Pet Historinha: a Literatura Infantil Como Experiência Cultural e de Valorização da Identidade Negra

Autores

  • Maria Eduarda Silveira Paz
  • Ellen Paiva da Silva
  • Matheus Henrique Ribeiro Laurindo
  • Edson Romário Monteiro Paniagua

Palavras-chave:

Cultura, Diversidade, Protagonismo, Negro

Resumo

A literatura infantil ocupa lugar significativo na formação cultural das crianças, uma vez que contribuem para a construção de repertórios, referências e percepções sobre diferentes identidades e formas de pertencimento. Nesse contexto, o projeto A Cultura em suas manifestações tradicionais e contemporâneas PET Cultura, vinculado ao Programa de Educação Tutorial (PET) História da África, desenvolveu a ação PET Historinha. Trata-se de uma proposta de contação de histórias voltada à valorização da identidade negra e à aproximação entre universidade e comunidade escolar. A iniciativa teve como objetivo proporcionar às crianças uma experiência literária e cultural que articulam a leitura, a dramatização e a produção artística, utilizando a narrativa infantil como recurso de mediação e diálogo sobre diversidade. Para a realização da atividade, foi selecionada a obra Menina Bonita do Laço de Fita, de Ana Maria Machado, por apresentar uma menina negra como protagonista e abordar, de maneira lúdica e acessível, aspectos relacionados à aparência, identidade e valorização das diferenças. A escolha da obra esteve relacionada à importância de ampliar o contato das crianças com personagens negros em posições de protagonismo, favorecendo experiências literárias que contemplem diferentes formas de representação. Assim, a narrativa foi utilizada como ponto de partida para uma atividade que uniu literatura e expressão artística, buscando aproximar o público infantil da história por meio de uma linguagem adequada ao contexto escolar. A ação foi realizada em 6 de julho de 2026, no período vespertino, na Escola Estadual de Ensino Fundamental Tusnelda Lima Barbosa, com aproximadamente 30 crianças do primeiro e terceiro anos do ensino fundamental, acompanhadas por quatro professoras. A metodologia foi desenvolvida coletivamente pelos integrantes do projeto e compreendeu o planejamento da atividade, a organização da narrativa, a preparação da apresentação, a confecção dos recursos cênicos e a realização da contação. O cenário e os fantoches foram produzidos integralmente pela equipe, envolvendo criação, divisão de tarefas e trabalho coletivo. Durante a apresentação, esses recursos foram utilizados como elementos de mediação, contribuindo para tornar a narrativa mais visual, lúdica e participativa. A história foi apresentada de forma dramatizada e, ao final, foi realizado um momento de interação com as crianças, permitindo a retomada de aspectos relacionados à narrativa e aos personagens. Dessa maneira, a atividade não se restringiu à apresentação da obra, mas buscou estabelecer um espaço de participação e diálogo entre a equipe e o público infantil. A proposta articulou a literatura, a dramatização, a produção artesanal e a interação, constituindo uma ação cultural elaborada especificamente para o ambiente escolar. Ressalta-se que não houve coleta sistemática de dados sobre as crianças, de modo que os resultados apresentados possuem caráter descritivo e estão fundamentados na realização da atividade e nas observações feitas durante a experiência. Como resultado, a experiência evidenciou a possibilidade de utilizar a literatura infantil como linguagem cultural para aproximar universidade e escola e criar oportunidades de contato com narrativas que apresentam o protagonismo negro de forma positiva. A associação entre a obra selecionada, a dramatização e os recursos produzidos pela equipe constituiu um diferencial da ação, transformando a contação em uma experiência que envolveu diferentes linguagens e formas de participação. Para os integrantes do PET, a atividade também representou uma experiência formativa, envolvendo planejamento, criação, organização e execução de uma ação cultural em diálogo direto com a comunidade escolar. A experiência demonstra, portanto, que a literatura infantil pode constituir um espaço de mediação cultural e de ampliação dos repertórios das crianças, especialmente quando articulada a práticas que valorizem a diversidade e a representação de diferentes identidades. O PET Historinha fortaleceu a relação entre universidade e escola ao levar para o espaço escolar uma produção elaborada coletivamente no âmbito do projeto, evidenciando que ações culturais planejadas em diálogo com a comunidade podem produzir experiências educativas significativas. Como possibilidade de continuidade, a iniciativa pode ser ampliada por meio de outras obras e linguagens, mantendo a literatura como instrumento de criação, diálogo e valorização da diversidade.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Pet Historinha: a Literatura Infantil Como Experiência Cultural e de Valorização da Identidade Negra. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123572. Acesso em: 30 out. 2026.