Aplicação e Interpretação do Teste Cmt para Diagnóstico de Mastite em Ovinos no Rs
Palavras-chave:
mastite, ovinos, CMTResumo
A mastite ovina representa uma das enfermidades de maior relevância sanitária e econômica na ovinocultura contemporânea, afetando diretamente a integridade do tecido glandular mamário e alterando a composição físico-química e imunológica do leite. A manifestação subclínica da doença é destacada por seu caráter silencioso, já que não promove alterações visíveis na glândula mamária nem no aspecto macroscópico do leite, dificultando a identificação precoce por parte dos produtores e favorecendo a permanência de matrizes infectadas no rebanho. A menor disponibilidade nutricional e a redução no aporte de imunoglobulinas colostrais decorrentes da mastite comprometem a transferência de imunidade passiva, elevando as taxas de morbidade e mortalidade neonatal, além de reduzir o ganho de peso diário e prejudicar o peso ao desmame dos cordeiros. Apesar de o teste California Mastitis Test (CMT) ser uma ferramenta de uso conhecido na bovinocultura leiteira para a estimativa indireta da contagem de células somáticas por meio da reação com detergente aniônico, seu emprego na ovinocultura ainda é pouco difundido nas propriedades rurais. Diante dessa problemática, este trabalho tem como objetivo avaliar a ocorrência de mastite subclínica em ovelhas lactantes de diferentes raças e aptidões produtivas no município de Bagé, Rio Grande do Sul, além de propor uma inovação tecnológica para facilitar o diagnóstico de campo. A metodologia envolveu visitas técnicas a quatro propriedades rurais representativas do setor regional, cujas raças são: Hampshire Down, Ideal, Corriedale e Lacaune. Podendo ser avaliada 42 ovelhas lactantes. O procedimento operacional padronizado iniciou-se com a antissepsia dos tetos utilizando álcool a 70% e secagem com papel toalha descartável. Após o descarte do primeiro jato de leite, foram coletadas 2 ml de leite de cada glândula mamária, depositadas individualmente nos compartimentos da raquete de teste. Em seguida, adicionou igualmente o volume de 2 ml do reagente CMT comercial, promovendo a homogeneização manual por movimentos circulares contínuos durante 20 segundos. A leitura e interpretação dos resultados teve base no grau de viscosidade e na formação de gel decorrente da lise celular e liberação do DNA somático. Para suprir a carência de instrumental específico voltado à anatomia da espécie ovina, que apresenta apenas duas glândulas mamárias, o estudo desenvolveu e patenteou uma raquete de CMT adaptada com apenas dois compartimentos, confeccionada por meio de tecnologia de impressão 3D. Os resultados obtidos demonstraram uma prevalência de mastite subclínica de 10,7% (6/42) no total de matrizes amostradas. A análise por raça revelou variações na frequência de positividade: nas ovelhas da raça Corriedale, a taxa de infecção atingiu 30,8% (4/13), com reações diretas afetando a glândula direita, esquerda ou em ambas; na raça Lacaune, voltada à produção leiteira, a positividade foi de 28,6% (2/7); enquanto nos lotes avaliados das raças Ideal (0/13) e Hampshire Down (0/9), não foram constatadas alterações indicativas de mastite subclínica. Como produto final e ação de extensão universitária, foram confeccionados e distribuídos aos produtores colaboradores cartões orientativos ilustrados contendo o passo a passo simplificado para a execução do teste, além da doação dos exemplares da raquete patenteada. Pode-se concluir que o CMT constitui uma ferramenta prática, acessível e de elevada viabilidade para o monitoramento sanitário contínuo do rebanho ovino, além de ser de fácil uso a campo. A identificação precoce da mastite subclínica possibilita a intervenção sanitária imediata, prevenindo prejuízos econômicos e garantindo o bem-estar animal e a eficiência sustentável dos sistemas de produção de carne, lã e leite.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Aplicação e Interpretação do Teste Cmt para Diagnóstico de Mastite em Ovinos no Rs. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123469. Acesso em: 22 out. 2026.