VER E SER VISTO: NARRATIVAS DO TERRITÓRIO E O AUDIOVISUAL NA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA EM JAGUARÃO/RS

Autores

  • Santiago Rullmann Passos
  • Gleise Cristiane Ferreira de Oliveira

Palavras-chave:

narrativas, audiovisuais, coletivos, negros, extensão, universitária

Resumo

O projeto de extensão universitária Ver e Ser Visto: narrativas do território, nasceu da constatação de que a cidade de Jaguarão carecia de espaços de circulação e debate sobre as produções audiovisuais. Somou-se a primeira observação, a verificação de que além da ausência de salas de cinema na cidade, determinados grupos permaneciam pouco representados nas telas e nas plateias. Neste sentido, o projeto, estruturado em torno de três eixos articulados - cinema, memória e território -, escolheu atuar a partir do recorte racial, em diálogo com três coletivos negros da cidade: o Ilê Axé Mãe Nice D'Xangô, o Clube 24 de Agosto e a Confraria Afro/Coletivo Rosas Negras. Os grupos parceiros participaram em todas as etapas de realização do projeto que envolveram desde a curadoria dos vídeos até a definição dos espaços de realização das atividades. A partir de um universo de vinte e dois produtos audiovisuais produzidos com recursos da Lei Paulo Gustavo no município, a equipe executora, composta por discentes, docentes e integrantes da comunidade externa, selecionou cinco produções para compor cinedebates. Os encontros articularam a exibição das produções audiovisuais a rodas de conversa com diretores, personagens retratados e pesquisadores convidados, ampliando a compreensão dos temas em pauta e favorecendo o compartilhamento de memórias que, muitas vezes, extrapolaram o próprio conteúdo dos vídeos. As três sessões de cinedebate que discutiram em torno dos temas a) Narrativas de Festas na Fronteira, quando foram apresentados o Samba de Roda e a Festa de São Jorge de Jaguarão como elementos da cultura negra presente em celebrações da cidade. Durante o debate, apareceu ainda como exemplo o Carnaval de Jaguarão e as contribuições negras para a festa, b) Narrativas Quilombolas na Fronteira, quando foi debatido o longa documental que registra a história do Quilombo Madeira que possui território compartilhado Brasil com Uruguai, aspectos como a resistência do povo negro na fronteira foram centrais nesse debate e c) Narrativas de Territórios Ancestrais do Pampa, que debateu aspectos de religiões afro brasileiras e peculiaridades do Bioma Pampa como território sagrado. Ao todo, os cinedebates reuniram 237 pessoas, com a participação de escolas da rede pública e de lideranças comunitárias. A comunicação das ações privilegiou o uso das redes sociais, notadamente o perfil do projeto no Instagram , além da divulgação boca a boca e convite a instituições parceiras. Integraram as ações do projeto a realização de seis oficinas de audiovisual, voltadas a estudantes da rede pública de ensino, contemplando desde noções introdutórias de linguagem audiovisual e desenvolvimento de personagens, até captação de imagem e edição de vídeo com uso de smartphones. As ações formativas aconteceram em parceria com o curso de Cinema da Universidade Federal de Pelotas e com o Bacharelado em Produção e Política Cultural da Unipampa. As oficinas, por sua vez, avançaram nas etapas de formação teórica e de escrita de roteiro, mas não alcançaram a produção de conteúdos audiovisuais finais pelos estudantes, em razão da dificuldade de manter a continuidade da participação do público jovem ao longo de todas as etapas formativas previstas, o que representou um dos principais desafios enfrentados na execução do projeto. Cabe destacar que o projeto contou com apoio financeiro da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEC/UNIPAMPA) através do Edital n°06/2025 - Programa de Fomento às Atividades Culturais e Criativas - PROACC e foi realizado nos meses de agosto de 2025 à abril de 2026, a bolsa de extensão, no entanto, contemplou os meses de setembro à dezembro de 2025. Por fim, consideramos que a primeira edição da ação extensionista cumpriu o papel de mediadora entre saberes acadêmicos e comunitários, evidenciando o potencial da extensão universitária na difusão de memórias historicamente silenciadas e no fortalecimento do ecossistema cultural de Jaguarão. Entre os principais desafios, destaca-se a adesão e a permanência do público jovem, considerado potencial multiplicador das ações desenvolvidas. Para as próximas edições, projeta-se o fortalecimento das ações formativas, de modo que os jovens possam ampliar sua participação e assumir progressivamente o protagonismo na produção de suas próprias narrativas audiovisuais.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

VER E SER VISTO: NARRATIVAS DO TERRITÓRIO E O AUDIOVISUAL NA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA EM JAGUARÃO/RS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123571. Acesso em: 3 nov. 2026.