A Dança Como Conteúdo da Cultura Corporal na Escola: Uma Experiência Pedagógica no Pibid

Autores

  • Renata Trindade
  • Jose Nicolas Graziadei
  • Mikael Aguirre Wesz
  • Loreanne dos Santos Silva
  • Diego de Matos Noronha
  • Mauren Araujo

Palavras-chave:

Expressão, corporal, Formação, inicial, Práticas, pedagógicas

Resumo

A dança constitui uma manifestação da cultura corporal historicamente presente em diferentes sociedades, expressando modos de viver, comunicar, criar e produzir sentidos por meio do corpo. Na Educação Física escolar, sua abordagem possibilita ampliar as experiências dos estudantes para além das práticas tradicionalmente predominantes nas aulas, favorecendo a expressão, a criatividade, a interação e o contato com diferentes manifestações culturais. Sua presença no currículo contribui para reconhecer a diversidade de conhecimentos que compõem a cultura corporal e oferecer outras possibilidades de participação. Este trabalho tem como objetivo relatar e refletir sobre uma experiência pedagógica desenvolvida no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), na qual a dança foi abordada como conteúdo da cultura corporal nas aulas de Educação Física. Trata-se de um estudo qualitativo, caracterizado como relato de experiência, realizado em uma escola  municipal de Uruguaiana, Rio Grande do Sul, com estudantes do 6º, do 7º, do 8º e do 9º ano do Ensino Fundamental, com aproximadamente 2 meses de intervenção. O relato foi construído com base nas observações e intervenções realizadas pelos bolsistas durante as aulas. As propostas foram organizadas a partir do ensino de coreografias, cujos movimentos eram apresentados, experimentados e articulados gradativamente em sequências. Os estudantes também foram incentivados a sugerir músicas e propostas de seu interesse para as aulas seguintes, buscando aproximar as atividades de seus repertórios culturais e ampliar seu envolvimento. No início das intervenções, foram observadas diferentes formas de participação. Enquanto alguns estudantes demonstravam interesse e se envolviam nas vivências, outros apresentavam resistência, permaneciam como observadores ou revelavam pouca identificação com a dança. Essas manifestações evidenciaram que a presença de um conteúdo no planejamento não garante sua aceitação imediata, tornando necessárias estratégias de aproximação, diálogo e escuta da turma. No decorrer das aulas, percebeu-se maior envolvimento, especialmente quando as sugestões musicais dos estudantes passaram a integrar as propostas. A participação nas escolhas aproximou as vivências de seus interesses, sem retirar dos bolsistas a responsabilidade pela mediação e pela intencionalidade pedagógica. Considerar os repertórios da turma não significou limitar as aulas às músicas e danças já conhecidas, mas utilizá-las como ponto de partida para ampliar as experiências. Foram observados indícios de maior familiarização com as sequências, expressos na capacidade de recordar e articular movimentos trabalhados anteriormente. Nas últimas intervenções, os participantes demonstraram maior facilidade para recordar e articular os movimentos, indicando familiarização progressiva com as propostas. Como não foram utilizados instrumentos específicos de avaliação motora, esses resultados correspondem às percepções produzidas durante o acompanhamento e não representam medidas objetivas de desempenho. Outro momento significativo ocorreu em um evento promovido pela escola, no qual parte dos estudantes apresentou uma coreografia desenvolvida nas aulas. Essa participação ampliou a experiência para além do tempo regular da Educação Física e possibilitou que assumissem protagonismo na socialização da prática vivenciada. A apresentação também atribuiu visibilidade ao trabalho com a dança no ambiente escolar. Para os bolsistas do PIBID, a experiência proporcionou reflexões sobre os desafios presentes no ensino da dança, sobretudo diante das diferentes formas de interesse, resistência e participação. O processo evidenciou a necessidade de observar a realidade da turma, acolher seus repertórios, flexibilizar estratégias e construir gradualmente condições para o envolvimento, evitando constrangimentos ou a imposição da exposição corporal. Também permitiu compreender que o ensino da dança não deve se restringir à reprodução de movimentos definidos pelo professor, podendo incluir escolhas, criação, interpretação e produção de sentidos pelos estudantes. Conclui-se que a inserção da dança nas aulas de Educação Física contribuiu para ampliar o acesso aos conhecimentos da cultura corporal, valorizar diferentes formas de expressão e favorecer a participação. A progressão observada, desde manifestações iniciais de resistência até o maior envolvimento e a participação na apresentação escolar, revelou a importância da escuta e da mediação pedagógica. No PIBID, a experiência também se mostrou relevante para a formação inicial, ao aproximar os conhecimentos construídos na universidade das situações concretas do cotidiano escolar e favorecer a construção de saberes docentes por meio do planejamento, da intervenção e da reflexão sobre a prática.  

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

A Dança Como Conteúdo da Cultura Corporal na Escola: Uma Experiência Pedagógica no Pibid. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123545. Acesso em: 22 out. 2026.