Avaliação Diagnóstica e Escuta Sensível: Identificando Barreiras de Aprendizagem e Construindo Conexões na Educação Especial

Autores

  • Ana Machado
  • Érika Silva Dutra
  • Tamires Costa
  • Iuri Dos Santos Cézar
  • Maria Lúcia Giozza Hernandes
  • Everton Fêrrêr de Oliveira

Palavras-chave:

Avaliação, diagnóstica, Escuta, sensível, Educação, Especia, Inclusão, escolar, Barreiras, aprendizagem

Resumo

A formação pedagógica inicial e continuada exige a articulação constante, intencional e reflexiva entre a fundamentação teórica acadêmica e o cotidiano vivenciado na realidade escolar. No âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), a inserção e a atuação docente desenvolveram-se diretamente junto a turmas do 4º e do 5º ano do Ensino Fundamental na Educação Especial da Escola Silvina, instituição pertencente à rede pública de ensino. O presente estudo teve como objetivo geral analisar criticamente de que maneira a intervenção pedagógica adaptada, pautada na escuta sensível e na avaliação diagnóstica contínua, pode atuar de forma efetiva na superação das barreiras de aprendizagem, no fortalecimento da autoimagem dos educandos e na consolidação progressiva da identidade docente dos licenciandos, em estrita consonância com os preceitos estabelecidos pela Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (Brasil, 2008). Metodologicamente, a pesquisa caracteriza-se como um relato de experiência de abordagem qualitativa, apresentando caráter essencialmente descritivo e analítico sobre a práxis pedagógica. Para assegurar integralmente o sigilo ético, a integridade e a privacidade dos sujeitos envolvidos no processo, os três estudantes que foram diretamente acompanhados ao longo do projeto foram identificados pelas nomenclaturas genéricas de Aluno 1, Aluno 2 e Aluno 3. A proposta pedagógica pautou-se fundamentalmente na elaboração e na aplicação do texto simples "O Gato de Bia", um recurso instrucional autoral estruturado de forma intencional com tipografia em letra bastão (caixa alta), vocabulário acessível e direto, sintaxe simplificada, frases curtas e forte apoio de suportes visuais e ilustrativos, visando facilitar a decodificação leitora, estimular a percepção visual e favorecer o engajamento atitudinal dos discentes. A aplicação do material ocorreu em sessões planejadas de atendimento individualizado e em dinâmicas de pequenos grupos, utilizando-se como instrumentos prioritários para a coleta de dados a observação participante diária, a escuta atenta dos enunciados dos alunos e o registro minucioso e reflexivo mantido em diários de campo pelos bolsistas. Fundamentando-se teoricamente nas contribuições sobre os saberes da experiência e a reflexão crítica acerca da prática docente (Tardif, 2014), bem como nos pressupostos sociointeracionistas do conceito de mediação pedagógica atuante na Zona de Desenvolvimento Proximal (Vygotsky, 1998), a intervenção revelou respostas comportamentais e cognitivas bastante heterogêneas entre os sujeitos observados: o Aluno 1 dominou integralmente a leitura do texto em poucas sessões, demonstrando rápida consolidação da autonomia leitora e expressiva segurança ao pronunciar as palavras; o Aluno 3 evidenciou boa capacidade de retenção e cognição, contudo demandou um incentivo afetuoso, constante e direcionado para conseguir superar a apatia e o desinteresse inicial manifestados diante das tarefas propostas; por sua vez, o Aluno 2, apresentando um comportamento acentuadamente agitado, inquieto e disperso, exigiu uma mediação atitudinal estritamente individualizada, recorrendo-se ao fracionamento das atividades em pequenas etapas executáveis, com comandos verbais claros e objetivos, para que ele conseguisse acessar e concluir o material pedagógico sem sobrecarga cognitiva ou sensorial. A análise qualitativa minuciosa dos dados coletados nos diários de campo demonstrou que, por si sós, os educandos enfrentavam obstáculos atitudinais e cognitivos significativos para realizar as propostas de maneira totalmente autônoma, destacando que o processo de ensino e aprendizagem na Educação Especial não se limita à mera entrega de materiais instrucionais adaptados, mas constrói-se fundamentalmente por meio do afeto, da criação de vínculos significativos e da conexão interpessoal entre docente e discente. Além disso, embora a presença marcante do elevado absenteísmo escolar por parte dos estudantes e a consequente descontinuidade no acompanhamento e no apoio familiar tenham imposto sérios entraves ao ritmo e à fluidez das intervenções, comprovou-se a viabilidade, a relevância e o êxito da proposta inclusiva desenhada. 100% dos estudantes acompanhados apresentaram avanços expressivos e qualitativos em suas trajetórias de aprendizagem e socialização. Sob o referencial teórico de Mantoan (2015), que defende a escola como um espaço democrático de valorização das diferenças, constatou-se que a sensibilidade prática e a intencionalidade afetuosa na condução da prática pedagógica foram determinantes para romper barreiras cognitivas, comportamentais e atitudinais, desconstruindo expectativas ilusórias de um aprendizado homogêneo ou linear.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Avaliação Diagnóstica e Escuta Sensível: Identificando Barreiras de Aprendizagem e Construindo Conexões na Educação Especial. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123542. Acesso em: 3 nov. 2026.