Treinamento Funcional e Ludicidade na Infância: Relato de Experiência em Um Centro de Treinamento
Palavras-chave:
Infância, Ludicidade, Treinamento, funcionalResumo
O treinamento funcional voltado à infância pode ser organizado por meio de movimentos como correr, saltar, lançar, equilibrar-se e manipular objetos. Quando desenvolvidas de maneira adequada, essas ações podem proporcionar experiências relacionadas à coordenação motora, ao equilíbrio, à agilidade e ao conhecimento do próprio corpo. Entretanto, o trabalho com crianças não deve reproduzir modelos de treinamento destinados aos adultos nem se orientar somente pelo rendimento físico. A ludicidade permite organizar os exercícios por meio de jogos, circuitos e desafios, favorecendo formas mais participativas de envolvimento com o movimento. Este trabalho tem como objetivo relatar e refletir sobre a articulação entre treinamento funcional e ludicidade em atividades desenvolvidas com crianças de 6 a 10 anos, considerando possibilidades e desafios observados na atuação profissional em um centro de treinamento infantil. O estudo apresenta abordagem qualitativa e caracteriza-se como relato de experiência, construído a partir das vivências profissionais no Desconecta Centro de Treinamento Infantil, localizado em Uruguaiana/RS. As reflexões foram produzidas com base na observação cotidiana das atividades e das respostas das crianças, sem testes físicos ou instrumentos destinados a mensurar mudanças no desempenho ou no desenvolvimento infantil. Os resultados correspondem às percepções do profissional sobre participação, envolvimento, interação e execução das atividades, não permitindo estabelecer efeitos fisiológicos, cognitivos ou clínicos. As aulas foram organizadas mediante exercícios funcionais apresentados em circuitos, jogos e desafios motores, envolvendo deslocamentos, mudanças de direção, saltos, equilíbrio, lançamentos e manipulação de objetos. As tarefas eram adaptadas conforme as características das crianças, buscando garantir segurança, compreensão das orientações e diferentes possibilidades de participação. A reflexão foi organizada em três eixos: ludicidade e envolvimento; adaptação dos desafios motores; e interação social. No primeiro eixo, observou-se que brincadeiras, histórias e desafios contribuíram para apresentar os movimentos de maneira próxima ao universo infantil. Atividades que poderiam ser percebidas como repetitivas passaram a ser organizadas por meio de objetivos imaginários, percursos e pequenas missões. Essa organização favoreceu a curiosidade e a disposição para participar, embora o interesse não tenha ocorrido da mesma maneira entre todas as crianças. A experiência demonstrou que a ludicidade não depende apenas de atribuir nomes divertidos aos exercícios, mas de possibilitar escolhas, interação e criação. Também se tornou necessário equilibrar momentos orientados com oportunidades para que as crianças propusessem diferentes formas de realizar os movimentos. No segundo eixo, destacou-se a necessidade de adaptar os desafios, pois crianças da mesma faixa etária podem apresentar experiências, ritmos de aprendizagem e níveis de confiança distintos. Modificações na distância, no tempo, na altura dos obstáculos, no peso dos objetos e na complexidade das regras ampliaram as possibilidades de participação. Essas adaptações não significaram reduzir os objetivos, mas oferecer diferentes caminhos para sua realização. A execução não foi analisada somente pelo resultado final, sendo consideradas a compreensão da proposta, a tentativa e a persistência. No terceiro eixo, atividades em duplas e pequenos grupos criaram situações de cooperação, comunicação e respeito aos turnos. Em alguns momentos, a presença dos colegas favoreceu o incentivo e a realização dos desafios; em outros, comparações e disputas exigiram mediação para evitar constrangimentos ou exclusões. Assim, a atuação profissional envolveu não apenas a demonstração dos movimentos, mas também a organização das relações durante as atividades. Os resultados indicam que a articulação entre treinamento funcional e ludicidade pode tornar as propostas mais adequadas à infância, desde que o brincar não seja utilizado apenas como recurso decorativo para repetir exercícios. O planejamento precisa considerar segurança, diversidade de movimentos, tempo de participação, interesses e possibilidades individuais, evitando cobranças próprias do treinamento adulto. A experiência também evidenciou que observações de interesse ou melhora na execução não são suficientes para comprovar ganhos de força, cognição, densidade óssea ou prevenção da obesidade, pois essas afirmações exigiriam avaliações específicas. Conclui-se que a ludicidade pode contribuir para organizar experiências de treinamento funcional mais participativas para crianças de 6 a 10 anos. Para o profissional de Educação Física, a experiência reforçou a importância de observar, adaptar e mediar as atividades, compreendendo o desenvolvimento infantil para além do desempenho físico..Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Treinamento Funcional e Ludicidade na Infância: Relato de Experiência em Um Centro de Treinamento. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123499. Acesso em: 30 out. 2026.