PROJETO RECEITA PARA O FUTURO: AÇÃO COM O PÚBLICO 60+ SOBRE DESCARTE DE MEDICAMENTOS.

Autores

  • Rafael Carlos Oliveira da Cunha
  • Amanda Camargo Rodrigues
  • Sissa Kumaira
  • Yasmin Vieira

Palavras-chave:

Educação, Ambiental, Descarte, Fármacos, Política, Nacional, Resíduos, Sólidos, Pessoa, Idosa

Resumo

O descarte domiciliar inadequado de medicamentos constitui um problema ambiental e de saúde coletiva, uma vez que princípios ativos podem alcançar o solo e os recursos hídricos por meio do lixo comum ou da rede de esgoto. A problemática é particularmente relevante entre pessoas idosas, que apresentam contato frequente com diferentes classes terapêuticas em razão do tratamento continuado de doenças crônicas. Nesse contexto, foi desenvolvida uma ação extensionista a partir da parceria entre os projetos Receita para o Futuro e Um dia na Universidade para pessoa idosa, ambos vinculados à Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus Caçapava do Sul. Enquanto o primeiro trabalha com educação ambiental relacionada à contaminação por resíduos farmacêuticos e à logística reversa, o segundo promove a aproximação de pessoas idosas com o ambiente acadêmico por meio de atividades teóricas e práticas em diferentes áreas das Ciências Exatas e da Terra. O objetivo foi relatar e analisar uma ação integrada de sensibilização sobre o descarte correto de medicamentos, articulando diagnóstico de conhecimentos prévios, mediação educativa, experimentação demonstrativa e participação do público idoso em espaços de formação científica. A atividade, de natureza aplicada, caráter descritivo e abordagem predominantemente qualitativa, foi realizada em novembro de 2025. Inicialmente, ocorreu uma aproximação com a comunidade, acompanhada da aplicação de questionário estruturado sobre consumo de medicamentos, hábitos de descarte e percepção de risco ambiental. As respostas orientaram os exemplos e as dúvidas trabalhadas posteriormente no campus da UNIPAMPA. A atividade principal combinou exposição dialogada, em linguagem acessível, sobre contaminantes emergentes, rotas de entrada de fármacos no ambiente e logística reversa, com uma demonstração no Laboratório de Química Ambiental. Nessa etapa, uma amostra aquosa turva contendo fármaco dissolvido foi submetida à coagulação e floculação, comparando-se a aparência da solução e a absorbância em UV-Vis antes e após o procedimento. A sondagem mostrou que o tema fazia parte da rotina dos participantes, que mencionaram medicamentos de uso contínuo, dúvidas quanto ao destino de sobras e produtos vencidos e, em alguns casos, descarte no lixo comum ou na rede de esgoto. Esses achados permitiram construir a intervenção a partir de situações efetivamente relatadas pelo grupo, aproximando a discussão ambiental de decisões presentes no cotidiano doméstico. O resultado pedagógico mais evidente ocorreu durante a atividade experimental: após a coagulação e floculação, a amostra tornou-se visualmente mais límpida, enquanto o sinal espectrofotométrico associado ao fármaco permaneceu pouco alterado. O contraste entre aparência e composição possibilitou discutir de maneira concreta que água visualmente limpa não significa ausência de contaminantes químicos, favorecendo perguntas e interpretações sobre o destino de medicamentos descartados inadequadamente. Outro resultado relevante foi a participação das pessoas idosas no laboratório, onde puderam acompanhar um procedimento experimental, observar o uso de instrumentação científica e interpretar os resultados juntamente com a equipe. Suas experiências com o uso de medicamentos foram retomadas ao longo da atividade e utilizadas como referências na discussão, estabelecendo diálogo entre saberes cotidianos e conhecimento científico. No encerramento, observou-se maior clareza na associação entre descarte inadequado, contaminação ambiental e logística reversa, com reconhecimento da devolução de medicamentos vencidos ou em desuso aos pontos de recebimento adequados como conduta ambientalmente correta. A parceria entre os dois projetos constituiu um resultado extensionista importante: a experiência do Um dia na Universidade para pessoa idosa na aproximação e inserção desse público em atividades acadêmicas complementou a abordagem ambiental do Receita para o Futuro, possibilitando uma ação contextualizada e participativa. O movimento em dois sentidos, com aproximação inicial em território comunitário e posterior presença do grupo no campus, fortaleceu o vínculo Universidade-sociedade e mostrou que pessoas idosas podem ocupar o espaço universitário não apenas como destinatárias de informações, mas como participantes capazes de formular questões, compartilhar experiências e influenciar a própria ação extensionista. Como limitação, a ausência de pós-teste e de acompanhamento longitudinal não permite afirmar mudança permanente de comportamento. Ainda assim, os resultados demonstram que a integração entre projetos, associada à escuta prévia, linguagem acessível e experimentação, favorece alfabetização científica, orientação para a logística reversa e intercâmbio de saberes, evidenciando o potencial da extensão universitária para responder a demandas locais e ampliar a participação social de pessoas idosas.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

PROJETO RECEITA PARA O FUTURO: AÇÃO COM O PÚBLICO 60+ SOBRE DESCARTE DE MEDICAMENTOS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123592. Acesso em: 30 out. 2026.