Bases para Agricultura Regenerativa: Plantas de Cobertura, Remineralizadores e Biológicos
Palavras-chave:
Saúde, solo, plantas, serviço, agroecologia, microrganismos, agricultura, orgânicaResumo
A Rede Sul de Bioinsumos é coordenada pelo Grupo Interdisciplinar de Estudos em Desenvolvimento Rural (GIEDER) da Universidade Federal do Pampa, e atua na construção e socialização de conhecimentos relacionados ao uso de insumos de base biológica e ao manejo sustentável dos agroecossistemas. Por meio de ações integradas em pesquisa, ensino e extensão, busca aproximar conhecimentos científicos e saberes dos agricultores, fortalecendo a autonomia produtiva e estratégias adaptadas às condições locais. Nesse contexto, a agricultura regenerativa propõe uma visão sistêmica do agroecossistema, valorizando a interação entre solo, plantas, microrganismos e recursos minerais para recuperar processos naturais e ampliar a sustentabilidade dos sistemas agrícolas. A agricultura convencional, especialmente quando associada ao uso inadequado dos recursos naturais, ao revolvimento excessivo do solo, à monocultura, à baixa diversidade de culturas e ao uso indiscriminado de insumos químicos, pode contribuir para a degradação dos agroecossistemas. Essas práticas favorecem erosão, compactação, redução da matéria orgânica e desequilíbrios nutricionais, além de comprometerem a diversidade e a atividade microbiológica do solo. Nesse cenário, a agricultura regenerativa busca recuperar a funcionalidade dos agroecossistemas por meio da valorização dos processos naturais. Entre suas estratégias, destacam-se a integração entre plantas de cobertura, remineralizadores e insumos biológicos, formando um tripé de práticas complementares para a regeneração do solo. As plantas de cobertura protegem a superfície contra a erosão, produzem biomassa, contribuem para a ciclagem de nutrientes e fornecem matéria orgânica e carbono à microbiota. Os remineralizadores constituem fontes de minerais e nutrientes, cuja disponibilidade depende das características do produto e das condições do solo. Os insumos biológicos, por sua vez, atuam sobre processos ecológicos por meio de microrganismos e outros organismos benéficos, contribuindo para a decomposição da matéria orgânica, ciclagem e disponibilização de nutrientes e interação entre plantas e microbiota do solo. O presente trabalho teve como objetivo apresentar a importância da integração entre plantas de cobertura, remineralizadores e insumos biológicos para a recuperação da saúde do solo e o fortalecimento dos processos ecológicos nos sistemas agrícolas. A metodologia fundamentou-se em revisão bibliográfica e levantamento de informações técnicas e científicas sobre os princípios da agricultura regenerativa e a utilização integrada dos três componentes. As plantas de cobertura podem ser utilizadas em rotação, sucessão ou consórcio, sendo selecionadas conforme suas características e funções no ambiente agrícola. Além de proteger o solo, seus resíduos fornecem carbono e biomassa para a atividade microbiana. A eficiência dos remineralizadores é influenciada pela composição mineralógica, granulometria, reatividade, dose e características do solo, devendo sua utilização estar associada ao planejamento da fertilidade. Os insumos biológicos contribuem para a transformação e ciclagem de nutrientes, decomposição dos resíduos e interação entre organismos e plantas, favorecendo uma comunidade biológica mais ativa. A integração dos componentes possibilita uma abordagem sistêmica dos processos físicos, químicos e biológicos do solo: as plantas fornecem biomassa, carbono e exsudatos radiculares; os microrganismos participam da decomposição e transformação da matéria orgânica; e os remineralizadores contribuem com fontes minerais. Assim, o tripé favorece a construção gradual de um ambiente mais equilibrado, no qual a fertilidade é sustentada não apenas pela aplicação de insumos externos, mas também pelos processos ecológicos do agroecossistema. Conclui-se que a integração entre plantas de cobertura, remineralizadores e insumos biológicos constitui estratégia relevante para a agricultura regenerativa, podendo favorecer a recuperação das propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, a ciclagem de nutrientes, a atividade microbiológica, a proteção contra processos erosivos e a resiliência dos sistemas agrícolas. Essas são estratégias utilizadas pela Rede Sul de Bioinsumos para potencializar sistemas produtivos sustentáveis e reduzir a dependência de químicos.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Bases para Agricultura Regenerativa: Plantas de Cobertura, Remineralizadores e Biológicos. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123466. Acesso em: 22 out. 2026.