Educação Ambiental na Aula de Música: Uma Experiência Pedagógica no Ensino Fundamental de Bagé

Autores

  • Lygia Azambuja
  • André Alfredo Coelho
  • Carla Lopardo

Palavras-chave:

Educação, Musical, Paisagem, Sonora, Ambiental, Escuta, Ativa

Resumo

Este relato de experiência apresenta uma prática pedagógica desenvolvida com 17 estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal de Ensino Fundamental Téo Vaz Obino, em Bagé/RS, ministrada por bolsistas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), vinculados ao Curso de Licenciatura em Música da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). O objetivo foi analisar as contribuições da paisagem sonora e da escuta ativa para o desenvolvimento da percepção musical e da consciência ambiental dos estudantes. A paisagem sonora e a escuta ativa constituem possibilidades pedagógicas relevantes para o desenvolvimento da percepção musical e da consciência ambiental no contexto escolar. Fundamentada nos estudos de Murray Schafer, essa abordagem valoriza os sons presentes nos ambientes cotidianos e promove reflexões sobre as relações entre música, sociedade e natureza. Na educação musical contemporânea a escuta é um elemento fundamental para o desenvolvimento da sensibilidade, da criatividade e da compreensão crítica do mundo sonoro. Nesse contexto, propõe-se que uma escuta atenta dos sons presentes nos ambientes cotidianos, pode possibilitar novas formas de relação entre sujeitos, cultura e natureza, revelando que cada lugar possui uma identidade sonora própria (SCHAFER, 2011; 2012). A prática pedagógica foi realizada em três encontros. Inicialmente, na escola, foram exibidos vídeos e apreciadas canções relacionadas às temáticas ambientais. Após a escuta, os estudantes identificaram sons, instrumentos musicais, características das paisagens sonoras de vídeos temáticos e mensagens presentes nas letras das canções. Também participaram de diálogos coletivos e atividades de sensibilização auditiva, distinguindo sons naturais, sons produzidos pelos seres humanos e ruídos cotidianos. Posteriormente, alunos e bolsistas docentes realizaram uma caminhada até o arroio Gontan, localizado nas proximidades da escola, observando, identificando e descrevendo os sons do bairro e do ambiente natural. A atividade foi acompanhada por discussões sobre a paisagem sonora percebida, a escassez hídrica na cidade, a poluição dos arroios e outros problemas ambientais locais e globais. Os dados foram construídos a partir da observação da participação dos estudantes, dos registros produzidos durante as atividades e dos diálogos realizados em sala de aula. Como resultados, observou-se o envolvimento da turma e a ampliação da atenção aos sons do ambiente. Os estudantes reconheceram elementos sonoros antes percebidos de modo pouco consciente e relacionaram suas percepções às condições ambientais do entorno. O passeio também favoreceu a observação da água corrente, do vento, da poluição e dos resíduos deixados pelas enchentes e pela população, despertando questionamentos sobre o descarte inadequado de materiais. Alguns relatos evidenciaram a valorização da aprendizagem fora da sala de aula: A gente vê real! Não é só saber e Esse dia foi muito legal. Atravessamos paredes!. A experiência pedagógica com os estudantes pôde demonstrar que temas transversais às aulas de música, vinculados à educação ambiental, podem facilmente ser incluídos no planejamento didático. Ao serem convidados a perceberem sons que muitas vezes não são ouvidos, os estudantes puderam experimentar o conceito de paisagem sonora e refletir sobre a responsabilidade social com o meio-ambiente. A união entre escuta ativa, exploração sonora e temas transversais, pode fortalecer a formação integral dos estudantes, promovendo cidadania e consciência ecológica.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Educação Ambiental na Aula de Música: Uma Experiência Pedagógica no Ensino Fundamental de Bagé. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122680. Acesso em: 5 nov. 2026.