Corpos, Vozes e Territórios em Movimento: Esquinas Del Sur na Cena Cultural Fronteiriça Jaguarão-rio Branco
Palavras-chave:
Extensão, cultural, Território, FronteiraResumo
O Esquinas del Sur é um projeto de extensão e cultura vinculado à Unipampa - Campus Jaguarão, desenvolvido desde 2023 e que, ao longo de suas edições, tem ampliado seu alcance. O projeto envolve docentes, discentes, técnico-administrativos, artistas e moradores da região em uma proposta que articula apresentações culturais e acadêmicas. A sua 3ª edição, intitulada Corpos, vozes e territórios em movimento, foi realizada nos dias 29 e 30 de outubro de 2025, em conjunto com o II Simpósio Interdisciplinar da Unipampa - Campus Jaguarão. A temática desta edição compreende corpos como presenças que ocupam e ressignificam os espaços da experiência cultural, vozes como a pluralidade de manifestações artísticas e territórios em movimento como espaços que constituem trocas simbólicas entre diferentes culturas e localidades para além de fronteiras geográficas fixas. O eixo problematizador que orienta este trabalho pode ser formulado da seguinte maneira: como uma ação extensionista interdisciplinar contribui para a formação cultural a partir de temas da atualidade que movem a história, a literatura, a música e as artes, por meio da circulação de produções latino-americanas em um território fronteiriço? O objetivo da experiência foi proporcionar às comunidades externa e acadêmica o contato com expressões artísticas, promovendo reflexões sobre herança cultural e ancestralidade, especialmente na região sul do Rio Grande do Sul e em seus diálogos com expressões afro-platinas a partir de uma ação com artistas e instituições da região fronteiriça. O presente trabalho constitui um relato analítico de experiência extensionista, de abordagem qualitativa (Creswell, 2010), fundamentado na análise documental dos registros institucionais produzidos ao longo da 3ª edição do Esquinas del Sur. O planejamento da 3ª edição foi iniciado em julho de 2025, com encontros semanais que definiram a temática e as estratégias de captação de recursos. O principal obstáculo encontrado foi a ausência de fomento financeiro direto: classificado como suplente no edital PROACC, o projeto não contou com bolsistas remunerados nem com recursos regulares para custeio. Para garantir o pagamento de cachês artísticos, a equipe organizou uma ação coletiva de captação junto a apoiadores locais. Em suas atrações, contemplou as multilinguagens buscadas pelo projeto (Reg. SAP 2025.EX.JG.4903), que visava promover a escuta, a criação e a partilha entre a universidade, os artistas locais e as vozes da comunidade, articulando arte, memória, política e território. Além disso, a variedade de ações e os diferentes atores envolvidos estimulou o reconhecimento prático das palavras de Antônio Bispo dos Santos: A arte é conversa das almas porque vai do indivíduo para o comunitário, pois ela é compartilhada (2023, p. 22). Em 29 de outubro de 2025, a tarde foi dedicada ao II Simpósio Interdisciplinar, no campus, com a apresentação de comunicações acadêmicas por discentes de diferentes áreas. À noite, o Sarau Esquinas del Sur ocupou o Theatro Esperança, reunindo diferentes linguagens artísticas. O grupo uruguaio Abriendo Porteras e a dupla binacional Duglas Bessa e Héctor Rojas, expressaram os encontros que atravessam as fronteiras da região platina; a dupla Régis Bardini e Hélio Ramirez, junto a poeta Juliana Flor, apresentaram a performance que articulou música e poemas de autoras latino-americanas; o músico Kako Xavier, acompanhado pelos percussionistas do Tamborada, mobilizando ritmos que produzem e ressignificam o território; a Cia. Ayuni Jr., que selecionou o espetáculo Meu Rio Grande, Meu Lar caracterizado pela dança em sintonia com os tambores cuja linguagem artística também mostra o território por meio de práticas culturais e formas coletivas de presença; e o Grupo Adulto Feminino Estilizado da FolkArt, expressando, pela dança, corpos em movimento que ocupam o espaço de forma significativa. Em 30 de outubro, as atividades retornaram ao campus, onde foram inauguradas exposições, entre elas a mostra de pirografia e telas, o lançamento do livro Injustiça na terra de ninguém, a exposição fotográfica da 2ª edição do Esquinas del Sur e a instalação Caixa de identidade materna: maquete do cotidiano. Também foi inaugurada a escultura El derecho a la sabiduría, do artista plástico uruguaio Juan Carlos Muniz, e realizado o lançamento do e-book Memorabilia Esquinas del Sur. Esse movimento de levar a universidade ao Theatro Esperança e, posteriormente, trazer a comunidade para o campus materializa a proposta de circulação de saberes e democratização do acesso à produção cultural (Canclini, 2001). Os registros evidenciam que o público externo superou numericamente o público acadêmico, constituindo um indicador significativo do alcance social da ação.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Corpos, Vozes e Territórios em Movimento: Esquinas Del Sur na Cena Cultural Fronteiriça Jaguarão-rio Branco. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123605. Acesso em: 28 out. 2026.