Afirmasus e Povos de Terreiro: Experiências de Participação Social e Educação em Saúde
Palavras-chave:
Povos, Terreiro, Participação, social, Educação, saúdeResumo
Os Povos de Terreiro integram a história, a cultura e a construção social brasileira, mantendo vivos saberes ancestrais, práticas de cuidado, tradições e formas de organização vinculadas às matrizes africanas e afro-brasileiras. Apesar de sua importância, essas comunidades ainda enfrentam racismo religioso, discriminação, invisibilização e dificuldades no acesso a direitos e políticas públicas. Nesse contexto, a inserção universitária nos territórios pode contribuir para aproximar formação acadêmica, participação social e demandas comunitárias, desde que seja orientada pela escuta, pelo diálogo e pelo reconhecimento dos saberes produzidos pelas próprias comunidades. Este trabalho tem como objetivo relatar e analisar experiências de imersão social desenvolvidas pelo AfirmaSUS: Conexão de Saberes junto aos Povos de Terreiro de Uruguaiana/RS, destacando suas contribuições percebidas para a participação social, a educação em saúde, a formação interprofissional e a aproximação entre universidade e comunidade. Trata-se de um relato de experiência, de abordagem qualitativa e caráter descritivo-reflexivo, construído a partir da participação de estudantes da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus Uruguaiana, em duas frentes de atuação: o processo de organização da Conferência Municipal dos Povos de Terreiro e uma ação de educação sobre primeiros socorros em saúde, no período de março a agosto de 2026, no município de Uruguaiana/RS. A primeira frente compreendeu reuniões presenciais de planejamento da Conferência, concebida como espaço de escuta, diálogo e construção coletiva de propostas entre comunidades de terreiro, sociedade civil e poder público. Durante os encontros, foram discutidas a programação, a distribuição de responsabilidades, as necessidades do público participante, as estratégias diante de possíveis intercorrências e os encaminhamentos necessários à realização do evento. A segunda frente correspondeu a uma ação extensionista de educação em primeiros socorros realizada na Casa do Pai Felipe de Oxalá, com duração de três horas e participação aproximada de 30 pessoas de diferentes faixas etárias, incluindo crianças, jovens, pessoas adultas e idosas. A atividade foi conduzida por três estudantes dos cursos de Medicina, Enfermagem e Farmácia, favorecendo uma abordagem interprofissional. Foram trabalhadas situações de parada cardiorrespiratória, convulsões, desmaios e queimaduras por meio de linguagem acessível, demonstrações, dinâmicas educativas e simuladores realísticos. As pessoas participantes foram convidadas a observar, perguntar e praticar as condutas apresentadas nos simuladores, relacionando as orientações a situações que podem ocorrer no cotidiano. Como resultados percebidos, as reuniões de organização da Conferência favoreceram o reconhecimento da participação social como processo que antecede os momentos formais de deliberação e depende de mobilização, negociação, divisão de responsabilidades e escuta das demandas comunitárias. Na ação de primeiros socorros, observou-se envolvimento das pessoas participantes, indicando interesse pelos temas abordados. A atividade criou um espaço de troca entre conhecimentos acadêmicos e experiências comunitárias, sem compreender a comunidade apenas como receptora de informações. Para os(as) estudantes, a ação exigiu planejamento, adaptação da linguagem, trabalho em equipe e atenção às diferentes faixas etárias presentes, contribuindo para uma formação sensível às particularidades do território. As experiências não utilizaram instrumentos destinados a medir aprendizagem, mudanças de comportamento ou capacidade de resposta às emergências, razão pela qual os resultados se referem ao envolvimento observado e às reflexões formativas produzidas durante as ações. A articulação entre as duas frentes evidenciou que a educação em saúde e a participação social podem ser compreendidas como práticas de construção coletiva. A organização da Conferência fortalece a presença política das comunidades na formulação de propostas e a ação no terreiro aproxima conhecimentos de saúde das situações vivenciadas no cotidiano do território. Conclui-se que a imersão social desenvolvida pelo AfirmaSUS contribuiu para aproximar universidade e Povos de Terreiro por meio de experiências orientadas pelo diálogo, pela participação e pela construção compartilhada de conhecimentos. Por fim, a atuação reforçou a extensão universitária como espaço de aprendizagem, profissional e cidadã, além de evidenciar que práticas comprometidas com a equidade precisam reconhecer os Povos de Terreiro como sujeitos de direitos e produtores de saberes. Para a formação em saúde, as experiências ampliaram o contato com diferentes realidades sociais e fortaleceram o compromisso com o enfrentamento do racismo religioso, a defesa do direito à saúde e a valorização das comunidades tradicionais.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Afirmasus e Povos de Terreiro: Experiências de Participação Social e Educação em Saúde. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123486. Acesso em: 28 out. 2026.