Educação Financeira na Eja: Uma Experiência Pedagógica no Âmbito do Pibid

Autores

  • Amanda Linhares
  • Talyta de Freitas Soares
  • Daniele Seixas Lopes
  • Sabrina Gonçalves Marques
  • Marcio Andre Rodrigues Martins

Palavras-chave:

Palavras-chave, Iniciação, Docência, Educação, Jovens, Adultos, Financeira

Resumo

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) constitui uma modalidade de ensino marcada pela diversidade das trajetórias pessoais, escolares e profissionais dos estudantes, o que evidencia a importância de práticas pedagógicas que estabeleçam relações entre os conhecimentos escolares e situações presentes em seu cotidiano. Nesse contexto, a Educação Financeira apresenta-se como uma possibilidade de aproximar a Matemática das experiências dos educandos, especialmente por envolver situações relacionadas ao uso do dinheiro, ao consumo, ao planejamento e à organização financeira. Este trabalho apresenta um relato de experiência desenvolvido no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), a partir de uma intervenção pedagógica realizada com estudantes da EJA em uma escola pública de Caçapava do Sul, Rio Grande do Sul. A proposta foi desenvolvida pelas bolsistas de iniciação à docência após a professora da turma e supervisora do PIBID trabalhar conteúdos de Educação Financeira em uma perspectiva de Matemática Financeira. A intervenção teve como objetivo possibilitar aos estudantes a aplicação e a interpretação de conhecimentos matemáticos em situações-problema relacionadas a porcentagens, descontos, aumentos e juros simples, aproximando os conteúdos escolares de situações que podem fazer parte de suas experiências. A atividade foi organizada por meio de uma lista de exercícios contendo diferentes situações-problema. Os estudantes foram orientados a realizar as questões em duplas, favorecendo a troca de ideias e a colaboração entre os colegas, e puderam utilizar a calculadora disponível em seus aparelhos celulares como recurso de apoio. Durante o desenvolvimento da proposta, as bolsistas acompanharam os estudantes individual e coletivamente, auxiliando principalmente na interpretação dos enunciados, na identificação dos dados necessários, na organização das operações e na compreensão do significado dos resultados obtidos. A experiência foi analisada a partir da observação da participação dos estudantes, das dúvidas apresentadas e das estratégias utilizadas durante a resolução das atividades. Os resultados evidenciaram que algumas dificuldades não estavam relacionadas somente à realização das operações matemáticas, mas à interpretação das situações apresentadas e à identificação do procedimento adequado para cada problema. Também foi possível perceber que a calculadora, embora contribuísse para a realização das operações, não garantia, por si só, a compreensão do raciocínio matemático envolvido. Em uma das situações observadas, uma estudante conseguia utilizar a ferramenta para obter resultados, mas apresentava dificuldades para organizar a operação que deveria ser realizada. A mediação das bolsistas, nesse caso, concentrou-se na identificação dos valores apresentados no problema e na compreensão das relações entre eles antes da utilização da calculadora. Essa experiência reforçou a necessidade de compreender os recursos tecnológicos como instrumentos de apoio, e não como substitutos da compreensão dos procedimentos matemáticos. A realização das atividades em duplas também favoreceu a interação, permitindo que os estudantes comparassem estratégias, discutissem possibilidades de resolução e colaborassem na compreensão das questões. A intervenção evidenciou, ainda, a importância do diálogo e da mediação pedagógica, uma vez que as bolsistas buscaram não apresentar diretamente as respostas, mas orientar os estudantes por meio de questionamentos e indicações que os auxiliassem a construir seus próprios caminhos de resolução. Para as bolsistas, a experiência possibilitou vivenciar situações concretas de ensino e aprendizagem, permitindo observar diferentes ritmos, formas de participação e dificuldades dos estudantes, bem como articular conhecimentos construídos durante a formação acadêmica com situações vivenciadas no cotidiano escolar. Conclui-se que o trabalho com Educação Financeira na EJA pode contribuir para atribuir significado aos conhecimentos matemáticos ao relacioná-los a situações concretas da vida dos estudantes. A intervenção mostrou a relevância de práticas contextualizadas que valorizem não apenas o resultado final dos cálculos, mas também a interpretação, a organização do raciocínio e os conhecimentos construídos pelos educandos em suas experiências. Além disso, a participação no PIBID proporcionou às bolsistas uma experiência formativa significativa, aproximando a formação acadêmica da realidade escolar e favorecendo a construção de saberes docentes a partir da prática pedagógica.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Educação Financeira na Eja: Uma Experiência Pedagógica no Âmbito do Pibid. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122646. Acesso em: 2 nov. 2026.