Prevenção da Candidíase: o Uso Irracional de Antibióticos por Pessoas Privadas de Liberdade

Autores

  • Lidiane Herlein Dalla Vecchia
  • Bruna Arnhold de Oliveira
  • Ana Carolina Lopes Marques
  • Aléxia Cardozo Scherer
  • Cynthia Fontella Sant Anna
  • Leticia Silveira Cardoso

Palavras-chave:

Infecções, Fúngicas, Enfermagem, Educação, Saúde

Resumo

O uso irracional e a automedicação com antibióticos representam um problema global de saúde pública, agravado significativamente em populações em situação de vulnerabilidade, como as pessoas privadas de liberdade. No ambiente prisional, a restrição do acesso a consultas e exames, aliada à circulação informal de medicamentos e saberes empíricos, favorece a criação e propagação de mitos em saúde. Dentre esses equívocos, destaca-se a crença de que o uso de antibióticos seria eficaz na prevenção de infecções genitais, inclusive as fúngicas, principalmente a candidíase, corroborando para o não uso de preservativo. Na prática clínica e na literatura científica, reconhece-se o efeito oposto, o uso indiscriminado de antibióticos altera a microbiota bacteriana normal, favorecendo a proliferação exacerbada de fungos do gênero Cândida. Abordar criticamente esse equívoco torna-se indispensável para promover o uso racional de medicamentos e o autocuidado consciente no sistema prisional. Assim, elaborou-se este estudo com o objetivo de compartilhar o conhecimento de pessoas privadas de liberdade sobre a prevenção da candidíase. Trata-se de um relato de experiência, do tipo exploratório-descritivo, realizado com 33 pessoas privadas de liberdade de um instituto prisional da fronteira oeste do Estado do Rio Grande do Sul. As informações apresentadas são oriundas de uma atividade de promoção à saúde, desenvolvida no segundo semestre de 2025, por discentes e docentes, do curso de enfermagem da Universidade Federal do Pampa. Para coletá-las utilizou-se um instrumento semiestrutura, elaborado e testado previamente pelo Laboratório de Investigação e Inovação em Saúde de Populações Específicas. Este foi aplicada após a atividade de abertura realizada para promover a apresentação e a aproximação entre os participantes. Para este estudo, selecionou-se a questão, O que fazer para evitar a candidíase?, cujas respostas foram organizadas em um arquivo de texto. A este se aplicou uma abordagem qualitativa de conteúdo, sustentada em Braun & Clarke. A execução dessa atividade estava amparada no projeto de extensão intitulado ASA: assistência, simplicidade e alteridade na assistência à saúde no sistema prisional, registrado no Sistema de Projetos Acadêmicos, SAP n. 2023.EX.UR.2694 e sua proposição surgiu a partir do interesse das pessoas privadas de liberdade que haviam participado das consultas de enfermagem. Os resultados encontrados revelaram que eles possuem, predominantemente, um adequado conhecimento sobre as medidas para preventivas da candidíase. A realização da higiene íntima diariamente foi mencionada por 31 (93,9%) dos participantes. O uso de preservativos nas relações sexuais foi apontado por 22 (66,7%) deles. O uso de roupas íntimas de algodão foi referido por 14 (42,4%). Evitar o uso de roupas apertadas foi indicado por 11 (33,3%) pessoas privadas de liberdade. Cabe destacar o entendimento que os autores obtiveram sobre a solicitação das pessoas privadas de liberdade para que se abordasse essa temática. O desejo expresso por elas no diálogo estabelecido após a etapa de exposição de conteúdos objetivou conseguir apoio para obtenção de condições mínimas para que pudessem realizar a higiene corporal, a exemplo, da disponibilidade de sabonete, creme dental, papel higiênico, além da possibilidade de ter acesso ao aquecimento da água do banho. Por outro lado, entre as respostas ao questionamento deste estudo, encontrou-se que 08 (24,2%) delas fazem uso freqüente de antibióticos para tratar candidíase. Esses são consumidos sem diagnóstico prévio e prescrição médica, a partir do compartilhamento de antibióticos entre elas ou por solicitação às pessoas que as visitam. Na seqüência da atividade, as autoras conduziram-se uma roda de conversa dialogada, com apoio de exposição verbal simplificada e analogias didáticas, focando em diferença biológica entre bactérias e fungos, mecanismo de ação dos antibióticos e seu impacto na microbiota protetora, riscos da automedicação e da resistência bacteriana no ambiente prisional. A partir dessa atividade entendeu-se que abordar o uso racional de medicamentos dentre do sistema prisional é latente e exige uma ação multiprofissional constante. A enfermagem contribui para isso, pela comunicação clara, acessível e livre de julgamentos, que viabiliza a expressão e a escuta dos anseios de pessoas privadas de liberdade. Além disso, ela abriu caminhos de interlocução para envolver e sensibilizar a gestão institucional em relação às solicitações dos participantes, o que se torna fundamental para qualificar a assistência à saúde neste ambiente.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Prevenção da Candidíase: o Uso Irracional de Antibióticos por Pessoas Privadas de Liberdade. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123526. Acesso em: 24 out. 2026.