Corpo, Movimento e Afeto: Experiências do Estágio em Educação Física na Educação Infantil

Autores

  • Sergio Figueredo
  • Caroline Cardoso Pacífico
  • Raiany Peixe Gremes
  • Silvan Staudt Ribas
  • Diego de Matos Noronha
  • Mauren Araujo

Palavras-chave:

Ludicidade, Formação, docente, Desenvolvimento, infantil

Resumo

A Educação Infantil constitui uma etapa fundamental para a ampliação das experiências corporais, afetivas e sociais de bebês e crianças. Nesse período, o corpo e o movimento assumem centralidade nas formas de conhecer o mundo, comunicar necessidades, expressar sentimentos, brincar e estabelecer relações. As práticas pedagógicas relacionadas à Educação Física podem contribuir quando respeitam os ritmos, as características e as possibilidades de participação das crianças, evitando a antecipação de modelos próprios de outras etapas escolares. Este trabalho tem como objetivo relatar e refletir sobre uma experiência desenvolvida no Estágio Curricular Supervisionado IV do curso de Educação Física, destacando as aprendizagens construídas na atuação com bebês e crianças e suas contribuições para a formação docente. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, do tipo relato de experiência, realizado na Escola Municipal de Educação Infantil Tia Mercedes, em Uruguaiana, Rio Grande do Sul. O estágio teve carga horária total de 60 horas, incluindo observação, planejamento e regência, com seis horas semanais de atuação distribuídas entre turmas do berçário e das etapas II e da etapa III. Participaram bebês e crianças com idades entre cinco meses e quatro anos. Inicialmente, foi realizado um período de observação para conhecer a rotina institucional, as características das turmas, os processos de adaptação escolar e os horários de alimentação, higiene e sono. Essa aproximação mostrou-se necessária para elaborar propostas coerentes com cada faixa etária e integradas ao cotidiano da instituição. A prática foi organizada a partir do tema Descobrindo o corpo e os movimentos, desenvolvida por meio de brincadeiras e circuitos motores que favoreciam a exploração do espaço e a realização de ações como engatinhar, saltar e transpor obstáculos, propondo desafios relacionados ao equilíbrio, à coordenação e à exploração do espaço. As aulas eram estruturadas em momentos de acolhimento, desenvolvimento e retorno à calma, com adaptações conforme as respostas das crianças. No berçário, foram utilizados objetos com diferentes texturas, sons e formatos, além de brinquedos posicionados para incentivar deslocamentos, movimentos de alcance e exploração do ambiente. Nas etapas II e III, foram desenvolvidas trilhas de equilíbrio, lançamentos em alvos, percursos com elásticos, brincadeiras com bambolês e balões e a atividade Olha a cobra. A organização dos espaços e materiais buscou despertar a curiosidade e oferecer desafios adequados, sem transformar as diferenças no desenvolvimento em critérios de comparação. Outro momento significativo foi uma caminhada até a Praça Argentina, durante a qual foi possível acompanhar as crianças em experiências de deslocamento, observação do ambiente e brincadeiras ao ar livre. A atividade ampliou as vivências para além da escola e evidenciou o movimento como forma de expressão, interação e conhecimento na infância. Durante o estágio, o apoio das professoras regentes e do profissional de Educação Física contribuiu para compreender as rotinas, avaliar as propostas e realizar adaptações. As observações indicaram envolvimento das crianças, curiosidade diante dos materiais e diferentes formas de participação. Entre os bebês, a aproximação com objetos, sons e texturas ocorreu conforme os ritmos individuais, exigindo atenção aos sinais corporais, ao cansaço e às necessidades de acolhimento. Nas demais turmas, os circuitos e as brincadeiras favoreceram a experimentação de movimentos e a interação. Como não foram utilizados instrumentos específicos de avaliação, essas considerações correspondem às percepções produzidas durante o acompanhamento e não representam medidas objetivas de desenvolvimento motor. Para o estagiário, a experiência permitiu compreender que o planejamento na Educação Infantil precisa ser flexível e sensível às respostas das crianças. Uma proposta pode exigir mudanças no tempo, no espaço, nos materiais ou na condução, especialmente diante de situações relacionadas ao sono, à adaptação, ao interesse e à segurança. O estágio também possibilitou superar parte da insegurança inicial com o contato dos bebês, construir relações de confiança e afeto, reconhecendo que o vínculo não se opõe à intencionalidade pedagógica, mas constitui uma condição importante para a participação. Conclui-se que a experiência contribuiu para compreender bebês e crianças como sujeitos ativos, que aprendem e produzem conhecimentos por meio do corpo, do movimento, da brincadeira e das interações. A docência nessa etapa exige conhecimentos pedagógicos, observação, criatividade, paciência e disponibilidade para acolher diferentes ritmos. Assim, o estágio mostrou-se fundamental para aproximar a formação acadêmica do cotidiano institucional e construir uma prática comprometida com o desenvolvimento integral, os direitos de aprendizagem e o protagonismo das crianças.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Corpo, Movimento e Afeto: Experiências do Estágio em Educação Física na Educação Infantil. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122665. Acesso em: 22 out. 2026.