Horta Escolar e Alfabetização Científica: Uma Cartografia do Processo Inventivo
Palavras-chave:
cartografia, alfabetização, científica, anos, iniciaisResumo
A aprendizagem em Ciências na Educação Básica, especificamente nos Anos iniciais do Ensino Fundamental, requer que, além da alfabetização em linguagens, as crianças se integrem à ciência por meio da alfabetização científica, promovendo a aquisição de conhecimentos que permitam aos estudantes a compreensão de conceitos relacionados à manutenção e à sustentabilidade do meio ambiente. Partindo dos interesses de crianças do terceiro ano dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, de uma escola da rede municipal de Caçapava do Sul/RS, foi realizada uma pesquisa em nível de mestrado do Programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências, da Universidade Federal do Pampa, em que a horta escolar foi tomada como dispositivo complexo de aprendizagem e de alfabetização científica. Diante do problema de como criar um contexto problematizador para que crianças dos Anos Iniciais explorem princípios de sustentabilidade ambiental em uma perspectiva sistêmica e complexa, foram organizadas atividades que oportunizam a criatividade e a invenção de mundos por meio da horta. Afinada aos pressupostos da cartografia, a intervenção teve por objetivo implementar e cartografar os efeitos de um conjunto de estratégias metodológicas voltadas a um contexto de aprendizagem ativa e dinâmica, baseadas em princípios de sustentabilidade ambiental e social em uma perspectiva transdisciplinar, sistêmica e complexa, criando e recriando percursos, de modo que as crianças pudessem compreender esses princípios a partir de suas próprias investigações. A alfabetização científica (Sasseron; Carvalho, 2011) e a teoria da complexidade (Morin, 2017) dialogam com as competências e habilidades previstas na Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2017) e no Referencial Curricular Gaúcho RCG (Rio Grande do Sul, 2018), oferecendo os elementos necessários ao ensaio desses temas no cenário proporcionado pela horta escolar. Foi realizada uma expedição investigativa para conhecer uma horta com características sustentáveis localizada em uma escola técnica do município. Posteriormente, o espaço destinado à horta escolar e dispositivo de aprendizagem foi apresentada às crianças, mobilizando-as a colaborar em sua criação e recriação, baseada nos princípios da pesquisa-intervenção. Como método para acompanhar esse processo inventivo, utilizou-se a cartografia, a partir das pistas propostas por Passos, Kastrup e Escóssia (2015), buscando construir estratégias de intervenção pedagógica voltadas à construção de conceitos de alfabetização científica sobre sustentabilidade e vida saudável na horta. No processo de intervenção, foi oportunizado que as crianças registrassem suas investigações e aprendizagens em um diário de bordo, o qual possibilitou a equidade de participação entre os atores: cada um podia contribuir registrando suas impressões e aprendizagens sobre o tema a seu modo, seja por escritas, desenhos, listas ou rabiscos. A professora-pesquisadora registrou as ações das crianças com atenção especial aos questionamentos e comentários delas durante as atividades na horta visitada e na horta escolar. O plantio na horta escolar e os cuidados com as plantas em crescimento favoreceram a apropriação dos conceitos de sustentabilidade ambiental, compreendendo a complexidade da vida cotidiana e das ações humanas como uma rede de significados e de interdependência, e a necessidade de manter a vida por meio de práticas sustentáveis. A intervenção realizada na horta escolar, desde a preparação, plantio e manutenção, evidencia que atitudes simples podem interferir significativamente no ambiente próximo, e que a curiosidade e a investigação cumprem papel central na compreensão e na alfabetização científica, demonstrando que uma vida saudável se constrói por escolhas conscientes e hábitos praticados diariamente. A cartografia, ao descrever os percursos criativos, mapeou a aprendizagem, criando condições para que as crianças pesquisassem, selecionassem saberes, recriando seu próprio percurso e consolidando os conhecimentos científicos construídos. A atividade privilegiou a autoria da própria aprendizagem, considerando os atravessamentos os modos de implicar o coletivo e de proporcionar equidade de participação e inclusão das crianças no trabalho coletivo e colaborativo de construção dos conceitos de sustentabilidade ambiental.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Horta Escolar e Alfabetização Científica: Uma Cartografia do Processo Inventivo. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122659. Acesso em: 21 out. 2026.