Formação em Produção de Bioinsumos em Meio Sólido para Uso Próprio na Agricultura Familiar Camponesa

Autores

  • Aline Rodrigues
  • Rafael Badaraco de Freitas dos Santos
  • Gabrielle Santana Cunha Codevila
  • Eloir Missio
  • Vinícius Piccin Dalbianco
  • Ritieli Mambrin

Palavras-chave:

Extensão, rural, Agricultura, familiar, Produção, meio, sólido

Resumo

A produção de bioinsumos para uso próprio constitui uma estratégia de fortalecimento da agricultura familiar camponesa, ao favorecer a autonomia produtiva, a redução da dependência de insumos externos e a adoção de práticas baseadas em processos biológicos. Nesse contexto, a Rede Sul de Bioinsumos para Agricultura Familiar Camponesa (Rede Bio) desenvolve ações de pesquisa, extensão, formação e intercâmbio de conhecimentos voltadas à produção e ao uso de bioinsumos nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O presente trabalho teve como objetivo relatar uma formação teórico-prática, desenvolvida pela Rede Bio, sobre a produção de microrganismos isolados em meio sólido para uso próprio, destacando os procedimentos adotados, os conhecimentos compartilhados e a participação dos agricultores no processo de aprendizagem. A atividade foi realizada no Centro de Desenvolvimento Agroalimentar da Fronteira Oeste (CeDAFO), espaço de extensão universitária da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), localizado em São Borja, Rio Grande do Sul, com a participação de agricultores, representantes dos 20 territórios que integram a Rede Sul de Bioinsumos e integrantes do Grupo Interdisciplinar de Estudos em Desenvolvimento Rural (GIEDER/UNIPAMPA), responsável pela coordenação técnica da Rede. A formação foi organizada em dois momentos pedagógicos: Manejo Biológico e Produção das Comunidades de Microrganismos e Microrganismos Isolados e Produção para Uso Próprio em Meio Sólido. Inicialmente, foram abordados fundamentos relacionados ao manejo de microrganismos e aos cuidados necessários para a produção de bioinsumos. Na etapa prática, os participantes acompanharam e executaram o protocolo de produção de microrganismos isolados em meio sólido, baseado na metodologia desenvolvida por Marcela Pavan Bagagli, do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), Campus Avaré, conforme a cartilha Bioinsumos para Uso Próprio - Produção em meio sólido (2026). O procedimento foi apresentado em nove etapas, contemplando o preparo e a higienização dos materiais, hidratação e acondicionamento do arroz parboilizado, esterilização, resfriamento, inoculação, incubação, armazenamento e preparo do produto para utilização. Os materiais utilizados foram de baixo custo e de fácil acesso, incluindo arroz parboilizado, sacos de polipropileno, seringas estéreis, fita microporosa e utensílios para assepsia. Durante a atividade, foi enfatizada a importância da higienização das superfícies e utensílios, da esterilização do substrato e da utilização de equipamentos de proteção, uma vez que a assepsia constitui etapa fundamental para reduzir o risco de contaminação e preservar a qualidade do material produzido. Após a inoculação, os reatores foram mantidos em condições protegidas da luz solar direta durante o período de incubação, permitindo o desenvolvimento e a colonização do substrato pelo microrganismo de interesse. Também foram apresentados procedimentos de avaliação visual dos reatores, com orientação para identificação de características compatíveis com o desenvolvimento esperado e descarte de materiais que apresentassem sinais de contaminação. Na etapa final, foi demonstrado o preparo do material colonizado para obtenção de uma suspensão destinada à aplicação agrícola, ressaltando-se a necessidade de diluição e manejo adequados conforme o microrganismo e a finalidade de uso. A formação proporcionou aos participantes contato direto com procedimentos de produção, controle visual e manejo de bioinsumos, articulando conhecimentos científicos e saberes construídos no cotidiano das propriedades. A atividade também favoreceu a troca de experiências entre agricultores de diferentes territórios, fortalecendo processos coletivos de aprendizagem e a circulação de conhecimentos sobre manejo biológico. Como resultado, destaca-se a apropriação prática de uma tecnologia de produção em meio sólido baseada em materiais acessíveis e procedimentos que podem ser adaptados às condições das unidades familiares, desde que observados rigorosamente os critérios de assepsia, qualidade e segurança. Conclui-se que ações formativas dessa natureza constituem importantes estratégias de extensão para democratizar conhecimentos sobre bioinsumos, ampliar a autonomia tecnológica dos agricultores familiares e fortalecer redes de cooperação entre instituições de ensino e pesquisa, organizações sociais e comunidades rurais. A formação desenvolvida pela Rede Sul de Bioinsumos evidencia, ainda, a relevância da integração entre teoria e prática para apoiar processos de transição para sistemas de produção mais sustentáveis, valorizando o conhecimento local e a construção coletiva de alternativas para o manejo agrícola

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Formação em Produção de Bioinsumos em Meio Sólido para Uso Próprio na Agricultura Familiar Camponesa. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123465. Acesso em: 31 out. 2026.