Oficina de Produção de Sabões: Uma Proposta Experimental para o Ensino de Química

Autores

  • Jaine da Rosa Soares
  • João Antonio Souza de Freitas
  • Emily Marques De Goes
  • Cassiane Fonseca Machado
  • Elisabete de Avila da Silva

Palavras-chave:

Experimentação, extensão, universitária, formação, acadêmica

Resumo

A extensão universitária constitui um importante mecanismo de aproximação entre a universidade e a sociedade, promovendo a troca de saberes entre esses dois espaços e contribuindo para a formação integral dos estudantes. No Brasil, essa importância é reforçada pelo Plano Nacional de Educação (Lei nº 13.005/2014), que determina a destinação de, no mínimo, 10% da carga horária dos cursos de graduação a atividades extensionistas voltadas a demandas sociais relevantes. Além de sua função social, a extensão favorece o desenvolvimento de habilidades como o senso crítico, a criatividade, o trabalho em equipe e a capacidade de planejamento, articulando-se ao ensino e à pesquisa como parte essencial da formação acadêmica. Nesse contexto, este trabalho relata a experiência de uma oficina de produção de sabões, desenvolvida como atividade de extensão vinculada ao componente curricular de Química Orgânica Experimental do curso oferecido pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus Bagé. A ação foi realizada na Escola Estadual de Ensino Médio Frei Plácido, também localizada em Bagé (RS), tendo como público-alvo estudantes do Ensino Médio do turno noturno. O objetivo central da proposta foi aproximar conceitos de Química Orgânica da realidade cotidiana dos estudantes, por meio de uma atividade prática e experimental, sem a pretensão de promover um aprofundamento teórico extenso sobre o tema. A metodologia adotada envolveu diferentes etapas de planejamento e execução. Antes da realização da oficina na escola, os discentes responsáveis pela ação conduziram dois testes laboratoriais na universidade, com o intuito de validar o procedimento de fabricação dos sabões e realizar ajustes necessários ao processo. Paralelamente, foi produzido um material de apoio impresso, contendo informações sobre os insumos utilizados, o passo a passo da produção, cuidados de segurança e indicações de onde os materiais poderiam ser adquiridos, incluindo seus nomes comerciais. A oficina propriamente dita foi realizada em um único encontro, reunindo aproximadamente dez estudantes. A condução da atividade ficou a cargo dos acadêmicos envolvidos, com o acompanhamento da docente responsável pelo componente curricular, enquanto os estudantes da escola acompanhavam as etapas de produção e participavam principalmente do processo de personalização dos sabões, escolhendo essências aromáticas e elementos decorativos, como ramos. Para o registro e a avaliação da experiência, foram utilizados um questionário aplicado aos participantes, registros fotográficos e observações realizadas ao longo da atividade, cujos dados foram tratados de forma qualitativa. Os resultados evidenciaram uma recepção bastante positiva por parte dos estudantes. Das respostas obtidas junto a nove participantes, a totalidade avaliou a oficina como excelente, destacando a clareza das explicações fornecidas e afirmando ter compreendido o processo de fabricação do sabão. Também foi manifestado interesse em participar de futuras atividades semelhantes. Nas questões abertas, os estudantes ressaltaram positivamente a experiência como um todo, as etapas do processo produtivo e, especialmente, o momento de escolha das essências, não sendo apontados aspectos negativos relevantes a serem aprimorados. Termos como "divertida", "emocionante" e "de grande utilidade" foram recorrentes nos relatos, reforçando a percepção de que a proposta despertou interesse e curiosidade em relação à Química. Ainda que a participação direta dos estudantes tenha se concentrado principalmente na etapa de personalização dos produtos, o engajamento observado durante as demonstrações indica que a atividade cumpriu seu propósito de aproximação com o conteúdo científico. Para os acadêmicos envolvidos, a experiência representou uma oportunidade de vivenciar, na prática, o planejamento, a organização e a execução de uma ação extensionista em ambiente escolar, contribuindo significativamente para sua formação acadêmica e profissional. Conclui-se que a oficina de produção de sabões se configurou como uma estratégia eficaz de aproximação entre universidade e escola, integrando teoria e prática de forma acessível e favorecendo tanto a aproximação dos estudantes da Educação Básica com o conhecimento científico quanto o desenvolvimento de competências pedagógicas e profissionais entre os discentes de graduação responsáveis pela condução da atividade.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Oficina de Produção de Sabões: Uma Proposta Experimental para o Ensino de Química. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123532. Acesso em: 31 out. 2026.