Prática experimental contextualizada como estratégia para trabalhar bioquímica na formação do engenheiro ambiental e Sanitarista
Palavras-chave:
Ensino, Bioquímica, Bioplástico, Educação, ambientalResumo
Apesar de a Bioquímica fazer parte da matriz curricular e da formação do Engenheiro Ambiental e Sanitarista, é frequentemente percebida pelos estudantes como uma componente curricular predominantemente teórica, abstrata e distante das aplicações práticas. Nesse contexto, o desenvolvimento de atividades práticas contextualizadas atua de forma estratégica, favorecendo diretamente a aproximação entre os conceitos bioquímicos e os problemas concretos enfrentados na prática da engenharia. Este trabalho teve como objetivo central desenvolver, aplicar e relatar uma atividade prática de ensino voltada à produção e à posterior análise de degradação de bioplástico, buscando contextualizar e integrar conteúdos fundamentais de Bioquímica no curso de Engenharia Ambiental e Sanitária. A atividade pedagógica foi realizada no componente curricular de Bioquímica, ofertado regularmente ao curso de Engenharia Ambiental e Sanitária da instituição, abrangendo turmas dos primeiros semestres letivos de 2025 e 2026. Para a etapa inicial de contextualização e sensibilização dos discentes a respeito da temática de Química de carboidratos, foi exibido um documentário que aborda de forma crítica a grave problemática socioambiental e econômica do plástico convencional. Logo após, foi proposta e executada uma atividade prática na qual os estudantes, divididos em equipes de trabalho, deveriam produzir um filme flexível de bioplástico utilizando como matérias-primas materiais de baixo custo e de fácil acesso: amido extraído da batata, glicerina comercial e vinagre, mediante processos sequenciais de extração mecânica do amido, aquecimento controlado e posterior secagem do polímero obtido. Concluído o preparo e realizada a apresentação do material produzido por cada grupo, os alunos foram desafiados a avaliar se o bioplástico desenvolvido seria realmente uma alternativa sustentável e menos persistente do que o plástico oriundo de matriz petroquímica. Para a verificação empírica desta hipótese, os estudantes planejaram e montaram diversos minissistemas de compostagem controlados, utilizando potes de plástico transparentes. Esses sistemas continham substratos e insumos padronizados: solo comercial, amostras previamente medidas e pesadas do bioplástico caseiro produzido, plástico comum de origem fóssil, plástico biodegradável comercial, papel-alumínio, matéria orgânica diversificada e serragem seca. Essa montagem experimental permitiu a observação visual e analítica comparativa das alterações morfológicas nos materiais. Durante as pesagens finais, observou-se uma desintegração intensa e acelerada do bioplástico sintetizado a partir do amido, ao passo que o plástico convencional e o papel-alumínio permaneceram visualmente e estruturalmente inalterados sob as mesmas condições ambientais do teste de compostagem. Após o encerramento do ciclo de observação, realizaram-se debates coletivos mediados sobre os resultados obtidos, culminando na elaboração, pelos acadêmicos, de um relatório técnico. A condução da atividade possibilitou abordar e fixar conceitos complexos relacionados a carboidratos, polímeros naturais, interações intermoleculares, propriedades físico-químicas dos materiais e processos biológicos de biodegradação. Essa abordagem articulou-se diretamente com as diretrizes da Educação Ambiental crítica ao pautar o debate sobre o gerenciamento, a redução e o impacto dos resíduos plásticos nos ecossistemas urbanos e rurais. Como complemento, foi aplicado um questionário (via Google Forms) sobre a experiência dos alunos na componente curricular. Quatro alunos responderam ao questionário e consideraram a Bioquímica importante para sua formação profissional e relataram que a atividade contribuiu para a compreensão de conceitos da disciplina. As respostas também destacaram a possibilidade de relacionar conhecimentos teóricos a situações concretas e à atuação profissional na área ambiental. Conclui-se que a inserção dessa metodologia ativa de aprendizagem promoveu a indissociabilidade entre os conceitos bioquímicos de sala de aula e a prática, consolidando-se como estratégia didática promotora da Educação Ambiental no ensino superior. Ao correlacionar as reações químicas microscópicas com a dinâmica macroscópica da gestão integrada de resíduos sólidos, do tratamento de efluentes e da poluição do solo, a atividade desempenhou um papel crucial na contextualização profissional precoce. Essa vivência prática instrumentaliza e capacita os futuros engenheiros para a proposição de soluções biotecnológicas economicamente viáveis, ecologicamente sustentáveis e socialmente conscientes, alinhando a formação acadêmica às reais demandas técnicas, de saneamento e de sustentabilidade exigidas, contemporaneamente, do profissional graduado em Engenharia Ambiental e Sanitária.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Prática experimental contextualizada como estratégia para trabalhar bioquímica na formação do engenheiro ambiental e Sanitarista. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122674. Acesso em: 4 nov. 2026.