OFICINA BANDLAB: USO DE TECNOLOGIAS EM SALA DE AULA
Palavras-chave:
Educação, Musical, Tecnologias, Formação, Professores, Música, Ensino, Múltiplos, ContextosResumo
Esta comunicação tem como objetivo relatar as experiências de ensino desenvolvidas na Oficina BanLab: uso de Tecnologias em Sala de Aula, ofertada aos discentes do Curso de Música da UNIPAMPA, no âmbito do componente curricular de Práticas Pedagógico-Musicais I, durante o primeiro semestre de 2026. O objetivo principal da iniciativa consistiu em proporcionar uma vivência imersiva de experimentação artística ativa e estimular a criação musical colaborativa mediada pela estação de trabalho de áudio digital (DAW) BandLab. O público-alvo abrangeu discentes do curso de Música, englobando especificamente acadêmicos bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) e alunos calouros do primeiro semestre letivo. A motivação para o desenvolvimento da proposta emergiu de reflexões sobre o papel da produção musical amadora no processo formativo, aliada à necessidade profissional de equipar futuros educadores com estratégias didáticas inovadoras capazes de aproximar a sala de aula do universo tecnológico contemporâneo. No campo da educação musical, as discussões sobre o uso da tecnologia (SCHARMANN, 2009; GOHN, 2009) já demonstram a importância da temática e apontam para diferentes modos de utilização de softwares e dispositivos tecnológicos no ensino de música (SOUSA; ZORZAL, 2023; MOTA, 2009 ), justificando a importância de abordar o assunto na formação de professores de música. A oficina contou com um total de 8 aulas, realizadas no período de 04 de maio de 2026 a 15 de junho de 2026, com duração estimada de uma hora a uma hora e meia em cada encontro, ocorrendo nas dependências físicas do Campus Bagé da Universidade Federal do Pampa. As atividades foram organizadas em salas de aula que comportavam o uso de dispositivos eletrônicos móveis (smartphones ou notebooks) pelos participantes. A dinâmica de trabalho apresentou caráter híbrido e flexível, mesclando breves exposições didáticas e técnicas sobre os recursos e funcionalidades do aplicativo com amplos momentos destinados ao fazer prático coletivo. Os participantes organizaram-se em grupos, trios e duplas para atuar em laboratórios de criação conjunta, nos quais o critério de avaliação pedagógica esteve centrado no próprio processo coletivo de captação, edição, tratamento e sobreposição de trilhas sonoras, resultando na execução de práticas colaborativas moldadas como jam sessions tecnológicas. Ao término de cada encontro foi produzido um diário de aula, no sentido de proporcionar uma reflexão sobre as práticas realizadas a partir das narrativas de si (RECK, LOURO, RAPÔSO, 2014). As análises realizadas a partir dos diários evidenciaram marcantes descompassos entre a idealização metodológica do plano de ensino e a realidade concreta do cotidiano acadêmico universitário. Registrou-se a interferência de dilemas estruturais e contingências externas, tais como a sobreposição de horários com aulas de reforço da grade curricular obrigatória e a acentuada oscilação na frequência dos discentes, provocada pelo acúmulo de tarefas de final de semestre, pelo rigor das baixas temperaturas e ausências por motivos de saúde - conforme pude anotar no diário de aula do dia 08/06/2026: "De repente todos ficaram doentes e foram viajar ao mesmo tempo semestre corrido e frio avassalador". Esses imprevistos exigiram uma readequação pedagógica constante, demandando a reapresentação recorrente dos conteúdos técnicos introdutórios para acolher os alunos ausentes em detrimento de uma progressão linear do programa. Apesar de algumas dificuldades, no entanto, o processo culminou na prática da proposta durante o encontro final, no qual os estudantes colaboraram ativamente na transposição de uma canção do gênero indie para o estilo reggae, unindo as faixas capturadas e tratadas no próprio aplicativo. As conclusões indicam que o uso da plataforma BandLab e de tecnologias de áudio digitais (Daws) atuam como uma possibilidade altamente promissora para fomentar o ensino de música, o trabalho em equipe e a fruição estética. Além disso, a experiência evidenciou que a prática docente na área exige do educador uma constante flexibilidade, sensibilidade e capacidade de adaptação às imprevisibilidades do ambiente universitário e à rotina socioeconômica dos estudantes, ratificando a premissa de que a tecnologia deve figurar como ferramenta de mediação, enquanto o foco central da educação musical permanece fixado na dimensão humana, na partilha sensível e na construção artística coletiva.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
OFICINA BANDLAB: USO DE TECNOLOGIAS EM SALA DE AULA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122676. Acesso em: 23 out. 2026.