Quando a Voz Encontra a Escola: Práticas Vocais no Ensino Médio
Palavras-chave:
Canto, Educação, Musical, Vivências, MusicaisResumo
Em 2026, nós, três estudantes de Licenciatura em Música e integrantes do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), desenvolvemos atividades musicais na Escola Estadual de Ensino Médio Silveira Martins. Atuamos por meio do componente curricular de Artes, planejando aulas de Música conforme as demandas da escola e os interesses dos estudantes. Após um diagnóstico inicial, percebemos a possibilidade de desenvolver práticas vocais com turmas do primeiro e segundo ano do Ensino Médio. A proposta surgiu considerando que grande parte dos estudantes não havia tido contato anterior com aulas de Música e que muitos apresentavam timidez e insegurança para cantar. Assim, utilizamos as práticas vocais como possibilidade de aproximação entre professores e estudantes e de experimentação musical. Compreendemos a prática musical como espaço de participação ativa, no qual o fazer musical pode contribuir para experiências significativas (SWANWICK, 2003). A experiência foi desenvolvida por meio de um projeto de práticas vocais coletivas, realizado em parceria entre a escola e a Universidade Federal do Pampa, sob coordenação de uma professora da universidade. A participação foi destinada aos estudantes interessados. Inicialmente, trabalhamos conteúdos introdutórios sobre Música, gêneros musicais, funcionamento da voz e organização de um coral, abordando regência, coralistas e naipes de vozes. Posteriormente, iniciamos as práticas com aquecimentos vocais, vocalizes e ensaios coletivos. Em um primeiro momento, selecionamos um repertório para facilitar a introdução das atividades, mas, ao longo do processo, possibilitamos que os próprios estudantes escolhessem uma música por meio de votação. Os ensaios ocorreram em sala separada, permitindo maior concentração e segurança aos participantes. No início, observamos muitos desafios relacionados à timidez e à ideia de que alguns estudantes não possuíam habilidades musicais para cantar. Por isso, buscamos introduzir as práticas gradualmente, criando um ambiente no qual eles pudessem participar sem se sentirem pressionados. Com os ensaios, percebemos maior participação, interação e envolvimento. A escolha coletiva do repertório foi significativa, pois considerou suas vivências e preferências musicais, aproximando os alunos. Aos poucos, estudantes que inicialmente não desejavam participar começaram a demonstrar interesse e solicitar a entrada no grupo. O que começou como uma proposta de práticas vocais passou, gradualmente, a constituir um coral. Como resultado, os estudantes realizaram uma apresentação em uma amostra científica, com acompanhamento instrumental e participação vocal das turmas. Foi significativo observar a satisfação dos participantes e ouvir relatos de que desejavam participar de outras apresentações. A experiência mostrou que muitos estudantes passaram a reconhecer que eram capazes de fazer Música. A experiência evidenciou a importância de desenvolver práticas musicais que envolvam os estudantes e considerem suas vivências e interesses. O processo mostrou que o canto coletivo pode contribuir não apenas para o desenvolvimento musical, mas também para a aproximação, a interação e a superação gradual da timidez. Para nós, futuros professores de Música, a experiência mostrou a importância de escutar os estudantes, adaptar as práticas às necessidades das turmas e possibilitar sua participação nas decisões pedagógicas. Mais do que ensinar uma música, buscamos proporcionar uma experiência na qual os estudantes percebessem que suas vozes também podem ocupar um espaço dentro da escola. Nesse sentido, a experiência vivenciada pode ser compreendida como um processo que ultrapassa a realização de uma atividade, uma vez que aquilo que vivenciamos pode produzir aprendizagens e transformações nos sujeitos envolvidos (LARROSA, 2002). É necessário reconhecer as dificuldades dos estudantes, adaptar as propostas e compreender que a aprendizagem musical acontece de maneira diferente para cada pessoa. Ao final da experiência, permanecemos com a percepção de que é necessário trazer para a escola práticas que envolvam os estudantes e contemplem suas vivências. A possibilidade de escolha e participação mostrou-se fundamental para o desenvolvimento do projeto. Assim, Quando a voz encontra a escola representa não somente a realização de uma prática vocal coletiva, mas o encontro entre estudantes, professores, suas experiências e diferentes formas de compreender e fazer música. Quando encontram espaço para experimentar, participar e escolher, os estudantes podem descobrir possibilidades que inicialmente não acreditavam possuir.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Quando a Voz Encontra a Escola: Práticas Vocais no Ensino Médio. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122677. Acesso em: 23 out. 2026.