Falar de Feminismo no Boteco: a Extensão Universitária Como Popularização dos Estudos de Gênero
Palavras-chave:
Direitos, humanos, equidade, gênero, popularização, das, ciênciasResumo
Esta comunicação pretende discorrer sobre desdobramentos de um projeto de extensão denominado de Boteco Literário, que foi desenvolvido durante os anos de 2024 e 2025, tornando-se, em 2026 um projeto do campo da inclusão e dos direitos humanos. Esse projeto nasceu com o objetivo de falar sobre literatura e temas estruturantes da vida social em uma hamburgueria localizada na cidade de Dom Pedrito-RS. Depois de dois anos, o projeto ganhou um traço identitário mais circunscrito: não falávamos apenas de livros e sociedade, estávamos falando sobre a escrita de mulheres. Com isso, a segunda edição se propõe a dar um passo a mais na tarefa de popularizar a leitura, qual seja: popularizar a escrita de mulheres, suas trajetórias e contribuições nas suas áreas de atuação, seja a literatura, a ciência ou as artes. Através do diálogo, do debate, da conversa aberta e transparente, este projeto pretende continuar levando à comunidade de Dom Pedrito temas sensíveis ao cotidiano de mulheres e meninas, com vistas a promover reflexões sobre equidade de gênero. As ações desenvolvidas são compostas por encontros realizados em bares e restaurantes, com o livro divulgado antecipadamente e com o uso de linguagem simples e acessível a qualquer público. Do mesmo modo, são privilegiadas autoras diversas entre si, seja no tempo histórico de sua escrita, no pertencimento étnico-racial, orientação sexual, classe social e faixa etária. Desta primeira experiência seguiram outras edições em uma hamburgueria da cidade, na Feira do Livro de Dom Pedrito e na Feira do Livro de Pelotas. Em 2025, chegaram convites para atividades em escolas e em uma exposição sobre autorretratos de mulheres. A equipe do projeto promoveu debates sobre relações, afeto, violência de gênero, feminilidades e masculinidades, a partir de quatro obras principais: 1) Tudo sobre o amor: novas perspectivas, de autoria da feminista e filósofa estadunidense bell hooks; 2) A gente mira no amor e acerta na solidão, da psicanalista brasileira, Ana Suy; 3) A prateleira do amor: sobre mulheres, homens e relações, da psicóloga e professora brasileira, Valeska Zanello; e 4) Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, da escritora russo-judaica, naturalizada brasileira, Clarice Lispector. As ações do projeto tornaram-se, gradativamente, a popularização da escrita de mulheres, a partir de análises realizadas desde uma perspectiva de gênero. A cada encontro, o público cresceu e se diversificou, de modo que foi perceptível que estávamos atingindo pessoas que não participariam daqueles debates, caso acontecessem dentro da Universidade. Ocupar o espaço do bar nos aproximou ainda mais da comunidade e permitiu popularizar a escrita de mulheres e da teoria feminista, sem a rigidez teórica das aulas e sem a preocupação metodológica e conceitual que a pesquisa carrega. Entendemos que a Universidade não é estática, ela é movimento é ir até quem precisa, levar conhecimento, e através da leitura compartilhada isso se torna possível. O nome do projeto surgiu em função de que no boteco, ou seja, no barzinho é onde todos se encontram e tomando o seu drink ou sua bebida preferida começam a parafrasear sobre tudo é lá no boteco que todo mundo é entendedor de tudo, que não há formalidades, e que podemos encontrar todo o tipo de público. Misturar teoria social, conversa leve e curiosidades do público, nos permitiu abordar temas sensíveis ao cotidiano das mulheres, como por exemplo a violência de gênero. Em um período de altos índices de feminicídio no Brasil e de avanços de ondas anti-democráticas no ocidente (BROWN, 2019), falar sobre igualdade de gênero é necessário à defesa da vida e à educação de todas as gerações de homens e mulheres que compõem a sociedade. Em 06 de março de 2026, o Conselho Nacional de Justiça noticiou que os processos de feminicídio triplicaram nos últimos cinco anos, no Brasil. Mulheres estão sendo assassinadas pelo simples fato de serem mulheres e este é um fato assentado na estrutura patriarcal, que articula, ao mesmo tempo: a socialização de homens, pautada na violência; o Estado omisso; a desvalorização e invisibilização do trabalho de cuidado que recai majoritariamente sob as mulheres; e a desigualdade de gênero no mercado de trabalho assalariado (BATTHYÁNY, 2024). Nós que atuamos no campo da educação e da equidade de gênero temos uma preocupação com processos educacionais que atinjam, por meio de linguagens diversas, as diferentes gerações de homens e mulheres que compõem a sociedade. É preciso pensar nas crianças e jovens, mas também é preciso pensar em adultos e idosos. A violência de gênero não possui classe social, grau de instrução, raça ou faixa etária. É um problema que atravessa toda a sociedade. Neste sentido, pensar em popularizar debates sobre gênero, por meio da escrita e da trajetória intelectual de mulheres, é um propósito que surge no sentido de contribuir com essa tarefa de educar distintas gerações que ocupam os espaços públicos.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Falar de Feminismo no Boteco: a Extensão Universitária Como Popularização dos Estudos de Gênero. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123560. Acesso em: 28 out. 2026.