Trabalho Pedagógico em Freire: Uma proposta da área de Linguagens para Escola do Campo
Palavras-chave:
Língua, Portuguesa, Literatura, Educação, Campo, Paulo, Freire, dialógicaResumo
O presente trabalho reflete sobre o ensino da Língua Portuguesa e da Literatura nas escolas do campo, tomando como referência os princípios de Paulo Freire em uma turma do terceiro ano do ensino médio. A proposta valoriza os saberes, experiências, cultura e realidade dos estudantes, articulando-os ao aprendizado escolar. A partir de uma educação dialógica e contextualizada, busca-se demonstrar que o ensino da língua e da literatura pode favorecer o desenvolvimento da leitura, da escrita, da interpretação e do pensamento crítico, permitindo que os alunos se reconheçam como sujeitos capazes de transformar sua realidade. Inspirado na perspectiva freireana, o estudo ressalta a importância de uma prática pedagógica que dialogue com a comunidade e com o cotidiano dos educandos, valorizando suas histórias, identidades e modos de viver. Assim, ensinar Língua Portuguesa e Literatura torna-se também uma oportunidade de promover autonomia, protagonismo e formação cidadã. Inicialmente, foram propostas atividades de leitura, interpretação e produção de textos a partir da obra O Príncipe e o Mendigo, de Mark Twain. O objetivo era estimular reflexões sobre temas como identidade, desigualdade social, diferenças entre classes e condições de vida. A atividade enfrentou resistência, já que muitos alunos não tinham hábito ou gosto pela leitura. Para superar essa barreira, a obra foi trabalhada em rodas de conversa: a cada capítulo lido, os estudantes debatiam suas impressões, relacionavam as situações apresentadas ao seu cotidiano e buscavam contextualizações. Gradualmente, surgiram relatos sobre como a cidade enxerga o campo e vice-versa, revelando preconceitos vivenciados pelos alunos em diferentes espaços. Entre os episódios narrados, destacaram-se discriminações sofridas em jogos escolares, quando colegas da cidade, após cumprimentá-los, limpavam as mãos, reforçando estigmas de inferioridade. Essas discussões levaram os estudantes a refletirem sobre quem dita as regras sociais, quais valores são legitimados e como o campo é visto na atualidade. Eles também listaram palavras que definem sua realidade, tais como: terra, trabalho, fartura, dificuldades e desigualdades; em contraste com a vida imaginada nas cortes ou grandes cidades. Na análise linguística, exploraram-se as marcas da variação linguística presentes no texto, evidenciando como a linguagem do campo sofre preconceito e como a legitimação da fala dos estudantes pode se tornar instrumento de identidade e resistência. A partir da perspectiva freireana, buscou-se estabelecer relações entre o texto literário e a realidade dos alunos, promovendo diálogo, participação e valorização de suas experiências. As atividades contribuíram para ampliar o interesse pela leitura e pela literatura, estimular a busca por novos conhecimentos, desenvolver a capacidade de interpretação e incentivar a produção escrita. Os estudantes reconheceram, ainda, o potencial da literatura em dialogar com sua realidade e favorecer uma compreensão crítica da sociedade. Conclui-se que o ensino de Língua Portuguesa e Literatura nas escolas do campo torna-se mais significativo quando parte da realidade dos educandos e promove o diálogo entre conhecimento escolar e saberes comunitários. A utilização da obra O Príncipe e o Mendigo, de Mark Twain, aliada aos princípios de Paulo Freire, possibilitou uma prática pedagógica voltada para a leitura crítica, a reflexão e a formação de leitores mais participativos e conscientes de sua realidade.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Trabalho Pedagógico em Freire: Uma proposta da área de Linguagens para Escola do Campo. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122682. Acesso em: 29 out. 2026.