Experiência Extensionista na Rede Sacci Labmaker em Escolas Públicas de Alegrete
Palavras-chave:
Educação, Maker, Laboratórios, Extensão, Universitária, Científica, Tecnológica, Protagonismo, Estudantil, STEAMResumo
A aproximação entre universidade e escola constitui uma importante dimensão da extensão universitária, especialmente por favorecer o compartilhamento de conhecimentos, tecnologias e experiências e ampliar o acesso à formação científica e tecnológica. Nesse contexto, o Programa Mais Ciência na Escola incentiva o desenvolvimento da educação científica e tecnológica e do letramento digital na Educação Básica por meio da implantação de Laboratórios Maker, ambientes destinados à prototipagem, experimentação e desenvolvimento de projetos. Esses espaços possibilitam práticas colaborativas e criativas, nas quais os estudantes podem investigar problemas, testar possibilidades e desenvolver soluções utilizando conhecimentos científicos e tecnológicos. O presente trabalho tem como objetivo relatar e analisar a experiência extensionista desenvolvida pela Rede SACCI LabMaker em três escolas públicas de Alegrete, Rio Grande do Sul: Escola Estadual de Ensino Médio José Bonifácio, Escola Estadual Doutor Romário Araújo de Oliveira e Instituto Estadual de Educação Oswaldo Aranha. A experiência envolveu a atuação de extensionistas junto a professores e estudantes, com apoio técnico e orientação em atividades de impressão 3D, corte a laser, robótica, Arduino, montagem de placas, eletrônica e desenvolvimento de projetos. O trabalho caracteriza-se como um relato de experiência, de natureza aplicada, abordagem qualitativa, caráter descritivo e objetivo exploratório. A produção dos dados ocorreu por meio de observação participante, registros das experiências e diálogos estabelecidos com professores e estudantes durante as atividades. Os extensionistas acompanharam as demandas das escolas, a utilização dos equipamentos e o desenvolvimento dos projetos, atuando como colaboradores e mediadores sem retirar dos estudantes o protagonismo sobre suas ideias. A Rede SACCI LabMaker também busca articular as atividades dos laboratórios aos projetos, demandas e práticas já desenvolvidos pelas escolas, favorecendo a integração desses espaços ao cotidiano escolar e a continuidade das ações. Entre os projetos desenvolvidos destacam-se robôs, guindastes, maquetes de pontes elevadas, lixeiras com acionamento automático por sensor, bengala para pessoas cegas com sensor de proximidade e um tabuleiro de jogo de botão com registro automático da pontuação, além de experimentações sobre a influência de diferentes condições de luz na brotação do feijão. Os projetos foram apresentados em oficinas e feiras de ciência promovidas pelas escolas, pela Universidade Federal do Pampa e por outras instituições educacionais de Alegrete, possibilitando a socialização dos conhecimentos e das produções. Os resultados evidenciaram contribuições relacionadas ao protagonismo estudantil, ao desenvolvimento de conhecimentos científico-tecnológicos, à criatividade, à colaboração e à resolução de problemas. A utilização dos equipamentos como instrumentos para investigar situações concretas aproximou conhecimentos escolares de aplicações práticas e favoreceu uma postura mais ativa dos estudantes diante da aprendizagem. Destacou-se também a participação de meninas em atividades de robótica, eletrônica, programação e fabricação digital, bem como a atuação de professoras como responsáveis pelos laboratórios, contribuindo para a construção de referências femininas em áreas relacionadas à ciência e à tecnologia. A presença de estudantes provenientes de diferentes contextos socioeconômicos também reforçou o potencial dos Laboratórios Maker para democratizar o acesso a equipamentos e práticas tecnológicas que podem estar distantes do cotidiano de parte dos jovens. Além disso, foi observado interesse dos estudantes por trajetórias acadêmicas relacionadas às áreas científicas, tecnológicas e de engenharia, embora não seja possível estabelecer uma relação direta entre a experiência e futuras escolhas profissionais. A experiência evidencia, portanto, que os Laboratórios Maker podem ultrapassar a função de espaços destinados ao uso de ferramentas tecnológicas, constituindo ambientes de criação, investigação, colaboração e aprendizagem. A articulação entre universidade, escolas, professores, estudantes e extensionistas fortaleceu a integração entre os projetos desenvolvidos pelas instituições de ensino e as atividades dos laboratórios, favorecendo sua inserção no contexto escolar e seu potencial de continuidade. Dessa forma, a experiência demonstra que a educação maker, quando associada à extensão universitária e às demandas concretas das escolas, pode contribuir para ampliar o acesso à educação científica e tecnológica, estimular o protagonismo juvenil e possibilitar que os estudantes se reconheçam como sujeitos capazes de criar, investigar e desenvolver soluções para problemas de sua realidade.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Experiência Extensionista na Rede Sacci Labmaker em Escolas Públicas de Alegrete. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123599. Acesso em: 24 out. 2026.