Relato de Experiência: Cuidado e Autocuidado no Manejo S Doenças Crônicas Não-transmissíveis

Autores

  • Victória Queiroz Paixão
  • Arthur Victor Souza Magalhães
  • Samuel Romero

Palavras-chave:

Diabetes, Insulina, Atenção, Primária, Saúde, Mapa, glicêmico

Resumo

A Atenção Primária à Saúde (APS) é a principal porta de acesso dos brasileiros ao Sistema Único de Saúde (SUS), desempenhando seu papel como ordenadora do cuidado e artefato central na promoção de suas integralidade, equidade, longitudinalidade e coordenação. Assim, a Estratégia de Saúde da Família (ESF), é o modelo de atenção que fortalece e amplia os atributos e as competências da APS e promove a compreensão das necessidades do território sob sua responsabilidade, atua como elemento promotor das práticas sanitárias e desenvolve o formato preventivo de doenças e de seus agravos sob vigilância do cuidado, além de fortificar vínculos entre a equipe profissional e os usuários. No entanto, o Brasil vive um momento de avanços e desafios no campo da Vigilância em Saúde, especialmente no que diz respeito às Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), as quais constituem o principal grupo de causas de morte no país e no mundo. O enfrentamento das DCNT exige abordagem intersetorial, com práticas voltadas à redução de fatores de risco e das desigualdades em saúde. Nesse sentido, o presente resumo visa relatar a vivência de acadêmicos de Medicina na vigilância das DCNT, mais especificamente a Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2), no contexto da Atenção Primária à Saúde em uma ESF na cidade de Uruguaiana-RS. A caracterização do perfil epidemiológico e social da população adscrita resultou em formatos de planejamento cuja perspectiva definiu o itinerário a ser seguido e as estruturas a serem alcançadas. A condução das tratativas, por meio do olhar dos preceptores e da supervisão docente permitiu o avanço no ideário a ser considerado, enquanto delineamento formal. Desta forma, os passos se consolidaram entre reuniões de equipe, compartilhamento de ferramentas nos territórios e reconhecimento da realidade local. A esse respeito, ao início do estágio na ESF, observou-se que os usuários de insulina em controle glicêmico domiciliar utilizavam uma tabela prévia para a realização do mapa glicêmico, contendo em suas colunas espaço para somente as seguintes informações: Data, Glicemia de Jejum, Glicemia 2 horas após o almoço e Glicemia 2 horas após o jantar. Cabe ressaltar que tais pacientes utilizavam majoritariamente a insulina NPH em monoterapia farmacológica para controle da DM2. Contudo, essa medicação não era eficiente de forma isolada para alguns indivíduos, os quais necessitaram do acréscimo de Insulina Regular às suas prescrições de uso contínuo. Neste grupo, durante a devolução do mapa glicêmico para análise médica, foi percebido a manutenção de níveis glicêmicos elevados apesar da nova medicação. Após a investigação de fatores individuais para a permanência de tais valores e confirmado o uso correto dos fármacos, passou-se para a averiguação dos mecanismos de avaliação. Notou-se que a recomendação dada aos usuários era Aplicar unidades da Insulina Regular a partir de determinados valores glicêmicos, porém não havia nenhum dado na tabela que indicasse o quanto a glicemia capilar desses indivíduos foi impactada pela administração do fármaco, prejudicando assim a avaliação da eficácia do tratamento. Desse modo, objetivando reduzir as problemáticas envolvendo o acompanhamento ambulatorial destes pacientes e melhorar a vigilância da DM2 pela APS, bem como reduzir procedimentos e tratamentos desnecessários, criou-se novas colunas para o mapa glicêmico, introduzindo a categoria Glicemia 1 horas após Insulina Regular, localizadas após as seções referentes à glicemia pós-prandial. Esta mudança mostrou-se fundamental para distinguir quais indivíduos necessitavam de encaminhamento para serviços de Atenção Secundária à Saúde daqueles que poderiam continuar o acompanhamento da supracitada condição somente na Estratégia de Saúde da Família, reduzindo assim a sobrecarga da rede de cuidado, evitando o aumento da fila de espera para atendimento com profissionais especializados e minimizando custos ao sistema de saúde. Ademais, ao melhor compreender o estado de saúde-doença da população, as ações de promoção de saúde e prevenção de doenças tornaram-se mais diretivas às particularidades enfrentadas no território, adaptando as atividades propostas às necessidades dos usuários e melhor investigando os aspectos de suas comorbidades. Desse modo, a atividade evidenciou a importância da adequação dos instrumentos utilizados para avaliação e acompanhamento das Doenças Crônicas Não-Transmissíveis para as características da população que com elas convive, considerando as singularidades territoriais e a adaptação de tais ferramentas pelas unidades de saúde que as utilizam. Assim, revisar, aperfeiçoar e atualizar as formas de vigilância das DCNTs na Atenção Primária à Saúde é essencial para reduzir a mortalidade das doenças, enfrentar os desafios por elas causados e, principalmente, garantir melhor qualidade de vida à população brasileira, tanto no âmbito da promoção da saúde, quanto na prevenção de doenças e seus agravos.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Relato de Experiência: Cuidado e Autocuidado no Manejo S Doenças Crônicas Não-transmissíveis. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123504. Acesso em: 23 out. 2026.