Popneuro e Neurociência Aplicada Educação: Percepções de Professores Sobre Uma Ação de Extensão

Autores

  • Raphael Ramos
  • Guilherme Dutra Pereira
  • Thalia Müller de Oliveira
  • Manoel Lagreca Fan
  • Gabriela Jaques Sigaran
  • Pamela Carpes

Palavras-chave:

neuroeducação, formação, continuada, neuromitos

Resumo

A neurociência tem oferecido, nas últimas décadas, evidências sobre como o cérebro aprende, memoriza e regula atenção e emoção, conhecimento que raramente integra a formação inicial de professores da Educação Básica (EB), ainda que esteja implicado na ciência da aprendizagem. Essa lacuna entre a produção científica sobre a aprendizagem e a prática docente favorece a disseminação de neuromitos, como a crença de que ensinar considerando os estilos de aprendizagem é benéfico, e limita o uso de estratégias de ensino fundamentadas em evidências. Nesse cenário, a formação continuada em neurociência aplicada à educação assume papel relevante na aproximação entre pesquisa acadêmica e prática pedagógica. O Programa de extensão POPNeuro, atuante desde 2013 na divulgação científica em neurociência, promove anualmente, em parceria com a rede municipal de ensino de Uruguaiana-RS, o Curso de Neurociência Aplicada à Educação (CNAE), voltado à formação continuada de coordenadores(as) pedagógicos(as), gestores(as) e professores(as) da EB. A realização de sua décima quinta edição evidencia a consolidação do curso como iniciativa extensionista contínua no município. Este trabalho tem como objetivo apresentar os resultados da avaliação da XV edição do CNAE pelos participantes. O curso, com carga horária total de 40 horas, contou com 56 participantes e foi realizado em quatro encontros presenciais (01, 02, 08 e 09 de julho de 2026), organizados em quatro eixos temáticos: Introdução à Neurociência Aplicada à Educação; Neuroanatomia e Neurofisiologia; Memória, Aprendizagem e Funções Executivas; Neurociência, Inovação e Currículo Escolar. Cada encontro combinou a exposição teórica dialogada com atividades práticas, incluindo o uso de modelos anatômicos tridimensionais de neurônios, células da glia e sinapses, quebra-cabeça anatômico do encéfalo, biossensor de eletroencefalograma para ilustrar padrões de ondas cerebrais em diferentes estados cognitivos, teste de Stroop para exemplificar processos atencionais, e jogo de memória de sequência de cores para abordar a memória de trabalho. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Pampa (83043524.9.0000.5323). A avaliação da ação foi realizada por meio de dois questionários autoaplicáveis e de resposta voluntária, disponibilizados via Google Forms: um inicial (51 respostas), voltado ao perfil e à familiaridade prévia com o tema; e um de avaliação final (30 respostas), composto por questões para atribuição de nota de 1 a 5, para avaliar a organização geral e relevância dos eixos temáticos; questões com escala ordinal de quatro níveis (insuficiente, regular, bom ou excelente), para avaliar o desempenho dos palestrantes; um item sobre a autopercepção de preparo para aplicar os conhecimentos na prática pedagógica; e, por fim, questões abertas sobre aprendizados e desafios. As análises aqui apresentadas são dados preliminares. No questionário inicial, a familiaridade prévia com o tema foi, em média, 2,75 (escala de 1-5), e cerca de 47% dos participantes declararam ser esta a primeira formação em neurociência. No questionário final, a organização geral do curso obteve média de 4,97 e a relevância dos eixos temáticos variou entre 4,70 e 4,97. Os palestrantes foram avaliados majoritariamente como excelentes quanto ao domínio de conteúdo e à clareza da comunicação, e todos os respondentes indicaram a probabilidade máxima de recomendar o curso. O item referente ao preparo dos participantes para aplicar os conhecimentos na prática pedagógica apresentou a menor média (4,17), sinalizando que a aplicação em sala de aula é um aspecto desafiador, para o qual os participantes se sentiram menos preparados. Nas respostas abertas, destacaram-se, como aprendizados mais significativos a desconstrução de neuromitos, sobretudo a ideia de estilos de aprendizagem, e a compreensão de conceitos como neuroplasticidade, atenção sustentada e funções executivas. Já o principal desafio antecipado para a aplicação em sala de aula foi o engajamento de colegas de escola e a disponibilidade de tempo para formação continuada. De modo geral, o CNAE mostra-se como estratégia bem avaliada de formação continuada em neurociência aplicada à educação. Os achados reforçam o potencial da neuroeducação na qualificação de professores da rede básica e apontam a transposição desse conhecimento para a prática pedagógica cotidiana como o principal desafio nas próximas edições do curso.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Popneuro e Neurociência Aplicada Educação: Percepções de Professores Sobre Uma Ação de Extensão. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123478. Acesso em: 28 out. 2026.