Estratégia Educativa Sobre Desconfortos Comuns na Gestação: Relato de Experiência na Atenção Primária
Palavras-chave:
Educação, saúde, Cuidado, pré-natal, AutocuidadoResumo
A gestação constitui um período marcado por intensas adaptações anatômicas, fisiológicas e emocionais no organismo materno, que se iniciam precocemente e se estendem ao longo do processo gravídico. Essas modificações podem ocasionar diferentes desconfortos, cuja ocorrência, embora frequentemente relacionada às adaptações próprias da gravidez, pode gerar dúvidas, inseguranças e repercussões no bem-estar das gestantes. Entre as manifestações comuns encontram-se náuseas e vômitos, pirose, alterações intestinais, hemorroidas, corrimento vaginal, aumento da frequência urinária, dispneia, mastalgia e lombalgia, entre outras. Nesse sentido, a educação em saúde durante o pré-natal representa oportunidade para ampliar o conhecimento das mulheres acerca das mudanças vivenciadas, favorecer práticas de autocuidado e contribuir para o reconhecimento de situações que necessitam de avaliação profissional. O objetivo deste trabalho é relatar uma ação educativa sobre desconfortos comuns na gestação e medidas não farmacológicas para seu manejo, desenvolvida no contexto da Atenção Primária à Saúde. Trata-se de relato de experiência decorrente de atividade extensionista vinculada ao projeto Mamãe do Pampa: grupo de gestantes, puérperas, familiares, acompanhantes e profissionais da Atenção Primária à Saúde, da Universidade Federal do Pampa, cuja proposta contempla encontros educativos em Estratégias de Saúde da Família do município de Uruguaiana, Rio Grande do Sul. A ação ocorreu em março de 2026, em uma Estratégia de Saúde da Família, e foi planejada com base em metodologia participativa, valorizando os conhecimentos prévios, as experiências e as dúvidas dos participantes. Para subsidiar a atividade, foram utilizados materiais educativos acerca das alterações anatômicas e fisiológicas próprias da gravidez e elaboradas cartas ilustradas contendo diferentes desconfortos e orientações para seu manejo. A dinâmica contemplou situações relacionadas a náuseas e vômitos, azia, hemorroidas, corrimento vaginal, dor nas mamas, dor na coluna, sangramento gengival, varizes, desmaios e tonturas, cólicas, dor abdominal e flatulência, falta de ar, cefaleia e cãibras. As cartas apresentavam estes desconfortos e as orientações de autocuidado e medidas de alívio, possibilitando sua utilização como recurso disparador para o diálogo. Entre as medidas abordadas estiveram alimentação fracionada, hidratação, adequações alimentares, cuidados posturais, repouso, movimentação corporal, uso de calçados confortáveis, cuidados de higiene, proteção solar e identificação de situações que demandam avaliação pelos serviços de saúde. As orientações consideraram que muitas queixas gestacionais são manifestações ocasionais e transitórias, embora seja necessária atenção à persistência, intensidade ou associação com outros sinais e sintomas. O desenvolvimento da atividade permitiu abordar as queixas gestacionais para além de sua identificação, relacionando-as às modificações fisiológicas que ocorrem no organismo materno e às possibilidades de manejo no cotidiano. A estratégia lúdica favoreceu a problematização dos conteúdos e a articulação entre conhecimentos prévios e orientações de saúde, permitindo que diferentes desconfortos fossem discutidos de forma acessível e contextualizada. O recurso educativo também possibilitou enfatizar a importância de diferenciar manifestações esperadas da gravidez de condições que exigem avaliação profissional, evitando a naturalização de sinais e sintomas. Para as estudantes envolvidas, a experiência oportunizou a aproximação com a comunidade e o exercício de competências relacionadas à comunicação, educação em saúde e tradução do conhecimento técnico-científico para uma linguagem compreensível. Essa perspectiva está alinhada à proposta extensionista de promover intercâmbio de conhecimentos entre estudantes, profissionais e usuários dos serviços de saúde. Conclui-se que a utilização de estratégias participativas e recursos educativos lúdicos constitui uma possibilidade para abordar os desconfortos comuns da gestação na Atenção Primária à Saúde, favorecendo o compartilhamento de conhecimentos e a orientação para práticas de autocuidado. A experiência reforça a importância de espaços educativos complementares às consultas de pré-natal, nos quais as gestantes possam esclarecer dúvidas, compreender as transformações vivenciadas e reconhecer medidas seguras para o manejo de desconfortos cotidianos. Ademais, ações dessa natureza fortalecem a integração entre universidade, serviços de saúde e comunidade, ao mesmo tempo em que contribuem para a formação dos estudantes e para a promoção de um cuidado pré-natal participativo, acolhedor e centrado nas necessidades das mulheres.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Estratégia Educativa Sobre Desconfortos Comuns na Gestação: Relato de Experiência na Atenção Primária. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123520. Acesso em: 24 out. 2026.