Percepções Sobre Alimentação Saudável e Cuidado em Uma Comunidade de Itaqui/rs
Palavras-chave:
Educação, popular, saúde, Práticas, alimentares, Barreiras, econômicasResumo
As rodas de conversa constituem uma importante estratégia de Educação Popular em Saúde por favorecerem o diálogo, a escuta e a construção coletiva de saberes, valorizando as experiências dos usuários em contraposição às práticas educativas tradicionais, centradas na transmissão vertical do conhecimento. No âmbito do projeto Alimentando a Diversidade no SUS, vinculado ao Programa Nacional de Apoio à Permanência, Diversidade e Visibilidade para Discentes na Área da Saúde (AfirmaSUS), foi realizada uma roda de conversa com mulheres participantes do Projeto Saúde nos Bairros vinculadas à Estratégia Saúde da Família (ESF) do bairro Vila Nova, com o objetivo de compreender suas percepções sobre alimentação, barreiras económicas e práticas cotidianas de cuidado. A atividade ocorreu logo após o encontro de exercícios físicos, reunindo majoritariamente mulheres idosas, além do professor responsável pelo grupo. A roda foi organizada em círculo, utilizando um objeto de fala e perguntas disparadoras para estimular o diálogo. As participantes foram convidadas a compartilhar suas percepções sobre alimentação, rotina, acesso a alimentos e práticas de cuidado, enquanto as falas eram registradas em diários de campo pelas integrantes do projeto e sistematizadas de forma descritiva. Esse formato permitiu que a conversa acontecesse de maneira espontânea, acolhedora e participativa, valorizando as experiências das mulheres da Vila Nova e possibilitando que diferentes aspectos do cotidiano fossem articulados à discussão sobre saúde. Os relatos evidenciaram que, embora a maioria das participantes considere sua alimentação adequada, baseada em preparações simples como arroz, feijão, saladas, frutas e frango, o preço dos alimentos constitui a principal barreira para ampliar a variedade alimentar desejada. Apesar da presença de mercadinhos no bairro, os valores mais elevados em comparação ao centro da cidade restringem escolhas e exigem priorizações dentro do orçamento familiar. Situações específicas, como o cuidado com os filhos e a rotina de trabalho, também influenciam diretamente as práticas alimentares, destacando-se o relato de uma mãe cujo filho autista apresenta seletividade alimentar, tornando o custo de determinados vegetais um desafio cotidiano. As falas revelaram ainda um forte vínculo com práticas tradicionais de cuidado, como o uso de plantas medicinais, alecrim, burrico, sálvia, e macela, e a manutenção de hortas domésticas. Elementos culturais apareceram de forma marcante, incluindo lembranças de receitas familiares, hábitos transmitidos entre gerações e percepções sobre envelhecimento e autocuidado, expressas em afirmações como a gente tem que se cuidar por causa da idade e salada não pode faltar". As participantes também mencionaram a influência da rotina familiar, das condições materiais e dos vínculos comunitários nas escolhas alimentares, evidenciando que a alimentação não pode ser compreendida apenas como resultado de decisões individuais. Quanto às formas de comunicação em saúde, foram valorizadas as rodas de conversa, os vídeos e as mensagens via WhatsApp, enquanto as participantes relataram não recordar de atividades educativas realizadas na sala de espera. Apesar das particularidades entre as participantes, o dinheiro emergiu como a principal barreira para manter uma alimentação mais variada, evidenciando a relação direta entre condições econômicas, práticas alimentares e cuidado cotidiano. A experiência demonstrou que a escuta coletiva pode contribuir para reconhecer necessidades que nem sempre aparecem em atividades educativas convencionais, além de favorecer a aproximação entre a equipe do projeto, os serviços de saúde e a comunidade. Conclui-se que a roda de conversa favoreceu a escuta sem julgamentos e possibilitou identificar necessidades, experiências e estratégias de cuidado presentes no território. A atividade reforça a importância de ações extensionistas participativas, capazes de articular alimentação, território e cuidado a partir das condições concretas, dos saberes populares e das experiências da comunidade.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Percepções Sobre Alimentação Saudável e Cuidado em Uma Comunidade de Itaqui/rs. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123498. Acesso em: 22 out. 2026.