Popularização de Práticas Experimentais de Ciências e Suas Possibilidades de Utilização na Prática Docente.

Autores

  • Alexia Weber Silva Padilha
  • Anne Suély Pinto Savall
  • Luciano Martins Sena
  • Ivan Peter Dos Santos Bibiano
  • Carla Beatriz Spohr

Palavras-chave:

Experimentação, Ensino, Ciências, Formação, Docente

Resumo

A utilização de práticas experimentais no ensino de Ciências é reconhecida como eixo fundamental no processo de ensino-aprendizagem, pois contribui para o desenvolvimento do pensamento crítico, da alfabetização científica e da investigação de acontecimentos do cotidiano (Silva et al., 2024). No entanto, por muito tempo se acreditou que só seria possível ensinar ciências com laboratórios equipados e materiais caros, o que afasta a prática da realidade das escolas públicas, como aponta Malheiro em seu trabalho Atividades experimentais no ensino de ciências: limites e possibilidades (2016), o valor de um experimento não está no aparato técnico, mas apresentar como pano de fundo, os fenômenos da natureza, para que sejam percebidos por nossos estudantes de forma contextualizada. Pensando nisso, levar a experimentação para fora do laboratório tradicional, usando materiais simples do dia a dia e dinâmicas acessíveis é um caminho prático para transformar a rotina da sala de aula. Tendo em vista o fortalecimento do ensino de Ciências, foi desenvolvido um projeto intitulado Experimentação na formação acadêmico-profissional de docentes com vistas ao desenvolvimento do pensamento científico e à construção do conhecimento para crianças aprovado pelo CEP (6.957.929) da Universidade Federal do Pampa (Unipampa, Campus Uruguaiana), juntamente com 3 turmas de magistério, estudantes do 2º ano (Turma A e B) e da Etapa I (alunos que já concluíram o Ensino Médio), ao longo de quatro encontros semanais totalizando 40 participantes. A proposta consistiu na realização de atividades que contemplaram diferentes áreas das Ciências da Natureza considerando também os eixos, habilidades e objetos de conhecimentos e conteúdos relacionados a Base Nacional Comum Curricular para o ensino de ciências para os anos iniciais do ensino fundamental (BNCC). Entre essas, foram desenvolvidas a Caixa das fases da Lua, utilizada para abordar aspectos relacionados aos movimentos e às fases da Lua; o Xilofone com copos, relacionado à produção e propagação do som; o Termômetro caseiro, envolvendo conceitos relacionados à temperatura e à variação térmica; a Colônia de bactérias, possibilitando discutir a presença e o crescimento de microrganismos em diferentes condições; e a extração da clorofila relacionado ao funcionamento das plantas e às transformações de materiais presentes na natureza, de fácil acesso e que poderiam ser desenvolvidas no seu estágio final com alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental, buscando demonstrar que a experimentação pode ocorrer em diferentes espaços e sem a necessidade de um laboratório convencional. Neste sentido, buscamos analisar as percepções de estudantes em formação sobre a vivência em atividades experimentais de Ciências e suas possibilidades de utilização na futura prática docente. Ao término dos encontros, aplicou-se um questionário de avaliação, no qual foram selecionadas questões específicas para analisar, de forma quantitativa, a compreensão dos conceitos, o envolvimento dos participantes e as possibilidades de aplicação das atividades na prática docente. As respostas demonstraram uma avaliação positiva das atividades práticas propostas. A satisfação geral com as propostas alcançou médias elevadas, variando entre 9,13 (Turma A I), 9,77 (Turma B) e 9,13 (ETAPA I), acompanhada por um alto nível de autoavaliação do engajamento dos estudantes, com médias entre 8,58; 8,81 e 8,70 respectivamente. Quanto à futura prática, a totalidade dos alunos da Turma A e B (100%) e a expressiva maioria da Etapa I (93,33%) consideraram as atividades úteis para a prática no estágio supervisionado. Além disso, a maioria dos participantes considerou que os conceitos abordados podem ser trabalhados por meio de aulas experimentais, com percentuais variando entre 83,33%, 84,61% e 73,33%, respectivamente. O relato de dificuldades na execução dos experimentos foi baixo na turma A (8,3%), inexistente na turma B (0%) e moderado na Etapa I (20%). Esses dados demonstram que trabalhar a experimentação de forma simples e descomplicada na formação de professores, na qual contribui para práticas pedagógicas potencialmente significativas (Louzada et al., 2024) . Ao tirar o peso do laboratório perfeito e focar em materiais acessíveis, os futuros docentes ganham confiança, ampliam seu repertório de aulas e percebem que é possível levar o Ensino de Ciências de qualidade para as crianças da educação básica.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Popularização de Práticas Experimentais de Ciências e Suas Possibilidades de Utilização na Prática Docente. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123608. Acesso em: 23 out. 2026.