TÊNIS DE MESA COMO INSTRUMENTO PARA CONSTRUÇÃO DO PERTENCIMENTO À UNIVERSIDADE PÚBLICA
Palavras-chave:
extensão, universitária, educação, básica, esporte, lazerResumo
Este trabalho apresenta um relato de experiência construído a partir da minha atuação como oficineiro no projeto de extensão Unipampa na Escola, Tênis de Mesa, desenvolvido no Campus Bagé da Universidade Federal do Pampa em parceria com a Federação Esportiva e Paradesportiva de Tênis de Mesa do Estado do Rio Grande do Sul e com a Associação Atlética Unipampa Bagé. O projeto tem como objetivo divulgar os cursos de graduação e as políticas de assistência estudantil da instituição para estudantes da educação básica, tomando a prática esportiva como elemento mediador dessa aproximação, em consonância com a política de extensão da universidade, que compreende a educação básica como vetor para a promoção de uma sociedade mais justa e igualitária. Parte-se do entendimento de que a escola constitui a principal instituição parceira da universidade pública, uma vez que dela provém a maior parte do corpo discente, e de que o diálogo com a comunidade externa qualifica a formação acadêmica e cidadã de todos os envolvidos. Uma característica central da proposta é que todas as atividades ocorrem no interior do campus universitário, o que faz do próprio espaço da universidade o local de encontro entre acadêmicos e comunidade. As ações foram organizadas em encontros semanais, estruturados no formato de oficinas e treinos abertos, voltados a um público majoritariamente composto por crianças e adolescentes entre dez e dezessete anos, oriundos da rede pública de ensino e da comunidade externa em geral. A condução das oficinas contemplou o ensino dos fundamentos técnicos da modalidade, entre eles a empunhadura, o posicionamento, os deslocamentos, o saque e a execução dos golpes básicos, sempre articulados a atividades lúdicas, jogos adaptados e situações de disputa que favorecessem a convivência, o respeito às regras e a cooperação entre os participantes. O planejamento dos encontros foi revisado periodicamente pela equipe executora, que se reunia para avaliar as estratégias adotadas e reorganizar as abordagens conforme o perfil e a resposta dos participantes, contando ainda com a consultoria da federação parceira na organização dos treinos e na preparação para as competições. Ao longo da execução, observou-se que parte dos participantes passou a demonstrar maior regularidade na frequência, maior autonomia prática e desenvoltura técnica crescente. Esse movimento levou à constituição gradual de um grupo de rendimento, que preservou a dimensão recreativa da prática e incorporou treinos sistemáticos voltados à participação em competições do circuito estadual de tênis de mesa. A formação desse grupo evidenciou que uma ação extensionista de caráter esportivo pode comportar diferentes níveis de aprofundamento sem abrir mão de seu caráter formativo e inclusivo, uma vez que os participantes iniciantes seguiram sendo acolhidos nos mesmos horários e espaços daqueles que passaram a competir. Entre os resultados alcançados, destaca-se a presença constante do público externo no campus, o que permitiu que crianças e adolescentes circulassem pela universidade, conhecessem sua estrutura física e estabelecessem contato direto com acadêmicos, técnicos administrativos e docentes da instituição. Nesses momentos de convivência, as conversas informais sobre cursos, formas de ingresso e programas de assistência estudantil se mostraram tão relevantes quanto as atividades esportivas propriamente ditas, pois aproximaram os participantes de uma realidade frequentemente percebida como distante de suas trajetórias. Do ponto de vista formativo, a atuação como oficineiro exigiu o exercício constante do planejamento pedagógico, da mediação e da adaptação das atividades a grupos heterogêneos, o que contribuiu de maneira significativa para a minha formação acadêmica, profissional e cidadã. Conclui-se que o tênis de mesa se mostrou um recurso potente para reduzir a distância entre a universidade e a comunidade na qual ela está inserida, uma vez que a modalidade exige pouca estrutura, é de fácil iniciação e permite a participação conjunta de diferentes idades e níveis de habilidade. A experiência indica que ações extensionistas realizadas dentro do espaço universitário favorecem a construção de um senso de pertencimento à universidade pública entre estudantes da educação básica e ampliam suas expectativas em relação ao ensino superior, ao mesmo tempo em que oferecem aos acadêmicos envolvidos um espaço concreto de articulação entre ensino, pesquisa e extensão.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
TÊNIS DE MESA COMO INSTRUMENTO PARA CONSTRUÇÃO DO PERTENCIMENTO À UNIVERSIDADE PÚBLICA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123616. Acesso em: 30 out. 2026.