Sofrimento Mental no Sistema Prisional: Um Estudo com Policiais Penais
Palavras-chave:
Saúde, Mental, Trabalhador, EnfermagemResumo
O sofrimento mental pode ser considero como o esgotamento da capacidade e dos recursos, disponíveis e acessíveis, de uma pessoa para enfrentar as demandas da vida e do trabalho. O agravamento dessa condição pode ser observado quando as interações interpessoais em ambientes sociais, de trabalho e/ou familiar tornam-se prejudicadas. A triagem para a identificação de sinais e sintomas de adoecimento mental pode ser realizada pela aplicação do questionário Self Report Questionnaire (SRQ-20), que indicará a necessidade de avaliação psicológica e de diagnóstico clínico. Assim, tornar-se relevante destacar que o ambiente prisional é caracterizado na literatura científica atual como insalubre, não somente pelas limitações estruturais, mas pela superlotação, pela falta de recursos. Soma-se a percepção de perigo iminente por parte dos policiais penais, acentuada pela necessidade de ter contato com as pessoas privadas de liberdade a fim de garantir, minimamente, o direito a vida. Diante disso, se justifica a realização deste estudo, que foi elaborado como o objetivo identificar a prevalência de sofrimento mental em policiais penais. Este estudo emergiu das atividades de extensão vinculadas ao projeto de extensão denominado ASA: assistência, simplicidade e alteridade na assistência à saúde no sistema prisional, registrado no Sistema de Projetos Acadêmicos, SAP n.2023.EX.UR.2694. A partir do qual, discentes e docentes do curso de enfermagem foram inseridos no sistema prisional de um município da região da fronteira oeste do Estado do Rio Grande do Sul. Os dados selecionados para este estudo compõem-se pelo conjunto de questões do SRQ-20, que foram coletados a partir das de avaliação em saúde desenvolvidas junto a doze policiais penais. Os resultados encontrados foram analisados por meio da estatística descritiva e identificaram que 58,3% dos policiais penais relataram sentirem-se nervosos, tensos ou preocupados; 50% dormiam mal ou apresentavam sensações desagradáveis no estômago; 41,7% sentiam-se cansados o tempo todo ou apresentavam má digestão; 33,4% sentiam dores de cabeça freqüentes; 25% assustavam-se com facilidade ou tinham dificuldades para tomar decisões, 16,7% apresentavam dificuldade de pensar com clareza, sentiam-se tristes, choravam mais do que de costume ou perderam o interesse pelas coisas e 8,3% apresentavam falta de apetite ou sentiam-se cansados com facilidade. De modo geral, 25% dos participantes responderam sim para sete ou mais questões, indicando a presença de sofrimento mental. Destaca-se ainda que 75% dos policiais penais responderam positivamente à pelo menos duas ou mais questões. E que as questões relativas à presença de dificuldades no trabalho ou para realizar com satisfação suas atividades diárias; de se sentir uma pessoa inútil, incapacidade de desempenhar um papel útil em sua vida ou apresentar tremores nas mãos não foram assinaladas como presente por nenhum dos participantes. Frente aos resultados encontrados, pode-se inferir que o sofrimento mental integra o cotidiano da vida e do trabalho dos policiais penais. No cenário em questão, ele ainda não degradou a identificação dos participantes com a profissão escolhida, mas o corpo e a mente já dão sinais de comprometimento. Por isso, torna-se extremamente imperioso o desenvolvimento de atividades continuas de promoção à saúde e à qualidade de vida no próprio ambiente prisional. Essas não devem ser somente uma iniciativa oriunda da articulação entre universidade e serviços, mas sim parte das políticas públicas municipais. Revela-se assim, um potente espaço sociopolítico de autonomia e destaque para o exercício da Enfermagem, uma vez que, a formação profissional implica no domínio de competências e habilidades para a realização de escuta qualificada, acolhimento, avaliação sistemática e aplicação de instrumentos de triagem, como o SRQ-20 que viabiliza a identificação precoce de sinais de sofrimento mental e o estabelecimento de estratégias de cuidado de forma individualizada. Portanto, a assistência realizada no próprio ambiente prisional apresenta-se como uma estratégia relevante para ampliar o acesso ao cuidado, favorecer a identificação precoce das necessidades de saúde e reduzir barreiras relacionadas à busca por assistência. Assim, fortalecer a atuação da enfermagem junto aos policiais penais contribui para a integralidade da atenção à saúde desses profissionais, para a prevenção do adoecimento mental e para a construção de um ambiente prisional mais saudável, seguro e humanizado.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Sofrimento Mental no Sistema Prisional: Um Estudo com Policiais Penais. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123507. Acesso em: 23 out. 2026.