Educação Ambiental na Aula de Música: Uma Experiência Pedagógica no Ensino Fundamental de Bagé
Palavras-chave:
Educação, Musical, Paisagem, Sonora, Ambiental, Escuta, AtivaResumo
Este relato de experiência apresenta uma prática pedagógica desenvolvida com 17 estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal de Ensino Fundamental Téo Vaz Obino, em Bagé/RS, ministrada por bolsistas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), vinculados ao Curso de Licenciatura em Música da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). O objetivo foi analisar as contribuições da paisagem sonora e da escuta ativa para o desenvolvimento da percepção musical e da consciência ambiental dos estudantes. A paisagem sonora e a escuta ativa constituem possibilidades pedagógicas relevantes para o desenvolvimento da percepção musical e da consciência ambiental no contexto escolar. Fundamentada nos estudos de Murray Schafer, essa abordagem valoriza os sons presentes nos ambientes cotidianos e promove reflexões sobre as relações entre música, sociedade e natureza. Na educação musical contemporânea a escuta é um elemento fundamental para o desenvolvimento da sensibilidade, da criatividade e da compreensão crítica do mundo sonoro. Nesse contexto, propõe-se que uma escuta atenta dos sons presentes nos ambientes cotidianos, pode possibilitar novas formas de relação entre sujeitos, cultura e natureza, revelando que cada lugar possui uma identidade sonora própria (SCHAFER, 2011; 2012). A prática pedagógica foi realizada em três encontros. Inicialmente, na escola, foram exibidos vídeos e apreciadas canções relacionadas às temáticas ambientais. Após a escuta, os estudantes identificaram sons, instrumentos musicais, características das paisagens sonoras de vídeos temáticos e mensagens presentes nas letras das canções. Também participaram de diálogos coletivos e atividades de sensibilização auditiva, distinguindo sons naturais, sons produzidos pelos seres humanos e ruídos cotidianos. Posteriormente, alunos e bolsistas docentes realizaram uma caminhada até o arroio Gontan, localizado nas proximidades da escola, observando, identificando e descrevendo os sons do bairro e do ambiente natural. A atividade foi acompanhada por discussões sobre a paisagem sonora percebida, a escassez hídrica na cidade, a poluição dos arroios e outros problemas ambientais locais e globais. Os dados foram construídos a partir da observação da participação dos estudantes, dos registros produzidos durante as atividades e dos diálogos realizados em sala de aula. Como resultados, observou-se o envolvimento da turma e a ampliação da atenção aos sons do ambiente. Os estudantes reconheceram elementos sonoros antes percebidos de modo pouco consciente e relacionaram suas percepções às condições ambientais do entorno. O passeio também favoreceu a observação da água corrente, do vento, da poluição e dos resíduos deixados pelas enchentes e pela população, despertando questionamentos sobre o descarte inadequado de materiais. Alguns relatos evidenciaram a valorização da aprendizagem fora da sala de aula: A gente vê real! Não é só saber e Esse dia foi muito legal. Atravessamos paredes!. A experiência pedagógica com os estudantes pôde demonstrar que temas transversais às aulas de música, vinculados à educação ambiental, podem facilmente ser incluídos no planejamento didático. Ao serem convidados a perceberem sons que muitas vezes não são ouvidos, os estudantes puderam experimentar o conceito de paisagem sonora e refletir sobre a responsabilidade social com o meio-ambiente. A união entre escuta ativa, exploração sonora e temas transversais, pode fortalecer a formação integral dos estudantes, promovendo cidadania e consciência ecológica.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Educação Ambiental na Aula de Música: Uma Experiência Pedagógica no Ensino Fundamental de Bagé. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122680. Acesso em: 5 nov. 2026.