IFFar) e as secretarias municipais de educação. Em Uruguaiana, cinco escolas da rede municipal foram contempladas com laboratórios que funcionam em turno inverso ao das aulas regulares, contando com cinco professoras em especialização em Ciência e Tecnologia, dez bolsistas da educação básica e duas bolsistas de graduação na modalidade Iniciação ao Extensionismo, responsáveis pela mediação das atividades. Este trabalho é um relato de experiência elaborado a partir da perspectiva da bolsista, acadêmica do quarto semestre da Licenciatura em Ciências da Natureza e bolsista CNPq, que atua no projeto desde agosto de 2025 e iniciou, em agosto de 2026, a terceira fase da bolsa. O percurso metodológico apoiou-se na observação participante, no planejamento colaborativo com as professoras coordenadoras e a coordenação local da Rede e no registro sistemático das ações em diários de bordo físicos e digitais produzidos pelos estudantes e pela bolsista, em relatórios e na documentação fotográfica das atividades, organizada em diário compartilhado no Drive. As práticas mediadas partiram sempre de um problema ou de uma pergunta e só então mobilizaram o equipamento capaz de respondê-lo. Na modelagem tridimensional em software livre, os estudantes desenharam peças depois materializadas na impressora 3D, entre elas modelos de célula animal e vegetal usados para estudar organelas com um objeto que podiam manipular. Na cortadora a laser, produziram porta-celulares em MDF e um jogo de tabuleiro sobre a cidade de Uruguaiana, cujo desafio de representar o município em um artefato jogável exigiu pesquisa sobre o próprio território. Em astronomia, a construção da Nebulosa no Pote e de um móbile do Sistema Solar em MDF exigiu proporção, escala e trabalho coletivo antes de qualquer explicação teórica; em química e biologia, a cromatografia, o cultivo em placas de Petri observado ao microscópio e a representação da membrana celular com água e sabão tornaram visíveis conceitos abstratos; em eletrônica e robótica, a oficina Eletrônica sem Levar Choque e a programação de placas Arduino permitiram tratar o erro como etapa do processo, e não como fracasso. Tais práticas evidenciam que os equipamentos maker não ensinam sozinhos: convertem-se em aprendizagem quando associados a intencionalidade pedagógica, mediação constante e registro reflexivo. Na fase iniciada em agosto de 2026, a atuação ampliou-se para além da mediação direta: foi conduzida uma aula motivacional voltada à permanência dos alunos no laboratório mesmo após o encerramento das bolsas; houve participação em reunião pedagógica na Secretaria Municipal de Educação, com a coordenação local da Rede, a coordenação da SEMED e as professoras coordenadoras, para alinhamento desta nova fase; acompanhou-se oficina na qual as professoras coordenadoras apresentaram o LabMaker às professoras de Ciências da rede municipal; e atuou-se como avaliadora na feira de ciências de uma escola rural vinculada ao projeto. Entre os resultados, destaca-se a transformação dos estudantes. Na escrita, houve avanço na organização das ideias e na descrição das práticas nos diários de bordo, superando a resistência inicial ao registro. No uso das tecnologias, alunos que chegaram sem familiaridade com o teclado passaram a operar softwares de modelagem, manusear a impressora 3D e programar componentes eletrônicos. Na postura diante do público, observou-se ganho de segurança e clareza na apresentação de trabalhos em eventos escolares e feiras de ciências, com estudantes que antes evitavam falar assumindo a explicação de seus próprios projetos. No engajamento, verificou-se a proposição de projetos autorais em grupo e o desejo manifesto de permanecer no laboratório independentemente da vigência das bolsas. Conclui-se que a atuação como bolsista de extensão constitui espaço formativo de grande densidade, pois articula a teoria estudada na licenciatura à prática cotidiana da escola pública e confirma o extensionismo como via de mão dupla entre universidade e educação básica, formando estudantes mais autônomos e uma futura professora mais atenta às possibilidades da educação científica.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Ser Bolsista na Rede Sacci Labmaker: Cultura Maker, Protagonismo Estudantil e Formação Docente Inicial. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123627. Acesso em: 24 out. 2026.