Caracterização Tecnológica de Pó de Rocha Basáltica para Avaliação do Potencial Como Remineralizador de Solos
Palavras-chave:
Remineralizador, solo, Pó, rocha, basáltica, Caracterização, tecnológica, Sustentabilidade, RochagemResumo
A crescente demanda por sistemas agrícolas mais sustentáveis e a necessidade de reduzir a dependência de fertilizantes convencionais têm impulsionado o desenvolvimento de alternativas capazes de fornecer nutrientes de forma gradual e promover melhorias nas propriedades do solo. Nesse contexto, os remineralizadores de solo, produzidos a partir de pós de rocha, destacam-se por seu potencial agronômico e pelo aproveitamento de materiais oriundos da atividade minerária, contribuindo para a economia circular e a valorização de coprodutos minerais. No Brasil, a produção e comercialização desses materiais são regulamentadas pela Instrução Normativa (IN) nº 5/2016 do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que estabelece requisitos químicos, granulométricos e ambientais para seu enquadramento. Assim, este trabalho teve como objetivo realizar a caracterização tecnológica, física, química e mineralógica de um pó de rocha basáltica proveniente de uma pedreira, localizada no município de Cruz Alta (RS), avaliando seu potencial de utilização como remineralizador de solos e sua conformidade com os critérios estabelecidos pela legislação vigente. A caracterização do material compreendeu análises químicas por fluorescência de raios X (FRX) e determinações complementares em laboratório especializado, caracterização mineralógica por difração de raios X (DRX) e ensaios granulométricos por peneiramento mecânico, permitindo comparar os resultados obtidos com os parâmetros estabelecidos pela IN nº 5/2016. A caracterização mineralógica revelou predominância de plagioclásio (72,3 %), seguido por piroxênio (15,9 %), magnetita (8,5 %), esmectita (1,9 %) e hematita (1,4 %), composição típica de rochas basálticas e favorável à liberação gradual de nutrientes ao solo. As análises químicas evidenciaram predominância de SiO₂ (51,5 %), Fe₂O₃ (13,6 %) e Al₂O₃ (13,4 %), além de teores de CaO (9,1 %), MgO (4,9 %) e K₂O (1,3 %). A soma das bases (CaO + MgO + K₂O) atingiu 15,2 %, superando o mínimo de 9 % estabelecido pela legislação, enquanto o teor de K₂O também atendeu ao limite mínimo exigido. As concentrações de arsênio, cádmio, chumbo e mercúrio permaneceram abaixo dos valores máximos permitidos, indicando conformidade quanto aos critérios de segurança ambiental. Entre os nutrientes passíveis de declaração, apenas ferro e manganês apresentaram concentrações suficientes para atender aos limites legais. Apesar da composição química e mineralógica demonstrar potencial para utilização agrícola, a análise granulométrica representou o principal fator limitante ao enquadramento do material como remineralizador. Apenas 41,1 % da amostra apresentou granulometria inferior a 2,0 mm, 23,9 % foi passante na peneira de 0,84 mm e somente 15,5 % apresentou granulometria inferior a 0,30 mm, resultados inferiores aos mínimos estabelecidos para as classificações de filler, pó e farelo previstas pela legislação. Esses resultados evidenciam que, embora o material apresente características químicas e mineralógicas compatíveis com o fornecimento gradual de nutrientes, sua granulometria reduz a conformidade com os critérios exigidos para registro e comercialização. Além disso, verificou-se que a IN nº 5/2016 não especifica metodologias analíticas para todos os parâmetros exigidos, especialmente para a determinação da sílica livre, aspecto que pode comprometer a padronização das avaliações entre diferentes laboratórios. Conclui-se que o pó de rocha basáltica estudado apresenta potencial para aplicação como remineralizador de solos, em razão de sua composição química, mineralógica e conformidade quanto aos parâmetros ambientais. Entretanto, sua classificação conforme a legislação vigente depende, principalmente, da adequação granulométrica do material, bem como da realização de análises complementares, como a determinação da sílica livre e ensaios agronômicos que permitam avaliar a disponibilidade de nutrientes em condições de cultivo. Os resultados obtidos contribuem para o conhecimento sobre o aproveitamento sustentável de materiais oriundos da mineração e fornecem subsídios para futuras pesquisas voltadas ao desenvolvimento de remineralizadores de solo.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Caracterização Tecnológica de Pó de Rocha Basáltica para Avaliação do Potencial Como Remineralizador de Solos. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122672. Acesso em: 22 out. 2026.