Educação para o Território no Caçapava Geoparque: Ciência, Saberes e Extensão no Projeto Montes Bárbaros
Palavras-chave:
UniversidadeSociedade, Intercâmbio, saberes, Patrimônio, territorialResumo
Os Geoparques Mundiais da UNESCO constituem territórios em que patrimônio, educação, participação comunitária e desenvolvimento sustentável podem ser articulados em ações de aproximação entre universidade, escola e sociedade. Nesse contexto, o projeto Montes Bárbaros: Empreendedorismo e Inovação no fértil solo da educação (registro nº 2026.EP.CA.4694), desenvolvido no Caçapava Geoparque Mundial da UNESCO, buscou transformar elementos do território em fontes de investigação, formação e participação social. O estudo teve como objetivo analisar as contribuições educativas, sociais e territoriais das ações extensionistas do projeto e sistematizar princípios de uma metodologia de Educação para o Território aplicável a contextos de Geoparques. Trata-se de estudo qualitativo, descritivo e interpretativo, desenvolvido por sistematização de experiência extensionista, análise documental e análise temática. As ações ocorreram entre julho de 2025 e junho de 2026, tendo como núcleo a Escola Técnica Estadual Rubens da Rosa Guedes, em Caçapava do Sul, e envolveram 260 estudantes da escola e aproximadamente 200 estudantes da rede municipal. O corpus reuniu documentos e planejamentos institucionais, registros de campo, fotográficos e audiovisuais, testes de receitas, protótipos, geoprodutos, produções estudantis, materiais com QR Codes e capítulos do livro Sabores e Saberes do Pampa. As atividades compreenderam trilhas pedagógicas, investigação do solo e de processos agroindustriais, olericultura, testes culinários, modelagem e prototipagem, produção de geoprodutos, mostras, encontros comunitários e educação empreendedora. O discente autor principal participou do planejamento e execução das ações, da produção e testagem de geoprodutos, do registro das atividades e da socialização dos resultados. A análise considerou quatro dimensões: formação científico-educativa, intercâmbio de saberes, integração UniversidadeSociedade e impacto territorial e social. Entre as experiências, destacou-se a criação de um geoproduto inspirado no Forte Dom Pedro II, cuja modelagem, prototipagem, fabricação de fôrma metálica e testes culinários mobilizaram conhecimentos de fermentação, bioquímica, temperatura, medidas, escala, proporção e volume. O livro Sabores e Saberes do Pampa reuniu receitas, narrativas e memórias de 10 mulheres da comunidade, preservando a autoria das práticas culinárias e relacionando-as a explicações científicas sobre processos como a gelatinização do amido, formação de merengue, fermentação e conservação. A Mostra da Consciência Negra envolveu cerca de 200 estudantes em atividades sobre presença negra no Pampa, identidade, arte e memória, enquanto ações com horta e plantas aproximaram conhecimentos familiares de Botânica e Fitoquímica. A rede extensionista reuniu ETERRG, UNIPAMPA, UFSM, poder público, entidades culturais, setores produtivos e comunidade, com circulação do conhecimento em encontros, mostras, semanas acadêmicas e Trilhas da Humanidade, que envolveram 25 escolas. A comunicação foi ampliada por 15 totens com QR Code, geoprodutos e materiais audiovisuais, e a AGPTEA assumiu compromisso de apoiar a distribuição do Guia Metodológico às 28 escolas técnicas agrícolas do Rio Grande do Sul. Os resultados evidenciaram a mobilização de conceitos científicos e procedimentos investigativos em problemas concretos, intercâmbio entre saberes científicos, técnicos e comunitários, fortalecimento da integração UniversidadeSociedade e produção de materiais e práticas que permanecem no território. Como não houve comparação pré e pós-intervenção, os achados são interpretados como mobilização de conceitos e indícios de desenvolvimento de habilidades, evitando atribuir efeitos não mensurados. A leitura conjunta das evidências permitiu sistematizar cinco princípios da Educação para o Território: reconhecer o território e seus sujeitos, problematizar questões concretas, colocar saberes em diálogo, investigar e produzir e socializar/devolver ao território com autoria reconhecida. Conclui-se que o Montes Bárbaros constituiu uma experiência extensionista capaz de articular Ciência, formação técnica, participação comunitária, protagonismo feminino e ancestralidade, fortalecendo a integração UniversidadeSociedade e o intercâmbio de saberes. O alcance das ações e a circulação prevista do Guia indicam potencial de adaptação da Educação para o Território a outros contextos, respeitadas as especificidades locais.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Educação para o Território no Caçapava Geoparque: Ciência, Saberes e Extensão no Projeto Montes Bárbaros. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123609. Acesso em: 27 out. 2026.