Os Cantos em Seus Diferentes Cantos: Bolsistas do PIBID na Educação Musical
Palavras-chave:
Práticas, vocais, Educação, musical, PIBID, Canto, coletivoResumo
Este trabalho apresenta um relato de experiências desenvolvidas em três escolas públicas de Bagé/RS, no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), buscando compreender diferentes possibilidades de inserção das práticas musicais e vocais no contexto escolar. A primeira experiência ocorreu na Escola Estadual de Ensino Médio Silveira Martins, com estudantes do 1º e 2º ano do Ensino Médio; a segunda, na Escola Estadual de Ensino Fundamental Professora Creusa, com turmas do 6º e 7º ano; e a terceira, na Escola Municipal Téo Vaz Obino, com uma turma do 7º ano. Embora as experiências tivessem como propósito aproximar os estudantes da música por meio de atividades coletivas e participativas, cada contexto apresentou características próprias, exigindo diferentes estratégias de planejamento e condução. Na Escola Creusa, iniciamos as atividades buscando estabelecer contato com os estudantes e compreender sua receptividade. Foram desenvolvidas práticas de canto coletivo, percepção, ritmo e repertório, incluindo músicas populares e folclóricas, escolhidas também de acordo com eventos e interesses dos estudantes. Entre as dificuldades, destacaram-se a timidez, a insegurança e a busca por repertórios capazes de gerar maior engajamento. Ao longo dos encontros, percebemos maior descontração e segurança para cantar. No 9º ano, todos os estudantes que participaram da apresentação conseguiram cantar diante do público, representando um avanço significativo em relação à vergonha inicial. Na Escola Silveira Martins, partimos de aulas expositivas sobre práticas vocais e desenvolvemos aquecimentos vocais e físicos, vocalizes, exercícios de expressão, atividades corporais e práticas de sensibilização musical. Foram trabalhadas músicas de tradição oral, como Quando a Morena, e músicas populares, como Céu Azul, com participação dos estudantes na escolha do repertório. A timidez e a pouca desenvoltura também foram desafios iniciais, sendo utilizadas alternativas como a percussão corporal para incluir aqueles que não se sentiam confortáveis em cantar. Com a continuidade dos encontros, observamos avanços na percepção musical, afinação, ritmo, interação e interesse pelas práticas. A apresentação em um evento cultural da escola representou um momento significativo de socialização e envolvimento. Já na Escola Téo Vaz Obino, os estudantes, que já possuíam contato com práticas musicais por meio do PIBID e alguns com a banda escolar, demonstraram criatividade e empolgação desde o início. Iniciamos com percussão corporal e criação de paródias, além de atividades de escuta sonora. A abordagem das sonoridades indígenas provocou novas reflexões e, segundo os estudantes, ampliou suas perspectivas, inclusive despertando processos de identificação. As autoavaliações apresentaram devolutivas positivas sobre as aulas e nossa atuação docente. Ao comparar as três experiências, percebemos que as práticas musicais e vocais precisam considerar as características de cada turma, pois os mesmos procedimentos não produzem necessariamente os mesmos resultados. Enquanto em duas escolas foi necessário trabalhar inicialmente a timidez e a insegurança, na terceira encontramos estudantes mais espontâneos e criativos. As experiências evidenciaram a importância da escolha do repertório, da participação dos estudantes, de diferentes formas de envolvimento e da construção de vínculos. Essa perspectiva aproxima-se da concepção de educação dialógica de Freire (1996), que valoriza a participação, a autonomia e as experiências dos estudantes na construção do conhecimento. Para nós, enquanto bolsistas e docentes em formação, o trabalho proporcionou aprendizagens relacionadas ao planejamento, à postura docente, à condução das turmas e à necessidade de adaptar e reinventar as propostas diante de diferentes contextos. Dessa forma, compreendemos que as práticas musicais e vocais podem contribuir não apenas para o desenvolvimento de aspectos musicais, como percepção, afinação e ritmo, mas também para a expressão, interação, criatividade, autonomia e construção de experiências significativas.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Os Cantos em Seus Diferentes Cantos: Bolsistas do PIBID na Educação Musical. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122681. Acesso em: 23 out. 2026.