Tocando no Assunto: Gênero, (trans)sexualidades, Teoria Queer e Poliamor

Autores

  • Kailany Gonçalves Foster
  • Maria Beatriz Vieira Marrano
  • Eduarda Fernandes Jaime Leão
  • Juliana dos Santos Nunes
  • Franciéle Gonçalves Soares
  • Tônia Ribeiro da Silva

Palavras-chave:

Feminismo, Produção, saberes, Fronteira

Resumo

O projeto de extensão Tocando no Assunto: gênero, (trans)sexualidades, teoria queer e poliamor, desenvolvido na Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), no Campus Jaguarão, parte do pressuposto de que a universidade pública possui papel social ativo na produção e democratização de saberes capazes de problematizar desigualdades estruturais. Situado na fronteira sul-rio-grandense, o projeto tem como objetivo promover estudos, debates e ações sobre teorias sociais de gênero, articulando a produção acadêmica à realidade local e ao diálogo com diferentes setores da sociedade. Para isso, adota uma abordagem qualitativa e participativa, fundamentada na interação dialógica e na produção coletiva de saberes. As ações foram desenvolvidas presencialmente, no Campus Jaguarão, e em ambientes virtuais, utilizando rodas de conversa, cine-debates, encontros com escritoras e pesquisadoras, produção artística, exposições e publicações em redes sociais. O público participante envolveu estudantes, docentes e técnicos da UNIPAMPA, estudantes e professores da educação básica, agentes culturais e moradores de Jaguarão e do Uruguai, possibilitando a constituição de um espaço de diálogo de caráter transfronteiriço. As discussões foram fundamentadas, especialmente, nas contribuições de Judith Butler (2024) e Joan Scott (1995), mobilizadas para compreender as formas de construção, normatização e significação das relações de gênero. O ciclo de atividades teve início em dezembro de 2025, com a exibição do filme Manas, dando início às discussões sobre pluralidade das experiências femininas e formas de resistência. Em março de 2026, o projeto iniciou suas ações nas redes sociais com o material Redpill: você sabe os perigos deste movimento?, voltado à conscientização, especialmente do público jovem, acerca do movimento Redpill e da disseminação de discursos de ódio contra mulheres, com a perspectiva de posteriormente desenvolver essa discussão junto às escolas de Jaguarão. No mesmo mês, o evento Falando em Gênero: Literatura e Feminismo promoveu o diálogo entre literatura de autoria feminina e discussões sobre gênero e feminismo. Em abril, a Roda de Conversa sobre a Maternidade possibilitou problematizar as relações entre maternidade, não maternidade, permanência estudantil e a idealização da mulher que se anula em favor do outro. Em maio, a atividade História, Letras e Linhas em Coreografia articulou literatura, memória e expressão por meio da leitura de Pequena Coreografia do Adeus e da produção coletiva de bordados e costuras. Em junho, a exposição virtual Memória em Diferentes Vozes ampliou a circulação das discussões por meio do Instagram. Em julho, a participação na 15ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos Sessão Nego Bispo aproximou as discussões sobre gênero das questões de território, memória, ancestralidade e outros modos de produção de saber. Os resultados alcançados indicam que o projeto ampliou o diálogo sobre gênero e feminismo entre a universidade e a comunidade, alcançando tanto a comunidade acadêmica quanto públicos externos e fortalecendo a dimensão transfronteiriça da extensão. A participação de diferentes sujeitos e experiências sociais favoreceu a construção de espaços de debate e produção compartilhada de conhecimentos, ultrapassando os limites do ambiente acadêmico. A diversidade de práticas empregadas também se apresentou como resultado relevante, ao demonstrar que as discussões sobre gênero podem ser construídas por meio de diferentes linguagens e práticas acadêmicas, culturais e artísticas. Essa diversidade ampliou as possibilidades de participação e permitiu reconhecer experiências, memórias e formas de expressão como elementos constitutivos da produção de conhecimento. A utilização das redes sociais contribuiu ainda para ampliar os espaços de circulação e acesso aos conteúdos produzidos, aproximando as discussões do cotidiano dos usuários das plataformas digitais. Paralelamente, a articulação com a Galeria de Invenções, o Cineclube IFJAG, o Memórias Plurais e o LaLLi fortaleceu as redes de colaboração e a atuação interinstitucional do projeto. Conclui-se que o projeto Tocando no Assunto constitui um espaço de construção e circulação coletiva de saberes, no qual a extensão atua como instrumento de aproximação entre universidade e sociedade. As experiências desenvolvidas demonstram o potencial de diferentes linguagens e espaços de participação para a democratização das discussões sobre gênero e sexualidade, reafirmando a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, conforme estabelecido pela Resolução CONSUNI/UNIPAMPA nº 471/2026. Nesse sentido, o projeto contribui para a produção de conhecimentos socialmente situados e para a construção de espaços de reflexão capazes de questionar desigualdades e ampliar as possibilidades de diálogo entre diferentes sujeitos e saberes.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Tocando no Assunto: Gênero, (trans)sexualidades, Teoria Queer e Poliamor. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123556. Acesso em: 6 nov. 2026.