Entre Redes e Contextos: o Ensino de Música em Escolas Públicas.
Palavras-chave:
PIBID, Formação, docente, Contextos, educacionaisResumo
No ano letivo de 2026, enquanto estudantes do curso de Licenciatura em Música e integrantes do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), desenvolvemos atividades musicais em duas escolas públicas de diferentes redes de ensino: a Escola Estadual de Ensino Médio Silveira Martins e a Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Creusa Brito Giorgis. Ao longo das experiências, percebemos diferenças na forma como as atividades eram recebidas em cada escola. Mesmo diante de contextos diferentes, buscamos propostas que considerassem as individualidades, vivências e interesses musicais dos estudantes, trabalhando percepção, construção social, apreciação e criação musical. Essa perspectiva dialoga com Penna (2008), ao compreender o ensino de Música como uma prática que considera os diferentes contextos culturais e as experiências musicais dos alunos. Na Escola Silveira Martins, as atividades foram desenvolvidas com turmas do primeiro e segundo ano do Ensino Médio. Inicialmente, buscamos conhecer os interesses dos estudantes e sua relação com a Música, propondo a reprodução, em papelão, da capa de seus álbuns favoritos e momentos de escuta ativa. Apresentamos músicas de diferentes gêneros e propusemos questões sobre sensações, mensagens e elementos musicais percebidos. Na Escola Creusa Brito Giorgis, as atividades ocorreram com turmas do sétimo e nono ano do Ensino Fundamental. Também buscamos conhecer as individualidades e os interesses musicais dos alunos para planejar as aulas. Ao longo do trimestre, as práticas foram direcionadas gradualmente para a preparação de um recital no Dia da Diversidade Cultural da escola, envolvendo principalmente o canto e a percussão corporal. Na Escola Silveira Martins, percebemos desde as primeiras propostas participação significativa dos estudantes. A liberdade para compartilharem seus gêneros e músicas favoritas facilitou nossa aproximação com as turmas e ajudou a compreender quais caminhos poderíamos seguir nas aulas. A escuta ativa teve grande participação, com respostas criativas sobre as músicas. Na Escola Creusa Brito Giorgis, encontramos inicialmente maior resistência às propostas. O aquecimento vocal representava um desafio, e a apresentação para outras turmas gerava insegurança. Ao longo dos ensaios, alguns alunos demonstraram maior interesse e, aos poucos, outros colegas também passaram a participar. A turma do sétimo ano demonstrou maior interesse, enquanto no nono ano percebemos maior resistência. Diante dos recursos instrumentais disponíveis na escola, foi necessário adaptar algumas atividades, utilizando principalmente o canto e a percussão corporal. O processo resultou no recital e, após a apresentação, percebemos maior proximidade e curiosidade em relação às próximas atividades musicais. As experiências nas duas escolas mostraram a importância de conhecer as turmas antes de estabelecer um planejamento mais fechado. Mesmo quando já tínhamos atividades planejadas, foi necessário modificá-las conforme a participação, os interesses e as necessidades dos estudantes. Essa compreensão se aproxima da perspectiva de Freire (1996), ao considerar que a prática educativa deve partir do diálogo e da realidade dos sujeitos envolvidos no processo de aprendizagem. Também percebemos que as condições materiais influenciam nas possibilidades das aulas. Enquanto a Escola Silveira Martins possuía materiais e instrumentos que facilitavam determinadas práticas, essa não era a mesma realidade encontrada na Escola Creusa Brito Giorgis. A formação no curso de Licenciatura em Música da Universidade Federal do Pampa nos proporcionou ferramentas para buscar outras possibilidades e desenvolver atividades que estimulassem a participação, independência, segurança e criatividade dos alunos. Em ambas as escolas, observamos resultados positivos. No Silveira Martins, os estudantes passaram a demonstrar menos vergonha e maior participação; no Creusa Brito Giorgis, a realização do recital contribuiu para que os estudantes desenvolvessem maior segurança diante da experiência de se apresentar em público. Trabalhar nas duas escolas nos fez perceber que ensinar Música em diferentes contextos exige conhecer os estudantes, compreender as possibilidades de cada escola e modificar o planejamento quando necessário. Em ambas as experiências, buscamos manter o foco nas individualidades dos alunos, em seu bem-estar e em estímulos positivos para uma aprendizagem musical atrativa e significativa. Referências: FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. PENNA, Maura. Música(s) e seu ensino. Porto Alegre: Sulina, 2008.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Entre Redes e Contextos: o Ensino de Música em Escolas Públicas. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122679. Acesso em: 23 out. 2026.