Sinais Vitais: Avaliações em Saúde de Policiais Penais Durante a Jornada de Trabalho
Palavras-chave:
Saúde, Trabalhador, Prisões, EnfermagemResumo
Os sinais vitais são parâmetros objetivos utilizados para avaliar o funcionamento dos principais sistemas do organismo humano, por isso sua verificação constitui em procedimento fundamental na área da saúde. As condições de trabalho podem alterar a saúde dos trabalhadores e os sinais vitais representam o primeiro marcador dessa situação. A exposição freqüente a situações de tensão, conflitos, ameaças, riscos à integridade física, sobrecarga de trabalho e jornadas prolongadas podem desencadear respostas fisiológicas relacionadas ao estresse, realidade presente no sistema prisional nacional. Nessas situações, a liberação de hormônios como adrenalina e cortisol pode provocar aumento temporário da frequência cardíaca, respiratória e da pressão arterial. Da mesma forma, o esforço físico intenso, a permanência prolongada em ambientes quentes, a desidratação e a utilização de equipamentos de proteção podem contribuir para alterações na temperatura corporal e na frequência cardíaca. Além disso, o trabalho em turnos e as jornadas noturnas podem interferir no ciclo sono-vigília, favorecendo a privação de sono e a fadiga. Esses fatores podem comprometer a recuperação do organismo e contribuir para alterações cardiovasculares e respiratórias, especialmente quando associados à exposição contínua ao estresse ocupacional. Portanto, a avaliação dos sinais vitais dos policiais penais pode constituir uma importante ferramenta para o acompanhamento de suas condições de saúde, permitindo identificar alterações fisiológicas, acompanhar possíveis impactos das condições de trabalho e subsidiar ações de prevenção de agravos e de promoção da saúde no ambiente de trabalho. Isso justifica a realização deste estudo, elaborado como o objetivo de identificar a presença de alterações nos sinais vitais de policiais penais. Os dados foram capturados a partir das atividades de extensão do projeto ASA: assistência, simplicidade e alteridade na assistência à saúde no sistema prisional, registrado no Sistema de Projetos Acadêmicos, SAP n. 2023.EX.UR.2694. Realizaram-se consultas de enfermagem com 18 policiais penais e 182 aferições dos sinais vitais. Para essas, seguiu-se o protocolo de cuidados: aguardar 10 minutos após o participante se encontrar-se no ambiente da atividade, preferencialmente sentado com 5 minutos de repouso, sem comunicação verbal. Braços e pernas não fletidos e apoiados durante as verificações. Sinais vitais aferidos por inspeção e/ou palpação, valores avaliados durante 1 minuto. Adotou-se a seqüência TPRPA para a verificação dos sinais vitais. Para a análise de dados os valores de referência foram: Normotérmico de 35,5ºC a 36,9ºC. Normoesfigmático de 60 - 100 bpm. Eupnéico de 12 -20 irpm. Normotenso quando PAS < 120 mmHg e PAD < 80 mmHg; Pré-hipertensão quando PAS de 120 a 139 mmHg e PAD de 80 a 89 mmHg; Hipotensão Estágio 1 - PAS de 140 a 159 e PAD de 90 a 99 mmHg, Estágio 2 - PAS de 160 a 179 e PAD de 100 a 109 mmHg e Estágio 3 - PAS > ou = a 180/110 mmHg. Os dados registrados foram transformados em uma planilha, a qual se aplicou a estatística descritiva com distribuição de frequências absoluta e relativa. A hipotermia foi identificada em 8 (44,5%) policiais penais, em 20 (11%) das aferições dos sinais vitais. A bradicardia, em 6 (33,4%) participantes e em 15 (8,3%) aferições. A taquicardia, em 6 (33,4%) policiais penais, em 10 (5,5%) avaliações. A pré-hipertensão foi verificada em 17 (94,5%) policiais penais e registrada em 109 (59,9%) das aferições. A hipertensão estágio 1, em 12 (66,7%) participantes, registrada em 36 (19,8%) avaliações. A hipertensão estágio 2, em 3 (16,7%) participantes, em 5 (2,7%) verificações. A hipertensão estágio 3, em 1 (5,5%) policial penal e em somente 1 (0,5%) das avaliações em saúde. Entende-se que foram identificadas alterações importantes nos sinais vitais dos policiais penais, com destaque para a elevação dos níveis pressóricos conforme a classificação da Associação Brasileira de Cardiologia. Esses achados reforçam a necessidade de ações sistemáticas de prevenção de doenças e de vigilância e promoção à saúde nos ambientes de trabalho do sistema prisional. Nesse contexto, a enfermagem apresenta significativo potencial para atuar na avaliação e identificação precoce de alterações biopsicossocais, no acompanhamento clínico dos trabalhadores e, quando necessário, encaminhá-los para avaliação especializada. Pode ainda realizar ações de educação em saúde com o objetivo de evitar o surgimento ou o agravamento de sinais e sintomas de adoecimento, bem como, para promover condições de saúde e de trabalho mais saudáveis, garantindo paralelamente maior qualidade de vida aos policiais penais. Por tudo isso, a inserção de ações de enfermagem voltadas à aferição periódica dos sinais vitais pode contribuir para o reconhecimento oportuno de agravos e para o fortalecimento da saúde dos policiais penais, favorecendo um cuidado integral e contínuo no ambiente de trabalho.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Sinais Vitais: Avaliações em Saúde de Policiais Penais Durante a Jornada de Trabalho. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123524. Acesso em: 3 nov. 2026.