Escuta Territorial Como Estratégia de Levantamento das Demandas da Rea da Cultura na Fronteira Oeste

Autores

  • Maria Neves
  • Amanda de Abreu Espindola
  • Pâmela Anschau de Almeida
  • Roberta Rios Zubiaurre
  • Thiago Costa Martins
  • Elisa Lübeck Terra

Palavras-chave:

Cultura, economia, criativa, Desenvolvimento, territorial

Resumo

Alcançar a igualdade de gênero é um compromisso de todas as nações, de tal maneira que se tornou um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas. Dentre as formas de violência de gênero está a cultural, especialmente quando falamos na valorização do papel das mulheres na construção do saber e fazer cultura. Para Pierre Bourdieu (1995), a dominação dos homens na sociedade é tão comum que nem a percebemos. Isso se deve ao fato de que, historicamente, o sexo masculino sempre teve autoridade e autonomia para realizar cultura, enquanto as mulheres sempre foram vistas como incapazes e impedidas de realizar suas criações, muitas vezes precisando de auxílio de algum representante masculino para fazê-lo ou, por necessidade, se escondendo no anonimato por trás de um codinome. Isso colaborou para o esquecimento das contribuições femininas e o apagamento das suas capacidades de produção cultural. Apesar das dificuldades, o papel de transformação que as mulheres possuem é notório, como a escritora Carolina Maria de Jesus (1960), uma mulher periférica, que trabalhava como catadora, desenvolveu em algum espaço da sua difícil realidade a paixão pela escrita, a sua obra Quarto de despejo: O diário de uma favelada, publicada em 1960, foi um marco na literatura brasileira, que denunciou uma realidade de pobreza em que as pessoas viviam no país. Isso demonstra como as criações culturais femininas sobrevivem com muitas dificuldades e, como destaca o autor Losandro Antonio Tedeschi (2021, p.7), no estudo Igualdade de Gênero, patrimônio e criatividade, publicado em 2021 pela UNESCO: A pluralidade que esse olhar feminino da margem nos traz permite, entre outros, a inclusão e a legitimação da diversidade cultural feminina, postergada e esquecida ao longo da história. Esse olhar qualificado a partir da margem, a partir dos silêncios da história, proporciona-nos, como sujeitos, uma renovada visão de mundo em relação a essa suposta diversidade construída de modo sexista e monolítico, a qual se inscreveu na história da sociedade nas expressões do criar, do saber e do fazer como verdade única e inquestionável, reflexo perene do domínio masculino. Nesse sentido, é essencial a criação de projetos e políticas públicas que incentivem os profissionais da indústria cultural e criativa, que se encontram em localidades periféricas ou afastadas dos grandes centros, onde o acesso à profissionalização e aos recursos financeiros é escasso. Por esse motivo, destacamos o projeto EscultAqui, um escritório da Escult (Escola Solano Trindade de Cultura e Economia Criativa), uma plataforma de cursos on-line destinada à formação e qualificação para o mundo do trabalho. O escritório está localizado na Universidade Federal do Pampa - Campus São Borja, pois historicamente, a região da faixa de fronteira apresenta indicadores de desigualdade, baixa densidade industrial e desafios estruturais relacionados à interiorização de políticas públicas. Nesse viés, o presente trabalho tem caráter extensionista e tem como objetivo oferecer formação profissional e assistência técnica orientada à demanda para empreendedores e microempreendedores, trabalhadores da área da cultura e da indústria criativa, artistas e produtores culturais, prioritariamente mulheres, em seu primeiro ciclo de formação, da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, especialmente, nas cidades de Uruguaiana, Itaqui e São Borja. As necessidades e os desafios na área da cultura de cada região foram elencados por meio de reuniões presenciais nas cidades de Itaqui, Uruguaiana e São Borja, denominadas Escuta Territorial, com pontos e pontões de cultura cadastrados, além de profissionais e trabalhadores da área da cultura. Durante a escuta, foi apresentado o projeto EscultAqui, resultado da parceria da Unipampa com o Ministério da Cultura, e também foi aplicado um questionário para a coleta das necessidades territoriais. Como resultado parcial dos encontros, pode-se perceber a dificuldade de acesso dos trabalhadores à qualificação e à formação, além da necessidade de valorização das especificidades locais e da falta de fomento. Com isso, pode-se dizer que o projeto EscultAqui é uma alternativa que busca mitigar as desigualdades sociais e oportunizar formação qualificada, incentivando o desenvolvimento e a profissionalização da economia criativa na fronteira oeste, além de contribuir para o desenvolvimento territorial sustentável.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Escuta Territorial Como Estratégia de Levantamento das Demandas da Rea da Cultura na Fronteira Oeste. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123573. Acesso em: 29 out. 2026.