Educação Física no Cotidiano de Uma Escola Pública Periférica: Experiências de Observação no Pibid
Palavras-chave:
Planejamento, pedagógico, Cultura, corporal, Formação, docenteResumo
A escola pública constitui um espaço de formação, convivência e acesso aos conhecimentos historicamente produzidos, não se limitando à transmissão dos conteúdos. Nesse contexto, a Educação Física possibilita experiências com jogos, esportes, brincadeiras e outras práticas corporais, contribuindo para a aprendizagem, a participação e as relações entre os estudantes. Compreender como esse componente se insere no cotidiano exige considerar a organização, os espaços disponíveis, as características da comunidade e as condições do trabalho docente. Este trabalho tem como objetivo relatar e refletir sobre as experiências construídas durante o período inicial de observação do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) em uma escola pública situada em uma região periférica, destacando a inserção da Educação Física no cotidiano e as contribuições da vivência para a formação docente. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, do tipo relato de experiência, construído a partir da inserção de licenciandos no ambiente escolar, do acompanhamento da rotina e da observação das condições destinadas às aulas de Educação Física. O olhar voltou-se para os espaços da escola, a organização das atividades, as formas de participação dos estudantes e os desafios percebidos no trabalho pedagógico. A escola está inserida em um território marcado por desigualdades sociais que atravessam, sem determinar, as experiências escolares dos estudantes.. Essas condições, entretanto, não foram compreendidas como características individuais dos estudantes nem como elementos capazes de definir toda a comunidade. O período de observação permitiu reconhecer a escola como espaço que organiza ações de acolhimento, convivência e incentivo à participação, buscando responder às demandas de seu cotidiano. Em relação à infraestrutura, foram identificados diferentes ambientes destinados às práticas corporais, entre eles uma quadra coberta, um campo e o pátio. Esses espaços possibilitam a realização de jogos, brincadeiras, esportes e outras atividades, permitindo que as aulas não fiquem restritas a uma única modalidade ou local. Os ambientes também eram utilizados em momentos de convivência, demonstrando que os espaços escolares adquirem sentidos que ultrapassam sua função inicialmente planejada. A observação da infraestrutura permitiu compreender que a disponibilidade de locais adequados interfere no planejamento, mas não determina, isoladamente, a qualidade das aulas. A intencionalidade pedagógica, a seleção dos conteúdos, a mediação docente e a organização das formas de participação são fundamentais para que os espaços sejam utilizados como ambientes de aprendizagem. A inserção no cotidiano escolar também mostrou que as atividades nem sempre acontecem exatamente como previsto. Alterações na rotina, respostas inesperadas dos estudantes e necessidades percebidas durante as aulas podem exigir modificações nas propostas. Nesse sentido, o planejamento foi compreendido como orientação flexível, que precisa ser avaliada e reorganizada, e não como roteiro rígido. A experiência também chamou atenção para a necessidade de criar condições para que estudantes com diferentes interesses, habilidades e experiências corporais encontrem possibilidades de participação. Para os licenciandos, o PIBID favoreceu a aproximação entre os conhecimentos construídos na universidade e as situações encontradas na Educação Básica. O acompanhamento permitiu perceber que a docência envolve mais do que dominar conteúdos e atividades, pois exige observar a turma, conhecer o contexto, comunicar-se, mediar relações e tomar decisões diante de situações imprevistas. Também possibilitou compreender que as condições sociais e institucionais atravessam o processo educativo, sem determinar as capacidades ou os projetos dos estudantes. A Educação Física foi percebida como parte do trabalho pedagógico da escola e como espaço capaz de favorecer o contato com a cultura corporal, a convivência e a participação. Contudo, essas contribuições não ocorrem automaticamente pela realização de práticas ou pela existência de espaços físicos, dependendo de planejamento e mediação comprometidos com objetivos educacionais. Conclui-se que o período inicial no PIBID ampliou a compreensão sobre a escola pública, a Educação Física e o trabalho docente. A observação da rotina, dos espaços e das relações evidenciou possibilidades e desafios a serem considerados nas futuras intervenções. A experiência fortaleceu a percepção da escola como espaço de produção de conhecimentos e enfrentamento das desigualdades e reafirmou a importância de práticas inclusivas, contextualizadas e atentas às características dos estudantes e da comunidade. A observação evidenciou que quadra coberta, campo e pátio assumiram diferentes funções pedagógicas e de convivência, exigindo do professor decisões permanentes sobre organização, participação e adaptação das atividades.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Educação Física no Cotidiano de Uma Escola Pública Periférica: Experiências de Observação no Pibid. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123493. Acesso em: 2 nov. 2026.