Composição e Objetivos da Rede Sul de Bioinsumos para a Agricultura Familiar Camponesa

Autores

  • Bruno Poetini Silva
  • Gabrielle Santana Cunha Codevila
  • Rafael Badaraco de Freitas dos Santos
  • Nadia Rosana Fernandes de Oliveira
  • Ritieli Baptista Mambrin
  • Vinicius Dalbianco

Palavras-chave:

Agroecologia, sustentabilidade, extensão, rural, universitária, manejo, biológico

Resumo

A Rede Sul de Bioinsumos destaca-se pela diversidade de sua composição, reunindo instituições de ensino e pesquisa, órgãos públicos, cooperativas, organizações da agricultura familiar camponesa, escolas do campo e movimentos agroecológicos. A coordenação científica e institucional é resultado da parceria entre a Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), por meio do Grupo Interdisciplinar de Estudos em Desenvolvimento Rural, e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). Diante disto, o presente trabalho tem como objetivo apresentar a composição da Rede Sul de Bioinsumos e sua atuação para fortalecer a autonomia dos agricultores, ampliar o conhecimento sobre a produção e o uso de bioinsumos e contribuir para uma agricultura mais sustentável, regenerativa e adaptada às características de cada território. A construção da Rede ocorre de forma colaborativa, envolvendo cooperativas agropecuárias e de produção, como a CooperBorja e a CooperBio; escolas do campo e centros de formação, como a Escola Educar, a EFASUL e a Casa Familiar Rural; universidades e institutos federais, como o IFFAR, o IFSC e o projeto Polifeiras da UFSM; além de organizações ligadas à agricultura familiar e à agroecologia, como o CETAP, a FETRAF/SUTRAF e a BioNatur. A estrutura inicial foi consolidada em territórios de referência no Rio Grande do Sul, com ações em São Borja, em parceria com a CooperBorja; Seberi, com a CooperBio; Pontão, junto à Escola Educar; Passo Fundo e Sananduva, por meio do CETAP; Erechim e Aratiba, com a FETRAF/SUTRAF; Candiota e Hulha Negra, junto à BioNatur; e Canguçu, em parceria com a EFASUL. Com a ampliação das ações e a adesão de novos parceiros, a Rede passou a abranger outros municípios do Rio Grande do Sul e também Santa Catarina e Paraná, alcançando atualmente 20 polos territoriais na região Sul do Brasil. Na composição atual, estão: Bagé, com a EMBRAPA PECUÁRIA SUL; Campina das Missões, com o CFA; Candiota, com a BIONATUR; Canguçu, com a CAPA/FLD; Erechim, com a FETRAF; Francisco Beltrão, com a CAPA/FLD; Frederico Westphalen, com o IFF; Ijuí, com a UNIJUÍ; Lages, com o IFF; Lapa, com o MST; Marechal Cândido Rondon, com a FETRAF; Passo Fundo, com o CETAP; Pontão, com a EDUCAR; Sant'Ana do Livramento, com a COOPERFAS; Santa Maria, com o TERRITÓRIO CENTRAL; São Borja, com a COOPERBORJA; São Domingos do Sul, com a SEADA; Seara, com a CRED SEARA; Seberi, com a COOPERBIO; e Vacaria, com a COOPACS. A articulação territorial é fortalecida por diagnósticos, entrevistas e questionários para identificar o perfil das organizações socioprodutivas e o potencial das famílias, seguida de capacitações, oficinas e ações de extensão voltadas à produção on-farm. A implantação de Unidades de Produção de Bioinsumos (UPBs) constitui uma estratégia para aproximar o conhecimento técnico das comunidades rurais, ampliar o acesso à produção local de biológicos e fortalecer a autonomia produtiva. As ações incluem formações sobre biologia dos solos, adubação orgânica e manejo de bioinsumos, integrando agricultores, técnicos, extensionistas, instituições de ensino, pesquisa e organizações sociais. A atuação da Rede também se insere no contexto da Lei nº 15.070, de 23 de dezembro de 2024, que consolidou o marco regulatório para a produção de bioinsumos para uso próprio por agricultores familiares e cooperativas, proibindo a comercialização dos insumos produzidos nessa modalidade. Nesse sentido, a formação técnica e a extensão rural assumem papel estratégico para que a produção on-farm seja realizada com segurança e conhecimento adequado. A Rede desenvolve formação sobre produção e manejo de bioinsumos, análises de solo e água e sistematização de experiências, aproximando conhecimentos científicos e saberes territoriais. Entre os resultados esperados estão o fortalecimento da autonomia camponesa, a redução dos custos relacionados à aquisição de insumos externos e a ampliação da capacidade das organizações locais de produzir e utilizar recursos biológicos de acordo com suas realidades. A organização em polos permite compartilhar experiências entre diferentes contextos, favorecendo a cooperação entre agricultores, técnicos, extensionistas, universidades, institutos federais, cooperativas e organizações sociais. Assim, a diversidade de instituições e territórios constitui um dos principais elementos da Rede, possibilitando articular conhecimentos, experiências e demandas em uma estratégia comum de transição para sistemas agroalimentares mais sustentáveis.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Composição e Objetivos da Rede Sul de Bioinsumos para a Agricultura Familiar Camponesa. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123467. Acesso em: 1 nov. 2026.