Danças Tradicionais Brasileiras na Educação Física Escolar: Uma Experiência Formativa no Pibid
Palavras-chave:
Cultura, corporal, Diversidade, cultural, Formação, docenteResumo
A dança, compreendida como manifestação da cultura corporal, constitui um conteúdo da Educação Física escolar capaz de articular movimentos, histórias, identidades e formas de expressão. Seu desenvolvimento na escola pode ampliar o repertório dos estudantes e favorecer o reconhecimento da diversidade cultural brasileira. No Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), esse conteúdo também contribui para a formação inicial de professores, ao possibilitar práticas pedagógicas fundamentadas no diálogo e na valorização dos saberes dos estudantes. Este trabalho tem como objetivo relatar uma experiência desenvolvida por bolsistas do PIBID Educação Física com estudantes do 6º e do 7º ano do Ensino Fundamental de uma escola municipal de Uruguaiana, Rio Grande do Sul, utilizando danças tradicionais brasileiras para ampliar o repertório cultural da turma e promover reflexões sobre a diversidade existente no país. Trata-se de um estudo qualitativo, do tipo relato de experiência, construído com base nas observações realizadas durante uma intervenção desenvolvida em uma aula. A proposta foi organizada em dois momentos. Inicialmente, foram apresentadas danças tradicionais de diferentes regiões brasileiras, abordando brevemente suas origens, características, vestimentas e relações com seus contextos culturais. Durante a apresentação, os estudantes foram convidados a compartilhar o que conheciam sobre as manifestações, permitindo identificar experiências e referências presentes em seu cotidiano. Posteriormente, realizou-se uma vivência prática, iniciada pelas danças tradicionais gaúchas, por representarem manifestações mais próximas da realidade cultural da turma. Na sequência, foram experimentadas danças de outras regiões do Brasil, buscando promover uma aproximação gradual com movimentos e expressões ainda pouco conhecidos. Durante a intervenção, observou-se que a maioria dos estudantes demonstrou familiaridade com as danças da Região Sul, reconhecendo características presentes em seu cotidiano. Em contrapartida, as manifestações das demais regiões provocaram inicialmente certo estranhamento, pois parte da turma afirmou não conhecer algumas das danças apresentadas. Esse desconhecimento tornou-se um ponto de partida para o diálogo e a mediação pedagógica. Os questionamentos sobre as formas de dançar, as vestimentas e as origens das manifestações evidenciaram curiosidade e interesse, transformando o estranhamento inicial em oportunidade de aprendizagem. Na vivência prática, alguns estudantes demonstraram timidez diante de movimentos pouco presentes em suas experiências. Ao longo da aula, entretanto, percebeu-se adesão gradual às atividades, com participação mais espontânea e maior envolvimento. A escolha de começar pelas danças gaúchas mostrou-se relevante, pois a familiaridade com essa manifestação proporcionou segurança à turma e favoreceu a aproximação com as demais danças. A experiência indicou que reconhecer os conhecimentos prévios dos estudantes não significa restringir o ensino às práticas conhecidas, mas utilizá-las como ponto de partida para ampliar saberes e proporcionar o contato respeitoso com outras expressões culturais. A intervenção também permitiu refletir sobre a importância de apresentar as danças de maneira contextualizada, evitando reduzir a diversidade brasileira a representações homogêneas ou estereotipadas. Embora a experiência tenha ocorrido em uma única aula, limitando a identificação de aprendizagens de longo prazo, foi possível observar seu potencial para despertar a curiosidade, ampliar o contato com manifestações de diferentes regiões e favorecer o respeito à diversidade. Para os bolsistas do PIBID, a intervenção contribuiu para compreender a importância do planejamento, da escuta e da elaboração de estratégias que relacionem os conhecimentos da turma a conteúdos ainda desconhecidos. Também evidenciou que a mediação docente é fundamental para acolher a timidez e o estranhamento e transformá-los em possibilidades educativas, respeitando os limites dos estudantes. Conclui-se que o trabalho com danças tradicionais brasileiras pode promover aprendizagens que ultrapassam a dimensão motora, envolvendo aspectos históricos, culturais, identitários e sociais. Ao ampliar o repertório dos estudantes e valorizar diferentes manifestações, a Educação Física escolar contribui para o reconhecimento da pluralidade cultural do país. No âmbito do PIBID, a experiência também favoreceu a construção de saberes docentes por meio do planejamento, da intervenção e da reflexão sobre a prática pedagógica.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Danças Tradicionais Brasileiras na Educação Física Escolar: Uma Experiência Formativa no Pibid. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123494. Acesso em: 27 out. 2026.