Mulheres, Literatura e Resistência: Participação Feminina no Projeto Motus
Palavras-chave:
Extensão, universitária, Produção, cultural, Formação, cidadãResumo
Desde 2016, o Projeto Motus - Movimento Literário Digital, desenvolvido pela Universidade Federal do Pampa, transforma a literatura em espaço de encontro entre universidade e comunidade. Por meio do concurso literário de contos e poemas e de ações de circulação, produção e apreciação literária, o projeto construiu, ao longo de uma década, uma rede que reúne autores e leitores de diferentes segmentos da comunidade. São mais de 1.600 submissões provenientes de residentes em todos os estados brasileiros, no Distrito Federal e em diferentes países, além de 12 livros digitais publicados e parcerias estabelecidas com escolas da educação básica. Nesse percurso, a literatura se articulou à tecnologia, à acessibilidade, à formação acadêmica e à valorização de diferentes saberes e culturas. Revisitar essa trajetória, portanto, também significa perguntar quem são os sujeitos que a constroem. A partir dessa perspectiva, o presente trabalho volta-se para a participação das mulheres no Motus, buscando compreender de que maneiras elas participaram da construção dessa experiência extensionista. Foi realizado uma análise das edições dos livros publicados pelo projeto com o objetivo de identificar a presença feminina em duas dimensões complementares: mulheres como autoras e mulheres como participantes da construção e desenvolvimento do projeto, considerando funções na coordenação, avaliação, organização, ilustração, produção editorial e atividades relacionadas à tecnologia e à acessibilidade. Adicionalmente, foram analisadas as obras que abordam temáticas relacionadas às questões das mulheres e aos desafios por elas enfrentados. Foram identificados 196 registros de autoria, sendo 92 atribuídos a mulheres e 104 a homens, evidenciando uma participação feminina próxima à paridade ao longo da trajetória do projeto. Embora nas primeiras edições a presença masculina tenha sido superior, observa-se uma ampliação progressiva da participação de mulheres, que é majoritária no Motus 5, com 13 mulheres e 7 homens, e no Motus 8, com 15 mulheres e 11 homens. Esses dados indicam um crescimento da representatividade feminina na produção literária do projeto, especialmente em edições que abordam temas relacionados a experiências, vivências, memórias e diferentes dimensões da vida humana. Em relação às equipes do projeto, foram identificados 150 registros de participação, sendo 104 de mulheres (69,3%) e 46 de homens (30,7%). Esses registros referem-se às participações nas diferentes edições e não correspondem necessariamente a pessoas distintas, uma vez que integrantes que atuaram em mais de uma edição podem aparecer em diferentes registros. Além da expressiva participação quantitativa, destaca-se a atuação das mulheres em funções fundamentais para a realização e continuidade do projeto, incluindo a coordenação, a produção editorial e a ilustração. Ressalta-se, ainda, a participação de graduandas em diferentes atividades do projeto, evidenciando o Motus como espaço de formação acadêmica e de desenvolvimento de competências relacionadas à literatura, à produção cultural e às tecnologias. Um exemplo significativo é o da ilustradora do projeto, que iniciou sua participação ainda como estudante do curso de Engenharia de Software, construindo, no decorrer de sua trajetória no Motus, uma experiência que articulou formação acadêmica, criação artística e produção cultural. Outro aspecto relevante da participação feminina refere-se à produção de textos que abordam questões de gênero e as experiências das mulheres em uma sociedade marcada por desigualdades e padrões machistas. Ao longo das edições analisadas, destacam-se as obras Essa Tal Liberdade (Motus 1), Amor Próprio (Motus 2), Musa de Poeta (Motus 4) e Portas e Frestas (Motus 5), nas quais as autoras exploram diferentes dimensões da experiência feminina, como a busca pela liberdade, a construção da autoestima e da autonomia, os relacionamentos e os desafios impostos às mulheres por uma sociedade machista. Essas produções evidenciam a literatura como espaço de expressão, reflexão e questionamento das relações de gênero, permitindo que experiências e perspectivas femininas sejam compartilhadas e ganhem visibilidade. Os resultados evidenciam que as mulheres ocupam um lugar significativo na trajetória do Projeto Motus, tanto na produção literária quanto nas diferentes dimensões de sua construção e desenvolvimento. Sua atuação como autoras, coordenadoras, avaliadoras, organizadoras, ilustradoras e produtoras contribui para a continuidade e consolidação do projeto, enquanto suas produções literárias ampliam a visibilidade de experiências e questões relacionadas às mulheres. Ao completar dez anos, o Motus revela-se, assim, não apenas como um espaço de circulação e democratização da literatura, mas também como um território de expressão, participação e construção de memórias, no qual as vozes femininas desempenham papel relevante na formação da identidade e da memória cultural do projeto.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Mulheres, Literatura e Resistência: Participação Feminina no Projeto Motus. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123529. Acesso em: 28 out. 2026.