DA BARREIRA AO ACESSO: ESTRATÉGIAS DE ACESSIBILIDADE NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES SURDOS

Autores

  • Luciana Moraes Soares
  • Claudete Martins

Palavras-chave:

Professores, Surdos, barreiras, estratégias, acessibilidade

Resumo

Este trabalho apresenta um recorte do estudo de caso realizado no Programa de Pós-Graduação em Ensino, da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), tendo como foco de estudo a turma bilíngue Colaboração do curso de aperfeiçoamento DUA na prática, o qual foi promovido pelo Programa de Extensão Tertúlias Pedagógicas Inclusivas do Pampa. O objetivo da pesquisa consistiu em investigar de que forma o curso DUA na prática garantiu acessibilidade aos cursistas Surdos, identificando quais foram as estratégias ou apoios disponibilizados. O campo de pesquisa foi delimitado na turma bilíngue denominada Colaboração e os sujeitos selecionados foram os nove cursistas Surdos inseridos na turma e os dois tradutores/intérpretes de Libras que atuaram durante a formação acadêmico-profissional (Diniz-Pereira, 2008). A turma bilíngue teve vinte e cinco cursistas matriculados, desses, nove cursistas eram Surdos sinalizantes e dezesseis eram ouvintes com diferentes níveis de conhecimento em Libras. Os dados foram coletados em dois momentos: análise documental nos documentos do curso e duas entrevistas semiestruturadas distintas, uma conduzida em português com os tradutores/intérpretes de Libras e a outra, foi conduzida em Libras, com os cursistas Surdos. Todos os cursistas Surdos foram convidados a participar da entrevista, dos quais quatro aceitaram, compondo o corpus dessa fase da pesquisa. A análise dos dados foi embasada em Bardin (1977), no que tange à análise de conteúdo, e foram delimitados em três categorias: a) Formação acadêmico-profissional de professores na perspectiva inclusiva com foco na acessibilidade; b) Barreiras e apoios à formação de professores Surdos considerando múltiplas formas de ensino e aprendizagem; c) Prática profissional a partir das contribuições da formação, considerando o trabalho colaborativo. Apresentaremos os resultados elencados na segunda categoria. Em relação às barreiras identificadas durante sua trajetória formativa, foi possível evidenciar a partir das respostas obtidas que todos os cursistas enfrentaram algum tipo de barreira, como por exemplo: comunicacional, metodológica ou atitudinal. Quando questionados quanto a descoberta da surdez, somente um cursista respondeu que nasceu Surdo, todos os demais responderam que a surdez foi descoberta tardiamente, o que possivelmente pode ter gerado atrasos no desenvolvimento cognitivo dos cursistas, essas respostas evidenciam também o esforço realizado pelos Surdos para estabelecer algum tipo de comunicação nos diferentes ambientes que estavam inseridos, inclusive no ambiente familiar onde a surdez passava despercebida. Especificamente em relação à sua formação acadêmico-profissional, os cursistas destacaram as barreiras comunicacionais, metodológicas e atitudinais como as principais barreiras enfrentadas durante sua trajetória formativa. A barreira comunicacional se apresenta como aquela mais facilmente identificada e diz respeito à dificuldade de comunicação, sendo que na maioria dos casos o Surdo utiliza alguma estratégia para ultrapassar essa barreira, como a leitura labial e a utilização de transcritores. Já a barreira metodológica diz respeito aos entraves na aprendizagem, exigindo do professor estratégias para que o estudante Surdo consiga construir conhecimento junto à turma. Em relação às barreiras atitudinais, elas normalmente não aparecem isoladas conforme aponta Sassaki (2009), sendo que pode-se evidenciar as barreiras de preconceito, baixa expectativa e rejeição. O enfrentamento dessas barreiras revela que os cursistas Surdos precisam de muita resiliência para acessar e permanecer em determinados ambientes formativos. Durante a entrevista, ao serem questionados sobre a identificação de barreiras semelhantes às enfrentadas anteriormente, os cursistas foram unânimes em argumentar que o curso Dua na prática consistiu numa formação inclusiva, na qual não foram identificadas barreiras. Esse argumento pode ser sustentado, através da implementação de estratégias de apoio, em diferentes situações, como por exemplo: para eliminação da barreira comunicacional utilizou-se a participação de dois tradutores/intérpretes de Libras, realização de encontros para leitura em Libras dos cadernos formativos pautada na tradução à prima vista (Sampaio, 2022), além da construção de uma turma bilíngue com tutoria fluente na língua de sinais. Já no caso da barreira metodológica utilizou-se recursos visuais nos cadernos formativos e nas lives, bem como, audiodescrição dessas imagens além da flexibilização para a realização das atividades em Libras. Em relação à eliminação das barreiras atitudinais, destacou-se como estratégia a coerência entre teoria e prática proposto pelos professores formadores. A partir das respostas obtidas, foi possível perceber que os cursistas Surdos enfrentaram diferentes tipos de barreiras durante sua trajetória formativa, entretanto, no contexto do curso DUA na prática os cursistas sentiram-se contemplados em relação às estratégias

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

DA BARREIRA AO ACESSO: ESTRATÉGIAS DE ACESSIBILIDADE NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES SURDOS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123551. Acesso em: 28 out. 2026.